

Às vésperas da eleição, a segurança pública aparece como prioridade consolidada para o eleitor, e a inteligência artificial surge como uma forte aliada nessa frente. Segundo a Pesquisa Nacional de Segurança e Tecnologia, realizada pela Quaest em parceria com a Pax, empresa do setor, 86% dos brasileiros aprovam o uso da tecnologia no combate à violência.
O levantamento ouviu 2.004 pessoas de 16 anos ou mais, em entrevistas presenciais realizadas entre 12 e 15 de setembro. A margem de erro é de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%.
Medo da violência sustenta a demanda
A percepção que impulsiona esse apoio à tecnologia é de piora. Para 70% dos entrevistados, a violência aumentou muito nos últimos dois anos, e o tema lidera a lista dos principais problemas do país, com 28% das menções, à frente da corrupção (22%).
O respaldo ao uso de IA no combate ao crime não se limita a uma ideia geral de inovação, já que, quando a pergunta trata de usos específicos, a aprovação fica acima de 90%, seja para localizar pessoas desaparecidas com câmeras de IA (97%), identificar veículos roubados ou usados em crimes (96%), encontrar foragidos da Justiça (96%) e fazer o reconhecimento facial em locais de grande circulação, como estádios e áreas comerciais (91%), além do uso na proteção de fronteiras e na repressão às facções criminosas (90%).
Entre os que são contrários ao uso de IA na segurança (5%), o risco de erro na identificação de pessoas (16%), a dúvida sobre a eficácia da tecnologia (15%) e a invasão de privacidade (12%) estão entre as principais preocupações.
Tecnologia é parte da solução, não iniciativa isolada
O brasileiro também entende que não há uma resposta única. Entre as medidas consideradas mais efetivas para melhorar a segurança estão educação e mais oportunidades para os jovens, bem como o uso de câmeras de monitoramento integradas com IA e trabalho policial, ambos empatados com 93%. Punir criminosos com leis mais rígidas vem em seguida, com 92%.
“Segurança pública é um problema complexo, que não se resolve de forma isolada. A tecnologia contribui quando potencializa a ação policial, tornando o trabalho mais rápido, preciso e efetivo. A IA traz uma nova chance para atacarmos o maior problema do país, e a pesquisa mostra que os brasileiros não querem que os governos deixem essa oportunidade passar”, avalia David Peixoto, cofundador e CEO da Pax.
A empresa, com presença em cerca de 200 municípios brasileiros, cruza em tempo real dados que o Estado já possui, como imagens de câmeras, boletins de ocorrência, mandados de prisão e bases de veículos, para identificar padrões e entregar pistas qualificadas às forças policiais, que tomam a decisão. Fundada em 2024 como Paladium, com a proposta de construir do zero uma tecnologia brasileira para segurança pública, a Pax adotou esse nome em maio deste ano, quando foi anunciada oficialmente ao mercado.
Polícia é mais bem avaliada que os governos
A abertura ao uso da tecnologia na segurança pública por parte da população dialoga com a confiança no trabalho policial. Polícia Militar (45%), Polícia Federal (44%) e Polícia Civil (41%) lideram as avaliações positivas. O governo federal tem 26% de aprovação contra 36% de reprovação, e o Judiciário registra o pior saldo, com 23% de avaliações positivas e 35% de negativas.
A atuação policial é avaliada de forma seletiva. A captura de foragidos e a investigação de crimes recebem as melhores notas, enquanto o combate às facções, a rapidez no atendimento de chamados e o enfrentamento ao feminicídio e à violência contra a mulher estão entre os pontos mais criticados. “A pesquisa confirma a preocupação atual dos brasileiros com a segurança pública, ressalta a busca por soluções e demonstra a abertura da população ao uso de tecnologia na segurança”, diz Guilherme Russo, diretor de Inteligência em Opinião da Quaest.
O poder público pode interpretar os números da pesquisa como um recado claro de que a população confia em quem executa, mas cobra de quem decide e enxerga na tecnologia um instrumento cada vez mais necessário no combate ao crime. O próximo governo tem a chance de transformar esses dados em políticas concretas ao combinar atuação policial, inteligência artificial e outras frentes que os eleitores apontam como essenciais.
Tecnologia Vender mais sem depender de anúncios já virou estratégia Tecnologia Startup brasileira vence prêmio global em Taiwan com solução de IA para dados corporativos Mín. 21° Máx. 34°





