

Grandes eventos concentram, em poucos dias e em um mesmo espaço, um público que pode superar o de uma cidade inteira. É um desafio de escala para quem faz a segurança: o público multiplica, a janela de reação encurta e o efetivo segue o mesmo. Em 2026, eventos de grande circulação em Goiás passaram a contar com um reforço que não aparece nas contas de efetivo: uma camada de inteligência artificial aplicada às câmeras já instaladas, capaz de apoiar as forças policiais na identificação, em tempo real, de veículos e de pessoas com pendências judiciais.
Essa camada é a tecnologia da Pax, empresa brasileira de inteligência artificial aplicada à segurança pública. A empresa nasceu em 2024 como Paladium, com a proposta de construir do zero uma tecnologia brasileira para segurança pública, e adotou a marca Pax em março deste ano, quando foi anunciada oficialmente ao mercado. Em Goiás, é a plataforma que sustenta o programa IA Contra o Crime, do Governo do Estado.
O caso mais recente é o da 32ª Expoagro de Luziânia, realizada entre 10 e 13 de setembro no Parque de Exposições do município, no Entorno do Distrito Federal. A feira reuniu shows nacionais, rodeio profissional e exposição agropecuária — só o show de encerramento levou cerca de 40 mil pessoas ao parque. Foi a primeira edição em que as forças de segurança da região contaram com inteligência artificial durante o evento.
Ao longo dos quatro dias, a operação — conduzida em conjunto pelo 5º Comando Regional de Polícia Militar (5º CRPM), pelo 10º Batalhão de Polícia Militar e pela 5ª Delegacia Regional de Luziânia (DRP) da Polícia Civil — resultou em sete prisões. Entre elas, a de um alvo de alta periculosidade, com mais de sete crimes registrados em seu nome, entre eles homicídio, roubo, tráfico de drogas e violência contra a mulher, e dois mandados de prisão em aberto. Também foram presos um homem por homicídio, um foragido do sistema prisional do Distrito Federal e duas pessoas com mandados relacionados à pensão alimentícia.
A IA como agente inteligente do policial
"A tecnologia não substitui o policial no evento; ela entrega a informação no tempo certo. A decisão de abordar continua sendo da equipe em campo, e o resultado é fruto do trabalho integrado das forças policiais", afirma o Coronel da PM Geyson Alves Borba, superintendente de Ações e Operações Integradas da SSP-GO.
Não foi a primeira vez que a plataforma entrou no planejamento de um grande evento em Goiás. Em março, o MotoGP Brasil 2026, disputado entre 20 e 22 no Autódromo Internacional de Goiânia, reuniu 148.384 pessoas ao longo do fim de semana. O Governo de Goiás, por meio da Secretaria de Segurança Pública (SSP-GO), montou um Plano Operacional Integrado de Segurança com mais de 1,2 mil agentes, 350 viaturas, drones e helicópteros, envolvendo Polícia Militar, Polícia Civil, Corpo de Bombeiros, Polícia Penal, Polícia Científica, Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal e Guarda Civil Metropolitana de Goiânia.
A coordenação foi feita a partir do Centro Integrado de Inteligência, Comando e Controle (CIICC), com acompanhamento em tempo real por drones e por câmeras com reconhecimento facial e leitura de placas veiculares, no âmbito do IA Contra o Crime. O esquema cobriu o autódromo, os acessos, Goiânia e a região metropolitana, e incluiu uma Central de Flagrantes instalada ao lado do evento e uma Delegacia de Atendimento ao Turista. Ao fim do evento, o balanço divulgado registrou uma única ocorrência de furto de celular em um público de quase 150 mil pessoas.
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