

A necessidade de tomar decisões em ambientes de incerteza tem ampliado o interesse de empresas por práticas de foresight, abordagem usada para mapear sinais de mudança, construir cenários e orientar escolhas estratégicas diante de futuros possíveis.
O World Economic Forum define strategic foresight como a capacidade de explorar múltiplos futuros plausíveis e desenvolver estratégias que permaneçam consistentes em diferentes cenários. Em publicação de 2025, a organização afirma que governos, empresas e organizações sem fins lucrativos enfrentam riscos emergentes conhecidos e desconhecidos, em um contexto marcado por choques geopolíticos, transformações tecnológicas, riscos climáticos e incertezas econômicas.
A prática também tem sido associada à redução de decisões reativas. Segundo o World Economic Forum, uma visão de foresight inclui perceber sinais, prospectar impactos e testar soluções para navegar o futuro de forma proativa. Em outra análise, publicada em 2026, a entidade aponta que a integração de perspectivas intergeracionais e diversas pode ajudar lideranças a detectar sinais de mercado com antecedência e reduzir vieses de curto prazo.
O tema também aparece em discussões sobre governança antecipatória. O Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, em publicação de 2024 sobre América Latina e Caribe, afirma que a incorporação de práticas de foresight em instituições públicas pode otimizar planejamento e resultados de políticas diante de desafios emergentes. Embora o foco do documento seja o setor público, a discussão reforça a relevância de métodos de antecipação em contextos de maior complexidade.
No ambiente corporativo, o foresight costuma ser aplicado em processos de inovação, estratégia, gestão de riscos e desenvolvimento de liderança. Entre as práticas mais utilizadas estã o; análise de sinais fracos, construção de cenários, mapeamento de tendências, identificação de impactos sistêmicos e discussão de hipóteses sobre futuros possíveis.
Em São Paulo, o tema estará presente na edição do Future Skills Masterclass, que será realizada nos dias 19 e 20 de agosto de 2026. O encontro presencial terá dois dias de programação e será direcionado a líderes, tomadores de decisão, profissionais de inovação, recursos humanos, treinamento e desenvolvimento, marketing e indústrias criativas, conforme o programa do evento.
O material do Future Skills São Paulo informa que a programação será dividida em dois eixos: inovação em um mundo pós-IA e liderança em cenários de transformação contínua. O primeiro dia aborda o papel da inteligência artificial na forma como profissionais se conectam, aprendem e colaboram. O segundo trata de liderança em contextos de incerteza, com temas como adaptabilidade, pensamento crítico, colaboração, tomada de decisão, resolução criativa de problemas e foresight.
A edição prevê a participação de profissionais de diferentes setores e empresas. O formato também contempla a possibilidade de participação em grupo por equipes corporativas, em uma experiência voltada à discussão de habilidades futuras, aprendizagem contínua e aplicação de ferramentas em desafios organizacionais.
A expansão do foresight nas agendas de gestão indica uma mudança na forma como organizações lidam com planejamento. Em vez de concentrar esforços apenas na reação a mudanças já instaladas, empresas passam a estruturar processos para observar sinais, formular cenários e preparar lideranças para decisões em ambientes nos quais variáveis tecnológicas, sociais, econômicas e regulatórias se transformam de forma simultânea.
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