

No extremo oeste do Brasil, escondido entre os limites do Acre e do Peru, encontra-se o Parque Nacional da Serra do Divisor. Esse paraíso amazônico é lar de uma biodiversidade única, com espécies endêmicas e ecossistemas de rara beleza. A região, que abrange a região do Vale do Juruá e pode ser acessada por barco, principalmente a partir da cidade de Mâncio Lima, tem se tornado famosa por atrair turistas de todo o mundo e, oferecendo passeios e belezas naturais fantásticas da região, também tem chamado a atenção de pesquisadores e naturalistas, potencializando um impressionante e rico turismo ecológico.

O parque, considerado uma das áreas mais ricas em biodiversidade do planeta, é um refúgio para a flora e fauna amazônica. Entre as espécies surpreendentes de pássaros estão o saíra-diamante, o beija-flor-de-cauda-dourada, o saíra-verde e a exclusiva choca-do-acre, além de serpentes raras e o sapo da família Ceratophrys , conhecido por sua forma peculiar que remete ao visual de personagens de jogos de videogame.
A combinação de paisagens deslumbrantes, populações tradicionais e riqueza biológica faz da Serra do Divisor um destino promissor para esse turismo especial.

Lucas Ramiro, biólogo e guia turístico, é um dos nomes que defende a promoção do turismo ecológico na Serra do Divisor. Nascido em Ubatuba (SP), encontrou no Acre uma nova paixão e um campo de estudo incomparável. Desde que assistiu a uma palestra, em 2017, sobre a biodiversidade amazônica, Lucas tem se dedicado a explorar e divulgar as belezas da região.
“Sou apaixonado por estudar animais e biodiversidade e aqui tive o prazer de encontrar um turismo com entusiasmo, com pessoas empenhadas em fazer crescer o potencial turístico da região. Também tive várias realizações profissionais, como encontrar algumas espécies, como o boto tucuxi e o boto cor-de-rosa”, relata Lucas. Além de guiar turistas, o biólogo também busca promover a conscientização ambiental, incentivando a preservação.

Acompanhado de um casal de naturalistas alemães, Lucas atua como guia e conta que montou um itinerário buscando atender as curiosidades dos turistas, preparando-os para ver espécies diversas, principalmente de anfíbios e serpentes.
“É uma experiência difícil de superar”, afirma Lucas, ao definir os dias vividos no Parque Nacional da Serra do Divisor. Ao contrário dos turistas que geralmente levantam ao nascer do sol e curtem os passeios tradicionais como o Buraco da Central e as incríveis cachoeiras da região, ele e seu grupo já se preparavam no início da madrugada com equipamentos de observação e lanternas especiais, para tentar visualizar ao máximo de espécies raras da região na beira do rio, ou acampando mata adentro.

O casal de alemães Stefanie Burggraf e Sebastian Moldenhauer representa o crescente interesse internacional pelo potencial da Serra do Divisor. Em sua segunda visita ao Brasil, optou por explorar a Amazônia de forma autêntica, evitando roteiros tradicionais e buscando uma experiência mais íntima com a natureza, destacando o potencial do local para o turismo ecológico e sustentável.
Atraídos pela imensidão da floresta amazônica e pela riqueza de sua fauna e flora, Stefanie e Sebastian percorreram mais de dez mil quilômetros desde a Alemanha para explorar as belezas da Serra do Divisor.

“Gostamos de experiências diretas com a natureza, de conhecer a gastronomia local e conversar com pessoas com perspectivas diferentes da nossa. Eu amo a Amazônia e adorei conhecer o Acre, foi uma descoberta marcante”, afirmou Stefanie, emocionada.
Os turistas justificaram a escolha por uma experiência diferenciada, optando desviar-se dos destinos turísticos mais populares e explorando áreas remotas e pouco conhecidas. “Escolhemos fugir do óbvio, evitando lugares lotados. Preferimos um turismo mais autônomo, que nos permita observar a vida selvagem e descobrir belezas ainda intocadas”, diz Sebastian.
Com experiência em viagens ecoturísticas a outros continentes, principalmente Ásia e África, Stefanie faz questão de valorizar a preservação ambiental encontrada na Amazônia brasileira. “Na América do Sul, percebemos maior cuidado com a proteção da natureza. Em outros lugares, como na Ásia, nos deparamos com muitas áreas degradadas. Aqui, no entanto, é diferente: há mais verde, mais árvores e uma biodiversidade impressionante”, ressalta.

