

O Parque de Ciência e Tecnologia (PCT) Guamá é pioneiro na Amazônia brasileira e o primeiro em operação na Região Norte. É um ambiente voltado para a geração de renda, competitividade industrial e o crescimento econômico.
No Pará, o PCT Guamá é um instrumento da legislação estadual de incentivo à inovação e à pesquisa científica e tecnológica. O complexo foi construído pelo Governo do Estado, por meio da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Educação Superior, Profissional e Tecnológica (Sectet), e conta com a parceria da Universidade Federal do Pará (UFPA), da Universidade Federal Rural da Amazônia (Ufra) e com a gestão da Fundação Guamá.
Há 15 anos, o parque tecnológico paraense promove o desenvolvimento criativo, além da geração de novas empresas e da prestação de serviços. “O Parque nasceu quase que concomitantemente com a Lei de Inovação no país, que é de 2004. Na época, havia muitas dúvidas e não havia regulamentação da lei, e por isso ele é tão de vanguarda. Hoje existe um entendimento muito claro dos papéis das entidades dentro de um ecossistema de inovação, mas, naquele momento, isso era muito nebuloso. O PCT não é só um parque; na verdade, ele é uma ação desbravadora de inovação feita na Amazônia”, enfatiza Renato Francês, diretor técnico da Fundação Guamá, instituição responsável pela gestão do parque.
Em todo o país, há 113 iniciativas de parques tecnológicos, sendo 64 em operação, 42 em implantação e 7 em planejamento. Esses parques em operação abrigam empresas e organizações, demonstrando a vitalidade e a escala do ecossistema brasileiro, segundo o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), com base em dados de 2025 da Plataforma InovaData-BR, que monitora o ecossistema nacional.
Cultura de inovação e criação de negócios
Parque tecnológico é um complexo planejado de desenvolvimento empresarial e tecnológico, promotor da cultura de inovação, da capacitação e da sinergia em atividades de pesquisa científica, desenvolvimento e inovação entre empresas e instituições científicas, conforme define a legislação brasileira que trata da inovação.
Em todo o país, os parques tecnológicos desempenham um papel fundamental ao ampliar e fortalecer a relação entre conhecimento acadêmico, empresas e mercados. São espaços que proporcionam uma atuação ativa da ciência para o crescimento econômico.
A empresa Inteceleri é um exemplo do papel que o parque exerce ao impulsionar ideias e pesquisas. A startup atua no complexo desde 2016 com tecnologias para a educação, oferecendo soluções inovadoras que já beneficiaram mais de 750 mil alunos no Pará e em outros cinco Estados brasileiros.
Em 2025, a empresa dobrou o faturamento anual e ampliou a equipe de 17 para 26 pessoas, crescimento conquistado dentro do complexo. “O PCT Guamá tem papel fundamental ao nos conectar com o mercado, com a pesquisa e também com a captação de recursos para desenvolver ainda mais tecnologias voltadas para a Amazônia”, enfatiza Walter Junior, CEO da empresa.
Enquanto instrumentos de política pública, os parques tecnológicos abrigam pesquisas e oferecem serviços e processos inovadores. São ambientes que incentivam o empreendedorismo e a criação de novos negócios, aproximando academia e mercado.
A empresa Hidromel Uruçun, associada ao PCT Guamá, é fruto de pesquisa. Dentro do parque, desenvolveu o hidromel, produto 100% amazônico, produzido a partir de abelhas nativas sem ferrão. Ana Lídia, CEO da empresa, explica que a produção da bebida é realizada com o suporte técnico e a infraestrutura do Parque, que também oferece consultorias e um ambiente de inovação ao pequeno negócio.
No ecossistema, o processo de produção passa por análises e desenvolvimento no Centro de Valorização de Compostos Bioativos da Amazônia, laboratório da UFPA instalado no complexo. O trabalho agrega valor ao mel regional, e também fortalece cadeias produtivas familiares e a preservação ambiental por meio da meliponicultura.
Conexão: governo, universidades e empresas
Como ambientes que facilitam conexões, os parques tecnológicos conseguem mobilizar atores como governo, universidades e empresas de forma colaborativa para gerar inovação. O fortalecimento desses ambientes requer suporte governamental, base científica e uma cultura de empreendedorismo.
“O arranjo de tríplice hélice, em que o poder público atua, a iniciativa privada atua e as academias atuam, é essa amálgama que precisa existir. Há vários entes que podem fazer isso, mas o mais consagrado tem sido o desenho do parque. Necessitamos dessa interligação, de um elo de ligação entre esses setores, e o PCT foi criado com essa lógica”, explica Renato Francês.
O ambiente de inovação paraense é mantido pelo Governo do Estado, com investimento anual de oito milhões de reais para manutenção e operação do espaço. “O Governo do Estado tem um compromisso permanente com o fortalecimento da ciência, da tecnologia e da inovação no Pará. O PCT Guamá é um exemplo dessa política pública, que há 15 anos recebe investimentos contínuos para garantir um ambiente propício ao desenvolvimento de pesquisas, ao crescimento de startups e à atração de empresas”, reforça Victor Dias, titular da Sectet.
O Parque é uma conquista coletiva da universidade e do Governo do Estado, que uniram esforços para pensar a ciência e a tecnologia de maneira mais aplicada e articulada com o setor produtivo, afirma Gilmar Pereira da Silva, reitor da UFPA. A parceria tem sido significativa para o desenvolvimento acadêmico, econômico e também para o crescimento da região.
“Com um trabalho fortemente articulado aos produtos da Amazônia, especialmente na área da biodiversidade, o PCT Guamá tem fortalecido a nossa compreensão acadêmica sobre o papel estratégico que a universidade pública desempenha quando se trata de estruturar uma política de desenvolvimento robusta e sustentável para o país”, destaca o reitor.
Para Janae Gonçalves, reitora da Ufra, a parceria com o complexo representa o fortalecimento da capacidade de transformar conhecimento em soluções tecnológicas voltadas para áreas estratégicas como bioeconomia, sustentabilidade, tecnologia ambiental e inovação no setor agroflorestal amazônico.
“A presença institucional no PCT Guamá representa uma oportunidade estratégica de ampliar o impacto social e econômico da produção científica da universidade. Eu enxergo o parque como um espaço de integração entre ciência, inovação e setor produtivo, no qual os pesquisadores da Ufra podem contribuir para o desenvolvimento sustentável da Amazônia, consolidando a universidade como protagonista na geração de conhecimento, na formação de talentos e na construção de soluções inovadoras para os desafios regionais”.
Áreas de atuação e infraestrutura
Inteligência Artificial, Energia, Bioeconomia, Sustentabilidade, Tecnologia da Informação e Comunicação e Economia Criativa são áreas de atuação do parque. Além da produção de pesquisas, os laboratórios instalados no complexo dispõem de estrutura e conhecimento técnico-científico para oferecer assistência a pequenas, médias e grandes empresas e indústrias da região.
Localizado no bairro do Guamá, o PCT Guamá possui atualmente 14 laboratórios com prestação de serviços e pesquisas, mais de 60 empresas e reúne em média 400 pesquisadores das principais universidades do Estado, garantindo uma base científica e tecnológica relevante. A execução de serviços e a geração de indicadores de inovação são diferenciais dos laboratórios que atuam em parques tecnológicos, enfatiza Renato Francês.
O ecossistema conta com dois prédios com salas para residência, auditórios, espaços para reuniões, treinamento e coworking, internet de alta velocidade, estacionamento, restaurante, área de convivência e vai ganhar um hub de negócios.
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