

O Brasil possui uma das maiores biodiversidades do planeta. Além de ser essencial para o bem-estar humano, a biodiversidade também é um importante ativo para o desenvolvimento econômico. Quando associada à pesquisa, à inovação e ao uso sustentável dos recursos naturais, ela pode impulsionar novas atividades produtivas, agregar valor a matérias-primas e abrir oportunidades de negócios e investimentos. É nesse contexto que a bioeconomia ganha relevância.
No cenário atual, a agenda ganha destaque com iniciativas como a Estratégia Nacional de Bioeconomia do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima. Em Sergipe, a biodiversidade é uma das seis frentes do Plano Sergipano de Economia Verde (PSEV). Coordenada pela Agência Sergipe de Desenvolvimento (Desenvolve-SE), a iniciativa busca articular iniciativas que transformem o potencial dos recursos biológicos em soluções capazes de gerar renda, fortalecer cadeias produtivas e diversificar a economia.
A consultora em Economia Verde e Clima da Desenvolve-SE, Camila Godinho, explica que o plano busca transformar as potencialidades de Sergipe em oportunidades concretas de desenvolvimento. “Temos vantagens importantes em áreas como energias renováveis, bioeconomia, biodiversidade e economia do mar. A proposta é organizá-las em frentes estratégicas que estimulem novos negócios, atraiam investimentos, gerem empregos e promovam uma economia mais sustentável, conciliando crescimento econômico e conservação ambiental”, diz.
Importância Estratégica
A bioeconomia representa uma oportunidade de conciliar desenvolvimento econômico e conservação ambiental. Ao estimular o aproveitamento sustentável da biodiversidade, esse modelo favorece a criação de novos produtos, fortalece cadeias produtivas e amplia as possibilidades de geração de renda.
Entre seus principais benefícios estão a diversificação da economia, a atração de investimentos, o desenvolvimento de tecnologias e a geração de empregos. Também contribui para valorizar conhecimentos tradicionais e ampliar a participação de comunidades locais nas atividades produtivas.
Segundo o diretor de planejamento de longo prazo da Desenvolve-SE, Guilherme Rebouças, que coordena as ações do PSEV, no Nordeste, esse potencial ganha força diante da riqueza da biodiversidade regional. “O Brasil possui, por exemplo, a Caatinga, um bioma que ainda tem muito a ser estudado e que reúne uma biodiversidade rica, com diversas possibilidades de aproveitamento sustentável. Temos oportunidades de aproximar Ciência, tecnologia e inovação da produção agrícola, transformando recursos biológicos em produtos com maior valor agregado e conteúdo tecnológico”, enfatiza.
Para Sergipe, avançar nessa agenda significa aproveitar suas características naturais e transformar recursos disponíveis no território em oportunidades de negócios e desenvolvimento.
Potencial da Mangaba
A cadeia produtiva da mangaba demonstra como a biodiversidade pode gerar valor econômico. Sergipe reúne áreas de ocorrência natural da mangabeira, comunidades tradicionais de catadoras e conhecimentos acumulados sobre a coleta e o aproveitamento do fruto.
De acordo com a ‘Nota Técnica 06/2026 – Mangaba em Sergipe: produção, valor e oportunidades para o fortalecimento da cadeia’, elaborada pela área de Inteligência de Mercado da Desenvolve-SE, o estado produziu 302 toneladas de mangaba em 2025, ocupando a quarta posição nacional em volume.
O destaque está no valor gerado pela atividade: foram R$ 2,23 milhões, o equivalente a 25,3% do valor nacional, garantindo a liderança entre os estados produtores nesse indicador. O valor médio da produção por tonelada em Sergipe foi de R$ 7.387, mais que o dobro da média brasileira, de R$ 3.590.
Esses números evidenciam a relevância econômica da atividade e apontam possibilidades de ampliar o aproveitamento do fruto. Polpas, sucos, sorvetes, geleias, doces e outros derivados podem abrir novos mercados e fortalecer a cadeia produtiva. Para isso, investimentos em pesquisa, processamento, armazenamento e congelamento são importantes para reduzir perdas, ampliar o período de oferta e melhorar as condições de comercialização.
Valorização
Além disso, a cadeia produtiva da mangaba também depende da valorização das comunidades tradicionais que participam da atividade. Outro desafio é conservar as áreas naturais de ocorrência da espécie. A pressão urbana e a restrição de acesso às áreas de coleta podem comprometer a continuidade da atividade. Por isso, o desenvolvimento econômico precisa estar associado ao manejo sustentável e à proteção desses ambientes.
Nesse âmbito do Plano Sergipano de Economia Verde, a Desenvolve-SE atua na identificação de oportunidades e na articulação de iniciativas que aproximam a sustentabilidade e desenvolvimento econômico. “A bioeconomia abre caminhos para transformar a biodiversidade em desenvolvimento. Em Sergipe, esse potencial representa uma oportunidade de fortalecer cadeias produtivas, valorizar comunidades e construir uma economia mais sustentável e competitiva”, conclui a consultora em Economia Verde e Clima da Desenvolve-SE, Camila Godinho.



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