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Casa Sociobio destaca protagonismo dos povos e comunidades tradicionais em painel da II Semana do Clima da Amazônia

Espaço de diálogo reuniu lideranças amazônicas, instituições parceiras e representantes do Governo do Estado no Parque de Bioeconomia e Inovação da...

02/07/2026 às 19h17
Por: Redação Fonte: Secom Pará
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Foto: Lucas Maciel / Ascom Semas
Foto: Lucas Maciel / Ascom Semas

A Casa Sociobio, entidade incubada pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Clima e Sustentabilidade (Semas) no Parque de Bioeconomia e Inovação da Amazônia, conduziu, nessa quarta-feira (1º), na Arena do Parque de Bioeconomia e Inovação da Amazônia, em Belém, o painel "Sociobioeconomia Viva: Povos e comunidades na liderança da transição justa nos territórios", integrante da programação da II Semana do Clima da Amazônia. O encontro reuniu lideranças indígenas, quilombolas, extrativistas, agricultores familiares, representantes de instituições parceiras e do Governo do Estado para discutir o fortalecimento da sociobioeconomia como estratégia de desenvolvimento sustentável e enfrentamento das mudanças climáticas na Amazônia.

Mediado por Karoline Barros, coordenadora da Casa Sociobio, o painel contou com a participação da secretária-adjunta de Bioeconomia da Semas, Camille Bemerguy; de Ronaldo Amanayé, da Federação dos Povos Indígenas do Pará (Fepipa); José Ivanildo Brilhante, do Conselho Nacional das Populações Extrativistas (CNS Pará); Aurélio Borges, da Coordenação das Associações das Comunidades Remanescentes de Quilombos do Pará (Malungu); Ângela Lopes, da Federação dos Trabalhadores Agricultores Familiares do Pará (Fetagri Pará); Carla Hofman, da Fundação CERTI, Joanna Martins, diretora do Tekoá Centro de Gastronomia Social e Daniela Gaspar, professora do Cesupa. O diálogo reuniu diferentes perspectivas sobre os desafios e as oportunidades para fortalecer a sociobioeconomia amazônica a partir do protagonismo dos povos e comunidades tradicionais.

Na abertura do debate, Karoline Barros destacou que a sociobioeconomia ocupa um papel estratégico nas discussões sobre mudanças climáticas por reconhecer e valorizar os modos de vida das populações amazônicas. "A sociobioeconomia é um tema indispensável nas discussões sobre mudanças climáticas. A bioeconomia dos povos e comunidades fortalece a vida da sociobiodiversidade como um todo, florestas e rios, povos e culturas, e é ferramenta importante na garantia do bem-viver e dos modos de vida dos povos indígenas, quilombolas, comunidades tradicionais e agricultores familiares do Pará", frisou.

Representando a Semas, a secretária-adjunta de Bioeconomia, Camille Bemerguy, ressaltou que o fortalecimento da bioeconomia amazônica depende do reconhecimento dos conhecimentos tradicionais como parte fundamental da construção de soluções para o desenvolvimento sustentável da região. "Um dos grandes desafios da bioeconomia é reconhecer os saberes e as ciências produzidas nos territórios amazônicos no mesmo nível da ciência acadêmica. Precisamos construir mecanismos que fortaleçam esse conhecimento, garantam a repartição justa de benefícios e assegurem que os povos e comunidades tradicionais sejam protagonistas desse processo", enfatizou.

Representando a Fundação CERTI, parceira na implantação do Parque de Bioeconomia e Inovação da Amazônia, Carla Hofman destacou que o fortalecimento da bioeconomia depende da construção de soluções alinhadas às necessidades dos territórios e da atuação integrada entre diferentes atores. "O Parque nasce da combinação entre a experiência na construção de ecossistemas de inovação e, principalmente, da escuta ativa dos territórios amazônicos. Acreditamos que esse ambiente só cumprirá seu propósito quando reunir diferentes instituições, comunidades e organizações em torno de um objetivo comum: transformar as potencialidades da Amazônia em oportunidades de desenvolvimento sustentável e geração de valor para quem vive na região", ressaltou.

Saberes tradicionais e inovação

Representando o Conselho Nacional das Populações Extrativistas (CNS Pará), José Ivanildo Brilhante defendeu que a sociobioeconomia deve reconhecer e valorizar os conhecimentos tradicionais produzidos nos territórios, ressaltando que esses saberes são resultado da relação histórica entre as comunidades e a floresta.

"Essa economia viva é a nossa cultura. Ela faz parte da nossa relação com a natureza e não nasceu agora. Nós aprendemos desde sempre a viver dessa forma. Durante muito tempo isso foi tratado como atraso, mas hoje fica evidente que quem preservou a floresta sempre esteve apontando um caminho possível. O que queremos é que os povos tradicionais sejam reconhecidos como protagonistas e que os nossos conhecimentos tenham o mesmo valor atribuído à ciência produzida na academia", observou.

A Casa Sociobio atua junto ao Parque de Bioeconomia e Inovação da Amazônia promovendo os interesses de povos indígenas, quilombolas, comunidades tradicionais e agricultores familiares nas políticas públicas estaduais de bioeconomia. A iniciativa também amplia oportunidades de investimento e parcerias para a sociobioeconomia, além de fortalecer a participação desses grupos no ecossistema de inovação do Parque.

As organizações representadas no painel integram o conselho diretivo da Casa Sociobio, concebido com maioria formada por representantes dos próprios povos e comunidades tradicionais. Esse modelo de governança garante que as estratégias desenvolvidas estejam alinhadas às prioridades dos territórios e fortalece a participação social na implementação da política estadual de bioeconomia.

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