Além da beleza natural, o casal também menciona o acolhimento caloroso dos brasileiros. “O povo brasileiro é tão receptivo e amigável que torna a experiência ainda mais especial. A Amazônia é fascinante, e estamos encantados com o Acre. Definitivamente voltaremos, porque amamos conhecer este lugar tão singular”, promete Stefanie.
A visita do casal reforça o potencial do Parque Nacional da Serra do Divisor como destino de turismo sustentável e biológico. Experiências como a deles evidenciam a importância de preservar esse patrimônio natural, promovendo um turismo consciente e valorizando a riqueza única da Amazônia.
Biólogo e guia especializado, Rafael Almeida atua como um verdadeiro guardião da biodiversidade local, conectando turistas e pesquisadores a experiências únicas em meio à riqueza natural do Acre.

Servidor da Secretaria de Saúde do Acre em Cruzeiro do Sul, Rafael alia a formação acadêmica ao trabalho prático no campo. Seu conhecimento sobre espécies raras e endêmicas, como o sapo colorido Ameerega hahneli , torna-o uma referência para naturalistas e entusiastas da vida selvagem.
“Esta região é reconhecida por sua biodiversidade única, com animais e plantas que só existem aqui. Esse potencial é imenso, principalmente para atrair naturalistas, pesquisadores e observadores de fauna”, destacou.
A trajetória de Rafael como guia começou de forma inusitada. Apaixonado por herpetologia (ciência que estuda anfíbios e répteis), ele compartilhava suas descobertas sobre serpentes e outros animais nas redes sociais, o que chamou a atenção de observadores internacionais. Foi assim que recebeu o convite para guiar Stefanie e Sebastian.

“Eles não queriam apenas cachoeiras ou paisagens, mas algo mais específico: ver sapos coloridos, serpentes e aves raras. Foi um desafio que aceitei com muita responsabilidade, e essa experiência reforçou meu papel como guia especializado em fauna”, relembra Rafael.
Para atender a esse perfil de visitante, é necessário investir em conhecimento técnico: “Os turistas esperam saber o nome científico, o popular e até a ecologia das espécies. Isso exige um trabalho muito mais detalhado e especializado”.
Rafael vê na Serra do Divisor um potencial ainda em avanço para o desenvolvimento do turismo sustentável. E acredita que iniciativas focadas na biodiversidade podem transformar a região em um polo global para a conservação e educação ambiental.

“Locais como a Serra do Divisor podem atrair um público diversificado, desde observadores de aves até pessoas interessadas em espécies específicas, como sapos venenosos. Com investimentos em infraestrutura e capacitação de guias, a região pode se tornar referência mundial em turismo biológico”, afirma.
O turismo biológico na Serra do Divisor oferece uma experiência única de imersão na natureza, mas também exige um compromisso com a sustentabilidade. Regulamentações rigorosas garantem que as atividades turísticas não comprometam o ecossistema. Guias experientes e itinerários planejados são essenciais para minimizar impactos e maximizar a experiência dos visitantes.
Sob as regras de proteção para parques nacionais, que podem ser usados como atrações turísticas, a Serra do Divisor tem o potencial de se tornar um destino de destaque no turismo internacional. Além de gerar renda para a comunidade local, a atividade pode fortalecer os esforços de conservação e promover maior conscientização sobre a importância da Amazônia.

O ecoturismo é uma forma de viajar que conecta o ser humano com a natureza de maneira profunda e significativa. Ao explorar ecossistemas diversos, como a floresta exuberante da Serra do Divisor, pode-se apreciar a beleza da biodiversidade e entender a importância da conservação ambiental. No entanto, para garantir essas experiências não causem danos ao meio ambiente e às comunidades locais, é fundamental seguir algumas regras de conduta.

A Serra do Divisor é mais do que um paraíso natural; é um símbolo nacional de esperança e compromisso com o meio ambiente. Suas riquezas naturais, combinadas com o entusiasmo de guias, naturalistas e visitantes, mostram que é possível aliar turismo e sustentabilidade. O futuro do parque depende da continuidade desses esforços, garantindo que gerações futuras possam desfrutar de suas maravilhas.
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