


Laila, Naamã, Luciana e Narriman
Mais do que acompanhar aspectos emocionais relacionados ao adoecimento, os profissionais de Psicologia que atuam na Fundação Pública de Saúde de Vitória da Conquista (FSVC), mantenedora do Hospital Municipal Esaú Matos e do Ambulatório Municipal de Saúde Mental, contribuem diariamente para tornar a assistência mais acolhedora, respeitosa e integral.
Inseridos nas equipes multiprofissionais, os psicólogos acompanham pacientes em diferentes momentos do cuidado, acolhem familiares e cuidadores, ajudam a fortalecer vínculos e também oferecem suporte aos próprios profissionais de saúde. Na prática, esse trabalho significa olhar para além do diagnóstico ou da condição clínica e compreender a pessoa em sua história, seus sentimentos, suas necessidades e seu contexto.
No dia 27 de agosto, quando é celebrado o Dia do Psicólogo, a FSVC destaca justamente essa atuação: a presença da Psicologia como parte de um cuidado que valoriza a escuta, o respeito e a humanização.

Luciana
No Hospital Esaú Matos, cuidado também significa acolher a família
Há 12 anos atuando como psicóloga no Hospital Esaú Matos, com experiência na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) neonatal, Luciana Luz conhece de perto os impactos que a hospitalização pode provocar não apenas nos pacientes, mas também em seus familiares.
Para ela, especialmente em uma UTI neonatal, o acolhimento psicológico é indispensável para que pais e familiares possam compreender e atravessar um momento de grande fragilidade.
“É impossível para os pais ultrapassar esse momento sem a assistência psicológica, no sentido de poder ser acolhido, ouvido, individualizado. A equipe multidisciplinar trabalha com o paciente, e o papel do psicólogo é também enxergar a família”, explica.
A atuação da profissional também se estende à formação de novos psicólogos. Como hospital-escola, o Esaú Matos mantém parcerias com instituições de ensino e oferece espaços de estágio em Psicologia Hospitalar. A unidade também está ampliando as possibilidades de estágio em plantão psicológico, incluindo uma perspectiva de acolhimento aos trabalhadores.
“A Psicologia pensa no paciente, mas também pensa no profissional”, destaca Luciana.

Naamã
Essa compreensão de que o cuidado precisa alcançar todos os envolvidos na assistência também faz parte do trabalho do psicólogo Naamã Dias, que atua no Hospital Esaú Matos desde o início da carreira.
Para ele, a escolha pela Psicologia esteve relacionada à sensibilidade diante das pessoas e ao desejo de contribuir com o cuidado humano. No ambiente hospitalar, essa característica ganhou uma dimensão ainda maior.
“À medida que fui percebendo, em essência, esse desejo de cuidado com o humano e esse lugar de sensibilidade na escuta e a importância desse lugar, fui sendo gradativamente direcionado para a Psicologia”, relata.
No hospital, Naamã acompanha pacientes em diferentes etapas da assistência, desde o pronto atendimento até a internação. Seu trabalho envolve gestantes em trabalho de parto, pacientes internadas por complicações durante a gestação, situações de perda gestacional, acompanhamento no pré-natal de alto risco e casos de bebês em cuidados paliativos.
Cada situação exige uma forma específica de acolhimento. Em momentos de incerteza, medo ou sofrimento, a escuta psicológica ajuda a paciente e seus familiares a compreenderem o que estão vivendo e a encontrarem maneiras de atravessar aquela experiência.
“Dentro de uma realidade hospitalar, isso te obriga a amadurecer muito rápido na profissão. Mas isso foi muito importante para o meu desenvolvimento como profissional”, afirma.
O trabalho também envolve a formação de novos profissionais. Os psicólogos da unidade atuam como preceptores de estudantes que estão nos últimos semestres da graduação, aproximando a formação acadêmica da realidade cotidiana do cuidado em saúde.
“Nosso papel aqui é orientar, ajudar e direcionar também de maneira prática esses alunos na atuação do cuidado”, destaca Naamã.

