

A implantação de sistemas agroflorestais tem se consolidado como uma estratégia importante para promover a produção de alimentos, preservação ambiental e geração de renda no meio rural. Em Sergipe, uma dessas iniciativas vem sendo desenvolvida na Comunidade Agrícola do Pirangi, território quilombola localizado no município de Capela.
Na localidade, a Coordenadoria de Agroecologia e Produção Orgânica (COOAPO), da Empresa de Desenvolvimento Agropecuário de Sergipe (Emdagro), tem atuado junto aos agricultores da comunidade na gestão do projeto intitulado ‘Raízes do Desenvolvimento’, que conta com financiamento internacional por meio do Fundo ECOS, iniciativa gerida pelo Instituto Sociedade, População e Natureza (ISPN), e tem como foco incentivar práticas produtivas sustentáveis que conciliam agricultura, preservação ambiental e melhoria das condições de vida no campo.
Entre as ações realizadas está a instalação da irrigação por microaspersão, que compõe uma agrofloresta. O kit é composto por tubulações, microaspersores e um reservatório com capacidade para armazenar até cinco mil litros de água. A estrutura garante o suporte hídrico necessário para o desenvolvimento das espécies cultivadas e contribui para maior segurança produtiva, especialmente em períodos de estiagem.
O sistema agroflorestal reúne diversidade de culturas, combinando espécies frutíferas — como manga, acerola, banana e pitanga — com plantas nativas, como a paineira, sibipiruna e ipês e cultivos tradicionais da agricultura familiar, a exemplo do milho, da mandioca e da batata-doce. Esse modelo produtivo favorece o uso equilibrado do solo, amplia a diversidade alimentar e fortalece a sustentabilidade dos sistemas agrícolas.
Para o engenheiro agrônomo da Emdagro, Lucas Travassos Déda, os sistemas agroflorestais representam uma alternativa produtiva que alia tradição agrícola e cuidado com o meio ambiente. “A agrofloresta permite produzir alimentos ao mesmo tempo em que recupera áreas degradadas e fortalece a biodiversidade. É um modelo que valoriza o conhecimento das comunidades e cria sistemas mais resilientes, capazes de garantir produção e sustentabilidade ao longo do tempo”, destaca.
Ainda de acordo com Lucas, as mudas frutíferas utilizadas na iniciativa são produzidas pela própria Emdagro, enquanto as espécies nativas são fornecidas pela Chesf e pela Codevasf, reforçando a atuação integrada entre instituições públicas e comunidades rurais. A próxima etapa, de plantio das mudas, será dia 18 de março em um área coletiva de um hectare definida pela comunidade.
A presidente da Associação da Comunidade Pirangi, Silvana Santos Barros Gonzaga, ressalta que o projeto representa um avanço importante para o desenvolvimento local e reflete uma parceria construída ao longo de décadas com a assistência técnica rural. Segundo ela, a Emdagro acompanha a comunidade desde 1994, prestando serviços de assistência técnica e extensão rural.
“Com a implantação do Programa Ater Mulher, essa parceria ficou ainda mais forte e eficaz. A Emdagro sempre esteve presente, orientando e caminhando junto com a comunidade. Hoje podemos dizer que Emdagro e Comunidade do Pirangi são verdadeiras parceiras no desenvolvimento do nosso território”, afirmou.
Silvana também destaca que a adoção do modelo agroflorestal exigiu um processo de construção coletiva e mudança de mentalidade entre os agricultores. “A gente precisou desenvolver uma consciência ambiental maior. Isso só foi possível depois de muita conversa, reuniões e orientação técnica sobre como fazer o casamento entre a floresta e a lavoura, produzindo sem destruir o que a natureza nos dá”, pontuou.
Como desdobramento do projeto Raízes do Desenvolvimento, a comunidade também planeja implantar uma agroindústria voltada para a produção de doces, bolos e para o beneficiamento de subprodutos da macaxeira, incluindo a comercialização da macaxeira embalada a vácuo. A iniciativa deverá ampliar as oportunidades de trabalho e gerar novas fontes de renda para as famílias da comunidade.




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