

No Seminário “Ceará pelo Clima”, realizado pela Secretaria do Meio Ambiente, no Centro de Eventos, a segunda palestra da tarde do dia 18 foi sobreTransição Energética Justa – a liderança cearense: oportunidades e desafios para produção de energia verde e justa. O mediador foi Rárissom Sampaio, advogado e mestrando em Ciências Jurídicas. Na introdução, ele deixou claro o que seria uma transição energética justa. “Uma que consiga envolver todas as comunidades, para que não haja consequências neste processo, tais como pobreza energética, ou seja, pessoas excluídas pela mudança”, explicou. O eixo de transição energética teve como público alvo a iniciativa privada cearense, considerando a sua capacidade de investimento, inovação e pesquisa no desenvolvimento de uma matriz energética net zero. Todavia, é preciso que essa transição seja justa e leve em consideração a garantia dos direitos fundamentais dos setores mais vulneráveis.

O primeiro painelista foi Hugo Figueiredo, presidente do Complexo Industrial e Portuário do Pecém – CIPP. Ele afirmou que o Ceará tem a capacidade de produzir Hidrogênio Verde mais barato, com energia éolica e solar e reúso de água, com potencial para exportar para a Europa e Ásia. “Temos porto, siderúrgica, ZPE e mão de obra qualificada e estamos avançando no processo de licenciamento para preparar o Pecém para esta nova realidade. Empresas do mundo inteiro reconhecem este pioneirismo e já temos mais de 35 memorandos assinados. Queremos o Ceará como protagonista nesta produção”, ratificou.
Logo depois, falou o engenheiro Jurandir Picanço, consultor de Energia da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (FIEC) e ex-presidente da Agência Reguladora do Ceará (ARCE). Ele resumiu sobre o que trata a transição energética: substituir os processos que usam combustíveis fósseis por eletricidade, gerada a partir de energias renováveis. Porém, há uma parte da indústria que precisa de outro tipo de energia. E aí surgiu a alternativa do Hidrogênio Verde, ou seja, o Hidrogênio produzido a partir de energias como, por exemplo, eólica e solar, sobre as quais o Ceará tem um grande potencial. “Mas todo projeto deve ter estudos ambientais aprofundados. Porque existem consequências positivas, como o aumento da receita dos municípios e a redução da emissão de gases, além da associação da energia solar com a agropecuária, inclusive com o aumento da produtividade. Porém, isso pode ter o desmatamento como um fator negativo”, alertou.
Na sequência, houve a palestra de Gianpaola Ciniglio, da equipe da Fortescue desde o início de 2023, empresa australiana que já opera no Ceará. Ela falou basicamente sobre a história e o funcionamento da empresa. Gianpaola abordou a construção de estratégias ambientais para abordar o licenciamento ambiental, bem como as partes interessadas da Fortescue e ESG nas diretrizes ambientais, garantindo desta forma um processo ambiental justo e sustentável para apoiar a transição energética

O último expositor foi o engenheiro ambiental Ulisses Oliveira, técnico da Superintendência Estadual do Meio Ambiente no cargo de Fiscal Ambiental. Ele mostrou-se preocupado com o processo de licenciamento ambiental. “É preciso encarar a realidade. Hoje não é possível, por exemplo, mudar toda a frota de ônibus de Fortaleza por veículos elétricos, porque não há condições estruturais para isso. Infelizmente, o licenciamento ambiental ainda trabalha com diversos conflitos. Mesmo as energias renováveis causam passivos ambientais e precisam ser avaliadas com calma”, explicou.

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