

Um recente levantamento promovido pelo Conselho Regional de Administração de São Paulo - CRA-SP revela que a percepção sobre os maiores gargalos do setor público brasileiro, por parte dos profissionais de Administração, pode variar dependendo do campo em que eles atuam. Enquanto os profissionais liberais e aqueles que trabalham no setor privado apontaram o excesso de normas e regulamentações conflitantes como a maior burocracia ineficiente da máquina pública, os que estão inseridos no próprio setor público identificaram a tecnologia obsoleta e a falta de comunicação entre os sistemas como o principal gargalo de eficiência.
O estudo, que teve como principal objetivo mapear os desafios estruturais e operacionais da gestão pública sob a ótica técnica do administrador, evidenciando a urgência e a importância estratégica deste profissional para a modernização e eficiência do Estado, ainda evidenciou um outro contraste entre o olhar "interno" e "externo", dessa vez em relação à insatisfação com a gestão de recursos humanos no Estado.
Entre os servidores públicos, 33,3% apontaram a rigidez nos modelos de progressão e a ausência de indicadores de desempenho vinculados a metas como uma das maiores fontes de ineficiência, contra apenas 16,6% dos profissionais liberais e 22,6% do setor privado.
Descontinuidade administrativa impede avanços tecnológicos
Apesar das divergências sobre as burocracias atuais, os três grupos concordam quando o assunto é o futuro tecnológico. Ao serem questionados sobre o principal obstáculo para a implementação efetiva de ferramentas modernas, como a inteligência artificial, a análise de dados e a infraestrutura de rede, a resposta foi categórica: a ausência de planejamento de longo prazo e a descontinuidade administrativa provocada pela troca de governos.
Essa falta de visão continuada foi citada por metade dos administradores públicos (50,9%), 44,8% dos profissionais liberais e 41,9% dos entrevistados do setor privado. A cultura organizacional e a resistência à mudança por parte de servidores e lideranças aparecem logo em seguida, oscilando entre 20% e 23% nos três segmentos.
Onde a categoria profissional gera impacto imediato?
Diante desse cenário de desafios, o levantamento consolida a percepção de que a competência técnica em Administração é a chave para aprimorar a eficiência governamental. Para a maioria dos entrevistados que atua na administração pública, o maior impacto imediato que a categoria pode entregar está no Planejamento Estratégico e Orçamentário (29,1%), por meio do alinhamento técnico entre o Plano Plurianual (PPA) e a execução real das políticas públicas.
Já os profissionais do setor privado enxergam uma contribuição mais urgente nas frentes de governança, compliance e transparência (24,2%) e na gestão de projetos e monitoramento de resultados (23,4%), garantindo que obras e programas saiam do papel cumprindo prazos e orçamentos rigorosos.
"Este levantamento é fundamental para entender o que os profissionais de Administração pensam sobre o setor público. Precisamos ouvir quem vive o dia a dia da gestão, pois só assim vamos entender os problemas reais e onde a nossa categoria pode atuar. O administrador tem o conhecimento técnico necessário para melhorar a entrega de valor para a sociedade", destaca o Adm. Daniel Sguerra, gerente de Relacionamento do CRA-SP.
O levantamento do CRA-SP ouviu 569 profissionais, de forma voluntária, entre os dias 28 de janeiro e 19 de fevereiro de 2026. Os demais resultados gerais do estudo estão disponíveis no site do Conselho.
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