

A procura pela remoção de tatuagens no Brasil passou a reunir motivações que vão além do arrependimento. Mudanças de carreira, fim de relacionamentos, a necessidade de clarear um desenho antigo para receber outro e transformações no gosto pessoal estão entre os fatores que levam pacientes às clínicas especializadas, segundo Giancarlo Pincelli, fundador da Hell Tattoo, biomédico esteta e especialista em lasers de alta potência. A empresa mantém seis unidades em diferentes regiões do país e contabiliza cerca de 8 mil atendimentos por ano.
De acordo com Pincelli, a imagem associada ao procedimento se transformou. "Durante muito tempo, existia a ideia de que quem removia uma tatuagem necessariamente tinha se arrependido profundamente dela. Hoje, a realidade é muito mais ampla", afirma. Ele relata que o público atendido inclui pessoas cujas tatuagens deixaram de representar quem são, clientes que desejam apenas clarear uma área para fazer um novo trabalho por cima, casos ligados a relacionamentos encerrados, mudanças profissionais e quem simplesmente alterou suas preferências ao longo dos anos.
A observação diária das unidades confirma essa heterogeneidade. "Uma coisa que chama bastante atenção é a diversidade dos motivos que chegam até nós; vemos no dia a dia que não existe mais um perfil único de paciente", diz o fundador. Segundo ele, chegam à clínica desde pessoas que se tatuaram recentemente e perceberam que o resultado não correspondia ao que imaginavam até quem carrega desenhos há décadas e decidiu mudar, além de pacientes que buscam remover tatuagens em áreas muito expostas, como o rosto.
Tecnologia exige conhecimento técnico
O desenvolvimento dos equipamentos a laser ampliou o alcance dos tratamentos. "A evolução tecnológica mudou completamente o cenário da remoção de tatuagens. Quando comecei a trabalhar com isso, tínhamos muito menos recursos para lidar com diferentes pigmentos, profundidades e características de pele", lembra Pincelli. Conforme o especialista, os aparelhos atuais operam com pulsos muito rápidos e diferentes comprimentos de onda, o que permite uma abordagem específica para cada pigmento, e tecnologias como o PicoSure Pro abriram possibilidades para casos que antes eram considerados mais difíceis.
Para o biomédico, porém, o equipamento não substitui a avaliação clínica. "Mas existe um ponto que considero ainda mais importante: tecnologia, sozinha, não resolve um tratamento; é o profissional que precisa entender o comportamento do pigmento, conhecer a pele, saber avaliar o caso e definir os parâmetros adequados", pondera.
Mercado em expansão
O movimento observado nas clínicas brasileiras acompanha uma tendência internacional. Levantamento da Fortune Business Insights estima que o mercado global de remoção de tatuagens alcançou US$ 1,29 bilhão em 2025 e deve somar US$ 4,87 bilhões em 2034, com taxa de crescimento anual composta de 15,98% entre 2026 e 2034. Os procedimentos a laser responderam por 67,10% desse mercado em 2025, e a América do Sul representou cerca de US$ 80 milhões no mesmo ano. A consultoria associa a expansão à popularização da arte corporal e ao número crescente de pessoas que desejam atualizar ou desfazer desenhos antigos.
No Brasil, a base potencial de pacientes é ampla. Dados da organização da Tattoo Week, divulgados pela Agência Brasil, indicam que o mercado de tatuagem deveria movimentar cerca de R$ 2,5 bilhões em 2024, alta de 15% sobre o ano anterior, com mais de 150 mil estúdios em operação e aproximadamente 30% da população com ao menos uma tatuagem.
Crescimento com estrutura própria
De acordo com a empresa, a Hell Tattoo esteve entre as primeiras clínicas do país dedicadas à remoção de tatuagens e hoje atende pacientes em São Paulo, Belo Horizonte, Cuiabá, Goiânia, Fortaleza e no Maranhão. O fundador explica que a ampliação geográfica seguiu um modelo específico.
"Desde o início, entendemos que, para levar a nossa metodologia para outras regiões, precisávamos preservar um padrão de atendimento, de avaliação e de utilização da tecnologia. Por isso, nós não optamos pelo formato de franquia, e sim expansão própria", detalha.
Ele acrescenta que hoje a companhia está presente em diferentes estados brasileiros, mas essa expansão sempre esteve ligada à formação das pessoas que estão à frente das unidades e à experiência acumulada ao longo de mais de 20 anos.
Desafios do setor
Diante das projeções, Pincelli avalia que a principal questão será equilibrar ritmo e qualificação. "Acredito que o principal desafio será acompanhar o crescimento do mercado sem permitir que a velocidade desse crescimento seja maior do que a profissionalização", percebe. Na visão dele, a entrada de novos profissionais e empresas amplia o acesso ao procedimento, mas também exige mais responsabilidade.
"O paciente precisa conseguir diferenciar uma estrutura preparada de uma oferta baseada apenas em preço ou em promessas de resultados rápidos. Remoção de tatuagem envolve tecnologia, mas também envolve conhecimento, avaliação e acompanhamento", observa.
A educação do consumidor aparece como outra frente. Segundo o especialista, ainda circulam muitos mitos sobre o tratamento, como a ideia de que qualquer tatuagem pode desaparecer rapidamente ou a expectativa de que exista um equipamento ou uma quantidade de sessões capaz de resolver todos os casos.
Para o fundador da Hell Tattoo, os números do setor traduzem uma mudança de comportamento. "O crescimento do mercado de remoção de tatuagens mostra uma mudança importante no comportamento das pessoas. Nos últimos anos, acompanhamos essa transformação de perto e estruturamos a Hell Tattoo para atender a uma demanda que deixou de ser pontual e passou a fazer parte de um mercado cada vez mais profissionalizado. Hoje, são seis unidades e mais de 8 mil atendimentos por ano, números que mostram o quanto as pessoas estão buscando a possibilidade de mudar, ressignificar ou simplesmente deixar para trás uma tatuagem que já não representa quem elas são", conclui.
Para mais informações, basta acessar: https://helltattoo.com.br/
Saúde 19º CONPARH debate as pessoas e o futuro do trabalho
Saúde BIO RITMO inaugura primeira unidade no Centro-Oeste
Saúde Saudabilidade ganha espaço na busca do varejo Mín. 16° Máx. 22°





