

Os participantes da audiência pública da Comissão de Agricultura (CRA) sobre a produção de caju defenderam, nesta segunda-feira (2), mais crédito e apoio técnico para o setor. O senador Eduardo Girão (Novo-CE), autor do pedido ( REQ 22/2024 — CRA ), defendeu incentivos à cajucultura.
— É surreal o que o caju pode fornecer em termos de produtos e derivados. A cajucultura, além de ser uma das mais tradicionais do país, tem significativa importância econômica e social, especialmente para a região Nordeste, onde se concentra a maior parte da produção nacional — afirmou.
Girão também disse que o Brasil tem perdido espaço no cenário internacional, o que preocupa o setor.
— Historicamente somos reconhecidos como um dos maiores produtores globais de caju. Nos últimos tempos nosso país tem enfrentado dificuldades em manter a competitividade mundial. A área plantada no Brasil tem diminuído ao longo dos anos e a produtividade média é inferior em comparação a outros países líderes, como o Vietnã, Índia e Costa do Marfim. A necessidade de modernização é evidente, com destaque para a introdução de tecnologias mais avançadas e práticas agrícolas sustentáveis — ressaltou.
Adriana Melo Alves, secretária nacional de Políticas de Desenvolvimento Regional e Territorial, pasta ligada ao Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional, afirmou que a cajucultura alavanca a produção nacional e precisa ser incentivada.
— Devemos valorizar a vocação regional a partir de produtos que têm esse potencial de competitividade. O ministério tem atuado na estruturação de cadeias produtivas relevantes para o desenvolvimento regional. Nosso papel é o de enxergar e coordenar diferentes políticas públicas, de forma complementar, sinérgica e simultânea, para evitar que haja esse arrefecimento da produtividade — pontuou.
Presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Ceará (Faec), Amilcar Silveira falou da liderança do estado na produção do caju. Sozinho, o Ceará responde por 58% de toda a produção nacional da fruta — que é nativa do Brasil — e contribui com 90% das exportações de caju. De acordo com ele, é preciso fortalecer as políticas públicas no estado para assegurar a produtividade.
— Na sua pujança já foram 24 indústrias no estado, hoje são apenas quatro. No Ceará existem ciclos econômicos e a cajucultura foi um deles. O caju deixou um legado enorme para o estado, mas é preciso reforçar as políticas públicas existentes. Hoje, a área rural cearense concentra dois terços de toda a pobreza do estado. Muitas frutas não gostam de chuva, elas precisam é de água. O Ceará é um dos poucos estados que não têm rios perenes, estrutura hídrica é muito importante para o nosso estado, uma vez que a transposição do Rio São Francisco funciona precariamente — alertou.
Para o senador Jaime Bagattoli (PL-RO), é preciso fornecer mecanismos que auxiliem o pequeno produtor rural.
— Precisamos de desenvolvimento que chegue até o pequeno produtor, ele só terá êxito se for incentivado a integrar um sistema de cooperativismo. A partir do cooperativismo, o pequeno se torna grande, passa a atuar de forma competitiva. De forma individual ele não consegue acessar tecnologia, é diferente do que acontece com o produtor em larga escala — declarou.
Luiz Sérgio Farias Machado, superintendente de Agronegócio e Microfinança Rural do Banco do Nordeste também defendeu incentivos e apoio técnico à agricultura familiar.
— A modernização do agronegócio e agricultura familiar são muito importantes. De nada adianta oferecermos crédito, sem juros, se não houver viabilidade, tecnologia e modernização. O crédito, quando não bem concedido, ele complica muito mais a situação do produtor do que ajuda. Temos um pacote tecnológico disponível, o que nos falta são políticas públicas para fazer a adoção dessas medidas. A questão da cajucultura não se resolve por um ente, ela precisa se resolver pela união de entes e ser uma política de Estado, dada a importância da cultura para a nossa região — asseverou.
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