

“Somar esforços para gerar conhecimento e restaurar uma área de quase 18 hectares do Parque Estadual do Cocó, afetada por um incêndio em janeiro de 2024”, esse foi o objetivo da primeira Oficina de Coparticipação do Projeto RestauraCocó, promovido pela Secretaria do Meio Ambiente e Mudança do Clima (Sema), por meio do Programa Cientista Chefe Meio Ambiente (Sema/Funcap), neste sábado (11). O evento aconteceu no Centro de Referência do Parque Estadual do Cocó e reuniu atores de diversos setores da sociedade, como gestores públicos, movimentos sociais, ambientalistas e pesquisadores.

Presente no evento, a titular da Sema, Vilma Freire, ressaltou a relevância do investimento de mais de meio milhão de reais por parte do governo estadual. “O projeto abrange diversas etapas, e estamos atualmente na fase da oficina, onde a gente convida a sociedade civil, a Academia, outros poderes para participar da construção. Então é um programa de gestão, onde a gente vai identificar quais as ações de manejo e ocupação daquele solo degradado”, explicou.
A secretária ainda afirmou que, se necessário, o período do projeto será estendido para garantir a recuperação completa da área atingida. “O importante é que a gente restaure aquela área e devolva ao Cocó o que é dele, que é esse patrimônio tão bonito”, afirmou Vilma.
De acordo com a coordenadora do RestauraCocó, Anna Abraão, que é doutora em ecologia, o projeto tem uma abordagem interdisciplinar e aborda várias dimensões humanas, bióticas e abióticas do ambiente. Ela explica que, em projetos de recuperação de áreas danificadas, o primeiro passo é investigar o histórico de uso da área e as razões que causaram a degradação. Em seguida, é realizado um levantamento das condições ambientais e da vegetação presentes no local. Esses dados ajudam no planejamento e no acompanhamento do progresso da restauração.

“A gente está trabalhando desde a dimensão do solo, para entender como está o solo no local do incêndio. A gente está trabalhando com relevo, para entender como o relevo foi afetado pelo uso histórico daquele ambiente, porque aquele ambiente era uma salina, dos anos 60 até os anos 80, e como isso está afetando a vegetação que se encontra ali hoje”, detalhou Anna.
Nesta etapa, a equipe do Projeto também está avaliando a quantidade de carbono perdido com o incêndio e o tempo necessário para que esse carbono seja reintegrado ao ambiente.
Após a fase de diagnóstico, será iniciada a etapa de intervenção, onde são previstas, ações como a reabertura de canais para a entrada de água e o plantio de manguezais, com o intuito de reduzir o risco de novos incêndios na área.
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