

Ao fim da tarde de sábado (29), bandeiras, orações e cânticos tomaram conta das águas dos rios Itacaiúnas e Tocantins durante a 34ª Romaria Fluvial do Divino Espírito Santo. A tradicional procissão partiu da Capela do Divino, no bairro Amapá, e seguiu em embarcações até a Capela do Divino, no bairro Santa Rosa, reunindo grupos tradicionais em cerca de 40 embarcações enfeitadas nas cores vermelho e branco e mais de mil fiéis.
Realizada há décadas, a Romaria Fluvial marca o encerramento das festividades do Divino Espírito Santo em Marabá. A manifestação reúne famílias que mantêm a tradição há gerações e preservam uma das mais antigas expressões da cultura religiosa do município.






Segundo o secretário municipal de Cultura, Genival Crescêncio, algumas famílias desenvolvem atividades ligadas à tradição do Divino há cerca de 150 anos. Atualmente, são 20 grupos que realizam festejos e outras atividades ao longo de aproximadamente três meses, com programação iniciada em maio e encerrada com a romaria.
“Essa é uma das tradições mais simbólicas da cidade. Temos famílias que desenvolvem essa atividade há quase 150 anos. São gerações mantendo viva essa história e essa tradição em Marabá”, destaca.


Genival também ressalta que a manifestação é tombada como patrimônio em nível municipal e integra o calendário oficial de eventos da cidade. A realização das atividades conta com o apoio da Prefeitura de Marabá e da Liga Cultural de Marabá.
Este ano, a romaria ganhou novos participantes. Pela primeira vez, grupos do Divino Espírito Santo dos municípios de Itupiranga, São João do Araguaia e Palestina do Pará participaram da celebração em Marabá.
Para Ademar Dias, presidente de honra do evento, a presença dos municípios vizinhos representa um intercâmbio importante para o fortalecimento da tradição na região.
“Esse é o momento de encerramento de todas as atividades do festejo do Divino Espírito Santo em Marabá. Foram 18 festejos este ano, mais duas bandeiras, completando 20 grupos. Tivemos ainda o privilégio de receber três municípios que vieram conhecer e participar. Com certeza, em breve, também estaremos com eles, vivendo momentos como esse, de uma tradição religiosa e cultural que faz parte do nosso calendário”, explica.


A 34ª edição também carrega a história de Raimundo, fundador da Romaria Fluvial há 34 anos e integrante de uma das famílias responsáveis pela manutenção da tradição. Mesmo após sua morte, familiares e integrantes dos grupos do Divino seguem dando continuidade ao legado deixado por ele.
Rainara Aguiar, de 16 anos, participa do Divino do Raimundinho, no bairro Amapá, e representa uma nova geração que cresce acompanhando a tradição.
“Eu participo desde que nasci. É um legado que meu tio deixou para a família. Meu tio Raimundo foi quem fundou essa romaria e, enquanto eu viver, vou levar isso comigo. É muito bom participar. Não é só um momento de tradição, é também um momento de fé e devoção para quem é católico”, conta.


Para muitas famílias, a participação na Romaria Fluvial ultrapassa a preservação cultural e representa também o cumprimento de promessas e a continuidade de uma devoção transmitida entre gerações.
Há cinco anos, Maria das Graças Cordeiro participa da festividade ao lado de toda a família, mantendo uma tradição que recebeu dos avós e do pai.
“É uma tradição da família. Veio da minha avó, passou para o meu pai e, depois que ele faleceu, eu assumi esse compromisso. Foi um pedido que ele me fez ainda em vida e eu estou continuando e honrando. A gente se emociona quando chega essa data do Divino. Todas as graças que eu peço, eu sempre sou atendida”, relata.


Entre o encontro das águas, as embarcações enfeitadas e as bandeiras que acompanham o percurso, a Romaria Fluvial do Divino Espírito Santo é uma tradição de arrepiar e que atravessa gerações. A celebração mantém viva, nas águas de Marabá, uma história de fé, memória e devoção de centenas de famílias.






Texto: Sávio Calvo
Fotos: Paulo Sérgio Santos
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