

Com a popularização dos medicamentos à base de GLP-1, como semaglutida (Ozempic) e tirzepatida (Mounjaro), cresceu também uma expectativa de que as "canetas emagrecedoras" seriam uma solução para a infertilidade masculina. O Dr. Guilherme Wood, urologista da Huntington Medicina Reprodutiva, esclarece o que há de real nessa relação e o que é ilusão.
"Muito paciente chega achando que Ozempic ou Mounjaro pode 'resolver' a infertilidade, principalmente depois de notícias e estudos recentes ganharem destaque. A base não é totalmente um mito, mas a evidência de que a medicação por si só melhora a fertilidade ainda é recente e limitada", afirma o especialista.
Verdade 1: A obesidade prejudica a fertilidade masculina
O pano de fundo para toda essa discussão é real e documentado. A obesidade desregula o eixo hormonal responsável pela produção de testosterona, eleva os níveis de estrogênio produzido pelo tecido adiposo e piora os parâmetros do sêmen.
Estudos mostram que homens com IMC acima de 40 kg/m² apresentam redução significativa de testosterona total e livre, além de menor produção dos hormônios que estimulam a espermatogênese. A alteração na motilidade dos espermatozoides é encontrada em até 39,9% dos homens obesos, segundo pesquisas publicadas no PubMed.
Segundo a Sociedade Brasileira de Reprodução Humana (SBRH), cerca de 17% dos casais em idade reprodutiva enfrentam dificuldade de conceber. Em aproximadamente 20% dos casos, a infertilidade é atribuída exclusivamente ao homem e, quando combinada ao fator feminino, esse número supera 50%. No Brasil, os atendimentos relacionados à infertilidade masculina mais que dobraram na última década, segundo dados do Ministério da Saúde compilados pela Associação Brasileira de Reprodução Assistida (SBRA).
Verdade 2: O benefício parece vir da perda de peso, não do remédio em si
Um estudo publicado em 2025 no periódico Diabetes, Obesity and Metabolism mostrou melhora significativa na morfologia espermática em homens obesos com diabetes tipo 2 e hipogonadismo funcional após 24 semanas de uso de semaglutida.
"O benefício parece vir sobretudo da perda de peso, não do medicamento agindo diretamente no testículo. Corrigir o excesso de peso reduz a desregulação do eixo hormonal, e isso se reflete no sêmen", explica o médico. Ou seja: quando há melhora, ela parece vir da melhora metabólica e o remédio, nesses casos, seria o caminho para chegar lá.
Verdade 3: O resultado leva meses (e reduz se o peso voltar)
Para que haja melhora hormonal visível, geralmente é necessária uma perda de 5% a 10% do peso corporal. Isso leva meses de tratamento consistente. Há ainda uma explicação biológica para a demora: o ciclo completo de produção de espermatozoides dura cerca de 3 meses. Qualquer melhora no sêmen sempre vem depois da melhora metabólica.
O Dr. Wood destaca também o que acontece quando o tratamento é interrompido antes de atingir o objetivo. "O reganho de peso é frequente após parar a medicação. Junto com o peso, os ganhos hormonais e seminais tendem a regredir. O benefício não é permanente. Ele acompanha o resultado metabólico", diz.
Vale esclarecer também um ponto prático: não existe protocolo formal para suspender o medicamento antes de uma coleta de sêmen, nem evidência de que ele afete diretamente o espermatozoide de forma a exigir interrupção por segurança.
Na prática clínica, o especialista orienta que, para avaliar o real efeito do tratamento no espermograma, o ideal é aguardar pelo menos um ciclo completo de espermatogênese, ou seja, de 2 a 3 meses com peso estável, antes de realizar uma nova coleta.
Verdade 4: Quem tem peso normal não tem ganho, mas pode ter prejuízo
Os benefícios descritos pela ciência se aplicam a um perfil específico: homens com obesidade ou sobrepeso que apresentam algum grau de hipogonadismo funcional associado. Para esse grupo, corrigir o excesso de peso pode, de fato, melhorar o eixo hormonal e a qualidade do sêmen.
O cenário é diferente, e potencialmente prejudicial, para homens com peso normal que usam a medicação por estética ou como "prevenção". "Não há evidência de ganho de fertilidade nesses casos, e existe até o risco contrário: déficit calórico e perda de massa magra excessiva podem prejudicar a espermatogênese. Sem excesso de peso para corrigir, não há 'efeito bônus' para a fertilidade", alerta o Dr. Wood.
Verdade 5: A automedicação atrasa o diagnóstico de causas tratáveis
O ponto de maior preocupação do especialista é o uso por conta própria, sem investigação urológica prévia. Varicocele, hipogonadismo, obstruções e alterações genéticas são causas tratáveis de infertilidade masculina que só aparecem com avaliação especializada e que ficam invisíveis enquanto o paciente acredita que "está cuidando disso" com a medicação.
Há ainda outro risco frequentemente ignorado: uma perda de peso rápida e sem acompanhamento pode piorar temporariamente o espermograma. "A medicação é coadjuvante. Nunca substitui o espermograma, a avaliação hormonal e o exame físico completos", reforça o Dr. Wood.
Sobre a Huntington Medicina Reprodutiva
Com mais de 30 anos de história e tradição, a Huntington Medicina Reprodutiva é uma das principais referências em reprodução assistida no Brasil. Ao longo de sua trajetória, construiu reconhecimento nacional pela excelência médica, rigor científico e pelo cuidado humano oferecido a pacientes e famílias que buscam realizar o sonho da parentalidade.
A clínica atua com um portfólio completo de tratamentos em reprodução assistida, contemplando infertilidade feminina, masculina e do casal, congelamento de óvulos, fertilização in vitro, inseminação intrauterina, doação de gametas, oncofertilidade, aconselhamento genético e tecnologias avançadas de laboratório, como o sistema time-lapse, sempre com uma abordagem individualizada e acolhedora.
Atualmente, a Huntington integra o Grupo Eugin, uma das maiores e mais respeitadas redes de reprodução assistida do mundo, presente em nove países. Essa conexão internacional fortalece o intercâmbio científico, a inovação contínua e o compromisso da Huntington com a evolução da medicina reprodutiva, mantendo o paciente no centro de todas as decisões.
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