

Neste sábado (21), às 9h, o Teatro Cidade do Saber (TCS) recebe o lançamento de duas produções – um documentário e um livro – do historiador, professor e pesquisador Diego Copque, que têm a história de Camaçari como epicentro. A atividade gratuita marca o Dia Internacional de Luta pela Eliminação da Discriminação Racial, celebrado em 21 de março.
Na oportunidade, será lançado o documentário Do Joanes ao Pojuca: Narrando a História de Camaçari, realizado com recursos da Lei Aldir Blanc e apoio da Secretaria de Cultura de Camaçari (Secult); além da segunda edição revista e ampliada do livro independente Do Joanes ao Jacuípe – Uma história de muitas querelas, tensões e disputas locais. O evento contará com participações especiais do Grupo de Capoeira Inclusiva, Samba Chula Filhos de Oyò, Bule-Bule, Thico Paranhos e do poeta quilombola Tiago.
Sobre o documentário, trata-se de uma produção audiovisual com abordagem didática e acessível ao público em geral. O eixo central é a história de Camaçari, desde sua fundação no século XVI, que é marcada pela criação do Aldeamento do Espírito Santo às margens do Rio Carassuípe, popularmente conhecido como Rio Joanes, até os dias atuais.
“A obra tem como objetivo fortalecer o resgate da identidade histórica e geográfica do Recôncavo Norte da Bahia e, sobretudo, fortalecer o sentimento de pertencimento, a história local e a cultura do município como um dos pilares para a promoção de uma educação antirracista centrada em sua própria história para valorização da diversidade, elevando o moral dos alunos e sua autoconfiança. Por meio dessa iniciativa busca-se contribuir para a formação de uma identidade histórica, geográfica, étnica e cultural consciente especialmente entre os estudantes da rede pública e privada de ensino de Camaçari”, destacou Copque.


Já o livro chega cinco anos após o lançamento da primeira edição, em 2021. Esta segunda edição traz muito mais histórias sobre as disputas e tensões no coração do Recôncavo Norte da Bahia, especialmente na gleba de Camaçari, aprofundando-se nas querelas e litígios que marcaram a trajetória do município.
Conforme apresenta o autor, Camaçari foi palco central de intensas disputas e resistências tanto dos povos originários quanto de africanos e afro-brasileiros escravizados que moldaram a história da região através de confrontos diretos e indiretos na formação de comunidades autônomas e revoltas organizadas por indígenas e negros que fez surgir diversas taperas e quilombos na região.
Nesta edição especial do livro, há a inclusão de mais de 250 páginas de um conteúdo inédito com novas perspectivas que não foram analisadas na edição de 2021, totalizando o livro em 608 páginas de muitas descobertas e emoções. Além do trabalho minucioso do autor, a obra conta com contribuições fundamentais que enriquecem a leitura e oferecem diferentes aspectos sobre os temas abordados.
O professor e historiador Dr. Sérgio Guerra e o professor mestre Heitor Chamusca assinam a apresentação da primeira e da segunda edição, respectivamente, trazendo reflexões sobre a relevância do estudo e seu impacto na preservação da história do Recôncavo da Bahia. A professora mestra Vitalina Silva contribui com o prefácio da segunda edição, ampliando o debate e contextualizando a evolução da pesquisa do autor ao longo dos anos. A historiadora e professora Dra. Ernestine Carreira, da Universidade de Aix-Marseille, na França, assina o prefácio da primeira edição, destacando a importância da obra no resgate da história da região.
O jornalista e escritor Fernando Coelho assina o posfácio da primeira e da segunda edição, fechando o livro com uma análise sobre o papel da pesquisa histórica na construção da identidade local. O livro conta com a revisão de Carlos Amorim e Solange Fonsêca, design editorial e direção criativa de Carla Piaggio Design, capa e projeto gráfico de Genivaldo Oliveira e diagramação de Keille Lorainne.
A capa do livro traz a imagem de dona Maria Catarina de Jesus, atualmente com 106 anos de idade, um exemplo de resistência e ancestralidade, pois através de sua memória ancestral foi possível saber um pouco mais sobre seus antepassados. A contracapa exibe uma ilustração da artista plástica Kalundewa, produzida em 2022, que retrata a Baía de Todos-os-Santos e parte do seu Recôncavo.



Fotos: Patrick Abreu
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