

“Quem anda no trilho é trem de ferro, sou água que corre entre pedras: liberdade caça jeito”. O verso é de Manoel de Barros, poeta mato-grossense, ícone da literatura brasileira reconhecido mundialmente. A metáfora, citada pelo promotor de Justiça Márcio Florestan Berestinas, ilustra bem como foi o trabalho desenvolvido pelos 594 alunos da Escola Municipal Primavera, do Distrito de Primavera, que utilizou a literatura mato-grossense como inspiração para trabalhos nas diversas áreas do conhecimento.
A culminância do trabalho desenvolvido na unidade escolar foi realizada na tarde de quinta-feira (29 de outubro), em uma Mostra Pedagógica que reuniu alunos, professores, equipe da Secretaria Municipal de Educação (Semed), familiares e o representante do Ministério Público do Estado (MPE). Foi via o Banco de Projetos e Entidades (Bapre) do MPE, inclusive, que a escola viabilizou R$ 200 mil em recursos para adquirir obras da literatura mato-grossense e também os prêmios que foram distribuídos aos alunos que se destacaram nos trabalhos.
“Foi muito bom ver que o projeto, a partir da literatura, deu a oportunidade de imersão na cultura, na geografia, na história, na culinária e nos costumes do povo mato-grossense, com destaque aí aos povos indígenas originários”, destacou Florestan, que também é escritor e têm na literatura mato-grossense uma grande fonte de inspiração.
A coordenadora da Escola Primavera, Eliane Silva, detalha que a escola atende alunos de várias faixas etárias, do Pré II ao 9.º ano do Ensino Fundamental. Os melhores desempenhos receberam bicicletas, chromebooks, laptops e fones de ouvido.
As turminhas de Pré II trabalharam, com ilustrações, o livro “O gato matreiro”, de Luciano Sandim Correa. Os alunos do 1.º Ano A se deleitaram com o livro “O Baú Encantado”, de Francis de Moraes. A turminha do 1.º Ano B estudaram a obra “Meu Corpo é uma fabricazinha?”, de Marta Cocco.
Os alunos das três turmas de 2.º Ano mergulharam no livro “As três capivarinhas”, de Leandro Lima. Para o 3.º Ano A, a proposta foi produzir a partir do livro “Branca de Neve e as 7 capivarinhas”, de Denis Morais. Já o 3.º B estudou “A Lua Teimosinha”, de Sabrina Cordeiro. O livro “Pantanimais”, de Alexandre Azevedo, norteou o trabalho dos alunos do 3.º C.
Já as duas turmas do 4.º Ano, a partir da música Pixé, de Pescuma, trabalharam ilustrações e a culinária mato-grossense. O poema “O menino que carregava água na peneira”, de Manuel de Barros, inspirou a turma do 5.º Ano A, que transformou a leitura em grafismos, minipoemas e confecção de animais em barro.
No 5.º Ano B, os livros “Os bichos escrevem”, de Lucinda Persona, e “Motosblim: a incrível enfermaria de bicicletas” foram o ponto de partida dos trabalhos desenvolvidos por meio de poemas e ilustrações. O 6.º Ano A trabalhou o livro “Cultura e Dança em Mato Grosso”, de Beleni Salete Grando.
Com maquetes e gráficos, a turma do 6.º Ano B mostrou o que a aprendeu a partir do livro “Resgate Histórico do Município de Sorriso”, de Elisia Aparecida Dias e de Odila Bortoncello. Uma peça teatral foi apresentada pelos alunos do 6.º Ano C, a partir do livro “Dicionário de Termos e Expressões de Mato Grosso”, de Carlos Gomes de Carvalho.
O trabalho sobre mosaico foi a forma escolhida pela turma do 7.º Ano A para trabalhar o livro “Os Brasileirinhos do Pantanal”, de Lalau e Laura Beatriz. O autor Robson Rocha, com o livro “Deu a louca na floresta”, motivou a turminha do 7.º Ano B a produzir poemas sobre os biomas.
No 8.º Ano A, o livro “A menina Capu e as tintas mágicas” foi o ponto de partida para que os alunos soltassem a imaginação na ilustração de animais mato-grossenses. No 8.º B, os alunos foram desafiados a produzir literatura de cordel a partir de várias obras do autor Ivens Cuiabano Scaff.
O 9.º Ano A avançou nos estudos dos povos indígenas originários a partir dos livros “Almanaque socioambiental do Parque Indígena do Xingu”, organizado por Bruno Weis, e “Povos Originários, guerreiros do tempo”, de Ricardo Stuckert. Já o 9.º Ano B se esbaldou no livro “Meu quintal é maior que o mundo”, de Manoel de Barros.
A secretária de Educação do Município, Adriana Reichert Palu, destaca o quão importante é a atividade. “Uma mostra pedagógica é a oportunidade de apresentar, nas mais diversas formas, e com os mais diversos recursos, a produção dos alunos em sala de aula e também fora dela, é a chance de materializar o processo de ensino-aprendizagem e partilhá-lo com a comunidade e o trabalho desenvolvido aqui na Escola Primavera certamente é tocante e mostra o quão importante é olhar para nossas próprias raízes e, a partir daí, promover uma conexão com a realidade”.
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