

Guarda Civil Municipal de Araçatuba chega aos 77 anos marcada por evolução e novos investimentos
Em uma manhã de agosto de 1949, 20 homens se apresentaram para compor a recém-criada Polícia Municipal de Araçatuba. Vindos, em grande parte, da antiga Guarda Noturna, eles realizavam rondas a pé e a cavalo em uma cidade que começava a crescer. Setenta e sete anos depois, a Guarda Civil Municipal acompanha uma Araçatuba muito diferente daquela que ajudou a proteger.
Atualmente, são 220 integrantes — 188 homens e 32 mulheres — em uma estrutura que reúne patrulhamento ostensivo, ronda escolar, atuação ambiental, apoio ao trânsito e grupamentos especializados. A transformação também acompanhou a ampliação das responsabilidades da instituição, que deixou para trás as antigas rondas e passou a atuar em uma realidade de segurança cada vez mais complexa.
A evolução também está presente na estrutura da corporação. Na última terça-feira (25), data em que a Guarda completou 77 anos, a Prefeitura inaugurou três novos endereços voltados às áreas de segurança e mobilidade: a nova sede da Secretaria Municipal de Segurança Pública, na Rua Altino Arantes, nº 49, no bairro Dona Amélia; as instalações do Grupamento Especializado de Patrulhamento Tático (GEP), na Rua Dona Amélia; e a nova base da Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana, na Avenida Prestes Maia, nº 560, no bairro Novo Paraíso.
Orgulho em ser GCM
Guarda de Segunda Classe, Cláudio Fernandes da Silva ingressou na corporação em outubro de 1994 e está há quase 32 anos na instituição. Ele acompanhou parte significativa dessa transformação. “A evolução da nossa Guarda foi enorme. Vivi o bastante para ver, nos dias de hoje, a Guarda desempenhando um excelente trabalho na segurança do município e da população”, afirma.
Segundo Cláudio, a municipalização do trânsito ampliou as atribuições da corporação, que inicialmente tinha como principal função a proteção do patrimônio público. Com o aumento das demandas de segurança, vieram também investimentos, capacitações e novas áreas de atuação.
Atualmente, as equipes atendem ocorrências relacionadas a crimes ambientais, violência doméstica, crimes contra animais, saúde pública, furtos e roubos, além de prestarem apoio a outros órgãos municipais.
Comandante do GEP, Eduardo de Castro Carvalho ingressou na Guarda em dezembro de 2019 e acompanhou uma fase mais recente dessa evolução. Para ele, a instituição avançou especialmente em estrutura, capacitação, organização e preparo dos profissionais. “Tenho orgulho de fazer parte dessa trajetória e de contribuir para o crescimento e fortalecimento da instituição”, afirma.
Novo momento no comando
É dentro dessa trajetória de transformação que a Guarda passou, neste ano, por uma mudança histórica. Em agosto, um decreto oficializou a primeira mulher no comando geral da corporação.
Taísa Gabriela Alves Jácome dos Santos tem 25 anos de carreira na Guarda. É formada em Direito, tem pós-graduação em Direito Penal e Processo Penal e especialização em Segurança Pública e Gestão de Trânsito. Ela também é chefe de gabinete da Secretaria Municipal de Segurança Pública.
Ao assumir a função, Taísa destacou que sua chegada representa a continuidade de um processo de valorização e aperfeiçoamento da instituição. “Recebo essa missão com muita responsabilidade, e meu compromisso inicial é colaborar com toda a equipe para dar continuidade ao processo de valorização da corporação e de aperfeiçoamento dos serviços prestados à população”, afirmou.
A presença feminina, porém, não começou agora. Mulheres já participam da Guarda há décadas e também acompanharam a expansão das atividades e das responsabilidades da corporação.
Guarda de Primeira Classe e responsável pela Corregedoria, Elisângela Vieira Honório está há 24 anos na instituição. Para ela, a trajetória foi marcada pela superação de desconfianças e preconceitos. “Superamos a desconfiança e o preconceito com muito trabalho. Agora temos a chance de fazer diferente com a geração que está e a que virá”, resume.
Dinorá da Silva Érnica e Sousa completa 26 anos de Guarda em novembro. Ela afirma que as diferentes experiências ao longo da carreira contribuíram para seu amadurecimento e também para a compreensão da responsabilidade de servir à população.
Com 25 anos e oito meses de corporação, Delvânia Aparecida Antonioli de Sousa atualmente dirige o Departamento de Vigilância. Ela destaca que a presença feminina cresceu junto com a própria instituição. “Hoje, ocupamos espaços que antes eram predominantemente masculinos, mostrando que a capacidade, o preparo e o compromisso são muito mais importantes do que o gênero”, afirma.
Ana Carolina Ribeiro Moura Ludovico, Guarda de Segunda Classe com 24 anos de profissão, aponta ainda a contribuição das mulheres no atendimento à população, especialmente pela capacidade de escuta e atenção às pessoas.
Uma Guarda em transformação
As diferentes trajetórias ajudam a contar uma mesma história: a de uma instituição que mudou junto com Araçatuba. Das rondas a pé e a cavalo realizadas pelos 20 integrantes de 1949 ao patrulhamento especializado dos dias atuais, a Guarda ampliou seu efetivo, suas atribuições e sua estrutura. A corporação também passou a investir continuamente em capacitação e equipamentos para responder a uma realidade mais complexa.
Para o secretário municipal de Segurança Pública e Mobilidade Urbana, Júlio César dos Santos, os 77 anos representam justamente essa capacidade de adaptação. “Os 77 anos da Guarda Municipal são a prova de que uma instituição pública pode se transformar sem perder sua essência. Seguimos investindo em preparo técnico, equipamento e pessoas, porque é isso que a cidade espera de quem se compromete a protegê-la”, declarou.
Aos 77 anos, a Guarda Civil Municipal reúne profissionais com diferentes tempos de carreira, experiências e funções. Entre eles estão aqueles que acompanharam décadas de mudanças e os que chegaram mais recentemente para integrar uma estrutura que continua em transformação.
A primeira mulher no comando geral é parte desse processo. Assim como os 20 homens que iniciaram a história da corporação, os guardas que hoje estão nas ruas também ajudam a escrever o próximo capítulo da instituição.