

A ascensão do comércio agêntico, modelo em que agentes de inteligência artificial pesquisam, comparam e adquirem produtos em nome de empresas sem intervenção humana direta, começa a redesenhar as relações comerciais entre companhias. O movimento acompanha o avanço da IA nos processos de compra e venda: levantamento da Deloitte indica que 29% das empresas de bens de consumo da Ásia-Pacífico já adotam agentes de IA, percentual que deve chegar a 76% nos próximos dois anos.
O avanço acompanha uma mudança mais ampla no comportamento de busca. Segundo pesquisa da SparkToro, 68% das buscas no Google terminaram sem qualquer clique nos primeiros meses de 2026, contra 60% em 2024. O número indica que parte relevante das decisões passa a ocorrer dentro de ambientes mediados por IA, o que demanda das empresas uma forma diferente de visibilidade digital, hoje chamada de GEO (Generative Engine Optimization).
Do lado da demanda, a adoção já é expressiva. Um outro estudo da Deloitte aponta que quase 40% dos compradores corporativos utilizam agentes de IA para avaliar produtos, configurar pedidos, revisar contratos e comparar preços. Entre os fornecedores, porém, o índice cai para 24%, o que evidencia um descompasso entre quem adquire e quem oferece nesse novo cenário. A leitura recorrente é a de que o comprador incorporou a tecnologia mais rápido do que o vendedor, que ainda caminha em ritmo lento na exposição de suas informações.
A infraestrutura para esse tipo de transação começa a se padronizar internacionalmente. O Agentic Commerce Protocol, criado por OpenAI e Stripe em setembro de 2025, e o Universal Commerce Protocol, apresentado pelo Google durante a feira NRF em janeiro de 2026, estabelecem padrões para que os agentes descubram catálogos, negociem condições e concluam pedidos de ponta a ponta, sem que uma pessoa precise abrir o site do fornecedor.
Preparação técnica das empresas
Para serem localizadas por esses agentes, as companhias precisam expor dados em formato legível por máquina. De acordo com Matheus Silveira, CEO da Quality SMI, a informação estruturada, e não apenas o conteúdo voltado ao leitor humano, torna-se determinante nesse contexto.
"As fichas técnicas em PDF, preços em imagem e tabelas pensadas para navegação não são interpretadas por um agente, que consulta campos objetivos, marcação semântica e informações de preço, estoque e prazo disponíveis em tempo real", observa.
Silveira pondera que o GEO representa uma ampliação do SEO, e não uma ruptura, já que princípios como utilidade do conteúdo, clareza técnica e autoridade seguem válidos. "A distinção está no alcance: além dos buscadores tradicionais, a recomendação passa por ambientes como assistentes de IA e agentes de compra, que utilizam índices e critérios próprios de citação. Ranquear e ser citado são funções próximas, não iguais", afirma.
Entre os fatores que tornam um site invisível para agentes de compra, o especialista destaca o dado preso em formatos que a máquina não lê, a ausência de preço e estoque atualizados em tempo real e a chamada inconsistência de entidade, quando a marca aparece descrita de maneiras distintas em cada canal e acaba confundida com concorrentes. "Processos de pós-venda que dependem de etapas manuais, como devolução, assinatura e recompra, interrompem o fluxo, porque o agente não conclui a jornada quando encontra uma barreira operacional", acrescenta.
Novas métricas para a visibilidade digital
O profissional avalia que a mensuração de resultados também se transforma quando o clique deixa de ocupar o centro da análise. No lugar da métrica isolada de acesso, ganham peso a frequência com que a marca é citada como fonte pelos modelos, a participação de menções frente à concorrência e o sentimento associado a essas citações. "Esses indicadores precisam estar conectados à conversão e faturamento, uma vez que o rastreamento tradicional não enxerga uma decisão tomada dentro de uma conversa com IA", pontua.
Para o executivo, a defasagem das empresas brasileiras na organização de dados pode se converter em oportunidade para quem se antecipar. Ele considera que o mercado local ainda está pouco ocupado nessa preparação e que a estruturação técnica imediata tende a assegurar presença diante da concorrência, à medida que o comportamento de compra migra para os agentes.
"Visibilidade digital deixou de ser somente uma posição numa página. Hoje ela mede se a máquina consegue ler, confiar e recomendar a sua empresa. Quem ignorar isso não fica mal ranqueado, fica invisível", conclui.
Para mais informações, basta acessar: https://www.qualitysmi.com.br
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