Narriman
Acolher sem julgar e respeitar cada história
No serviço de Follow-up, a psicóloga Narriman Cajaíba acompanha principalmente pais e cuidadores que passaram pela experiência da prematuridade ou da internação dos bebês.
Para ela, estar presente nesses momentos de fragilidade significa oferecer um espaço seguro para que as famílias possam falar sobre medos, inseguranças e desafios, além de contribuir para o fortalecimento dos vínculos.
“Para mim, ser psicóloga é compreender histórias, acolher sem julgar e contribuir para que cada pessoa se sinta vista, respeitada e, principalmente, acima de tudo, cuidada”, afirma.
O atendimento envolve a escuta dos pais e cuidadores e o apoio à família para que se sinta mais segura no cuidado com o bebê. Esse trabalho acontece de forma articulada com a equipe multiprofissional.
Narriman também atua no atendimento a mulheres, crianças e adolescentes vítimas de violência sexual. Nesses casos, o acolhimento precisa ser ainda mais cuidadoso, com atenção para que a pessoa seja ouvida e respeitada sem passar novamente por situações que possam provocar sofrimento.
“Nosso papel de psicólogo, nesse contexto, também é de acolher, de escutar, oferecer um espaço mais seguro para que ela se sinta respeitada, protegida”, explica.
A profissional também acompanha pacientes no contexto da interrupção legal da gestação decorrente de violência sexual, quando essa é uma opção da paciente, assim como aquelas que optam por dar continuidade à gestação.
“Nossa atuação não é de julgar, de tomar decisão pela paciente, mas sim de acolher a história, respeitar a sua autonomia e ajudar a atravessar esse momento da forma mais humanizada possível”, afirma.
O cuidado é realizado de maneira integrada com a equipe multiprofissional, com atenção à não revitimização e ao compartilhamento apenas das informações necessárias para garantir a assistência.

Laila
Na pediatria, cuidar também é compreender a história da criança
Na pediatria do Hospital Esaú Matos, a psicóloga Laila Porto Azevedo Alves também trabalha para ampliar o olhar sobre o processo de adoecimento.
Com experiências anteriores na rede pública, incluindo Prefeitura, Centros de Atenção Psicossocial (Caps) e Unidade Básica de Saúde, Laila encontrou na Psicologia uma forma de unir o interesse pela saúde ao compromisso com o cuidado social.
Atualmente, ela atua na pediatria do hospital, que conta com 22 leitos distribuídos em seis salas de enfermaria, além do pronto atendimento pediátrico.
O acompanhamento inclui atendimentos à beira-leito e individuais, psicoterapia breve e suporte tanto às crianças quanto aos responsáveis. A profissional também atua na mediação entre família, paciente e demais integrantes da equipe.
“Trabalhar com a saúde mental é também compreender histórias de vida, as subjetividades e os contextos de relações. É só assim que podemos produzir saúde e fazer com que ela também permeie esses ambientes”, explica.
Para Laila, fortalecer a relação entre paciente, família e equipe é fundamental para garantir um cuidado integral.
“Vamos fortalecer essa tríade paciente, equipe e família. Trabalhamos não só com as crianças internadas, mas com os responsáveis, fazendo a mediação com os profissionais, porque trabalhamos em uma equipe multiprofissional, fortalecendo esse serviço de cuidado integral com a saúde”, afirma.
No Ambulatório de Saúde Mental, cada história orienta o cuidado
O mesmo princípio de escuta e acolhimento está presente no trabalho desenvolvido no Ambulatório Municipal de Saúde Mental , que atende moradores de Vitória da Conquista com mais de 18 anos que apresentam transtornos mentais leves a moderados.
O acesso pode ocorrer por encaminhamento das Unidades Básicas de Saúde, do Hospital Geral, dos Centros de Atenção Psicossocial (Caps) ou por demanda espontânea.
Ao chegar à unidade, o paciente passa por uma escuta qualificada com um técnico de referência em saúde mental. A partir desse primeiro acolhimento, a equipe avalia as necessidades apresentadas e define o encaminhamento mais adequado, que pode incluir o acompanhamento psicológico.

Uirá Azevedo
O psicólogo Uirá Azevêdo Vieira Lima explica que o primeiro atendimento é um momento fundamental para compreender não apenas a queixa apresentada, mas também o contexto em que ela está inserida.
“A gente faz um compilado para entender como é aquele caso, investiga dados sociais e assistenciais, o histórico e a queixa, além de identificar sinais e sintomas que possam estar associados a algum tipo de condição de saúde mental”, explica.
A partir dessa compreensão, é construído um plano de acompanhamento.
“Traçamos um plano para desenvolver uma estratégia de lidar com aquela queixa, para que, ao final do processo de acompanhamento, o paciente esteja melhor do que quando chegou. Não é uma certeza de quando isso vai acontecer, mas esse é o objetivo”, afirma.
Um cuidado que começa pela escuta
A atuação dos psicólogos na FSVC evidencia que humanizar a assistência significa reconhecer que, por trás de cada diagnóstico, internação ou situação de sofrimento, existe uma pessoa com uma história, sentimentos, vínculos e necessidades próprias.
No Hospital Esaú Matos e no Ambulatório Municipal de Saúde Mental, esses profissionais integram o cuidado justamente para que pacientes e familiares não sejam vistos apenas pela condição de saúde que os levou ao serviço.
É um trabalho que se constrói na escuta, no acolhimento e no respeito à autonomia de cada pessoa. Um cuidado que busca oferecer não apenas assistência, mas também segurança, vínculo e respeito em momentos que, muitas vezes, são marcados pela fragilidade. E é nesse cotidiano, feito de escuta e presença, que a Psicologia contribui para tornar a saúde mais humana.
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