

Dezessete famílias indígenas da etnia Warao estiveram na Central de Artesanato do Ceará (CeArt) apresentando seu trabalho com artesanato e conhecendo formas de explorar a atividade como geração de renda. Conhecidas pela produção artesanal vibrante, essas pessoas trabalham com a fibra do buriti, abundante na região amazônica. Diante da falta desse material no Estado, a Secretaria da Proteção Social (SPS), por meio da CeArt, tem buscado apoiá-las na integração à economia local.
Os indígenas participaram de testes de habilidade no setor de Produção Artesanal da CeArt na última quinta-feira (13), para que fossem oficialmente credenciados à Central. Como alternativa à falta da fibra de buriti no Ceará, a coordenadora da Célula de Produção Artesanal da CeArt, Ticianne Gomes, e a designer Jô de Paula, apresentaram a palha da carnaúba. “Apesar de a fibra da carnaúba ser mais rígida que a do buriti, uma senhora, demonstrando resiliência e adaptabilidade, conseguiu trabalhar o trançado com essa nova matéria-prima”, afirmou Ticianne.
“O momento foi importante para que eles se familiarizassem com o material e para que pudéssemos conhecer o trabalho deles e avaliar a possibilidade de realizar alguma melhoria na produção, como acabamento e combinação de cores”, completou Ticianne. O próximo passo é orientar os artesãos Warao sobre o tamanho das peças produzidas, harmonização de cores e precificação de produtos.

A visita do grupo foi acompanhada por representantes da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai). O atendimento aos indígenas Warao tem sido feito em parceria entre a SPS e outras secretarias do Estado, como Secretaria de Direitos Humanos (SEDH) e Secretaria do Desenvolvimento Econômico e Trabalho (SEDET). Outras ações têm sido desenhadas para atender a demanda dos indígenas, como um Acolher específico para o grupo e o atendimento pelo Mais Nutrição.
De acordo com a Agência da ONU para Refugiados (ACNUR), os Warao são um povo indígena venezuelano que constitui a segunda etnia mais populosa do país, com cerca de 49 mil indivíduos segundo o censo de 2011, o último efetuado na Venezuela. Falam a língua Warao e, em níveis variados de fluência, o espanhol.
“Warao” significa “povo da canoa” na língua deste povo. O nome reflete a ligação das comunidades dessa etnia com os rios e áreas alagadas onde tradicionalmente vivem, nas regiões do delta do rio Orinoco, no nordeste da Venezuela. A canoa é um elemento central na vida dos Warao, auxiliando na pesca e no transporte. Para eles, o buriti é “a árvore da vida”.
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