

“De janeiro a janeiro: prevenção o ano inteiro” é o tema da campanha Janeiro Roxo. A ação da Secretaria de Estado da Saúde (SES) tem como objetivo chamar a atenção para o diagnóstico precoce da hanseníase, orientando sobre o tratamento. Além disso, reforça a importância da detecção precoce da doença.
Na terça-feira (28), a ação de saúde em alusão à campanha teve como público os pacientes assistidos pelo Centro de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas (Caps AD Estadual), no Monte Castelo, em São Luís (MA). Foram realizados testes dermatoneurológicos de avaliação da pele e do sistema nervoso para triagem diagnóstica da hanseníase, além de palestras. A ação foi realizada em parceria com Programa Estadual de Controle da Hanseníase e Tuberculose e do Departamento de Atenção à Saúde Mental da SES.
"Os nossos pacientes, que são dependentes químicos, vivem em situação de rua, de aglomeração, e por isso são tendenciosos a algumas doenças, como HIV, sífilis, hepatite, tuberculose e hanseníase. Trazer um momento desse, onde eles têm um conhecimento sobre a doença, sobre sintomas, sobre sinais e ter acesso até aos próprios exames aqui dentro da unidade com certeza é uma evolução gratificante na vida deles, pois além de estarem cuidando da saúde mental, também estão atentando para a saúde física", disse o diretor do Caps AD Estadual, Marcelo Costa.
O teste dermatoneurológico é um exame clínico feito pelo profissional de saúde capacitado. E consiste na inspeção da pele, observando a sensibilidade térmica, tátil e dolorosa de lesões suspeitas. Para realizar o teste, o paciente precisa passar pela triagem, que deverá ser finalizada, com o resultado clínico, na Unidade Básica de Saúde (UBS) após submetido a consulta com hansenólogo ou médico dermatologista.
"Durante o exame, observamos manchas ou descamação, que já são sinais da ação do bacilo causador da doença. Também verificamos se o paciente apresenta sintomas como dormência e formigamento", explicou a coordenadora do Programa Estadual de Controle da Hanseníase e Tuberculose da SES, Magela Santos.
A programação no Caps AD Estadual faz parte de uma série de atividades que deverão ser desenvolvidas pelos serviços que integram a Rede SES, assim como em apoio aos municípios maranhenses.
Durante a palestra, os pacientes, além de aprenderem sobre o que é a doença, seus sinais e sintomas, também puderam tirar dúvidas com os profissionais de saúde que integram a equipe do Programa Estadual de Controle da Hanseníase e Tuberculose da SES.
A hanseníase é uma doença infecciosa transmitida por gotículas de saliva e secreções nasais de pessoas infectadas que não estão em tratamento. Ela atinge pele e nervos periféricos, podendo levar a sérias incapacidades físicas.
Os principais sintomas são manchas avermelhadas, esbranquiçadas ou amarronzadas no corpo, com diminuição ou perda de sensibilidade ao calor, ao tato e à dor; caroços avermelhados, às vezes doloridos; sensação de choque com fisgadas ao longo dos braços e pernas; áreas com diminuição de pelos e suor; entre outras características.
José Ribamar Duarte, de 43 anos, é paciente do Caps AD Estadual há um mês e meio. Ao ouvir sobre a hanseníase, ele se dispôs a fazer o teste dermatoneurológico. "Logo quando eu larguei a droga, já "tô" aqui há quase três meses, eu passei a me cuidar. Tratar da minha diabetes e outras doenças. E eu nunca tinha feito um teste desse, vai ser a minha primeira vez, eu achei muito bom vir até nós, porque é um incentivo muito bom. Porque tem muita gente que ainda tem preconceito. Se a gente descobrir no começo, pode procurar e tratar", opinou.
Fabrício Araújo Campos, de 46 anos, paciente do Caps AD Estadual há três meses, também participou da ação. "Para mim, uma atividade como essa é de suma importância, porque muitas das vezes nós temos sintomas. Eu próprio senti agora recentemente a ponta dos meus dedos dormentes. Então, eu achei necessário ter acesso a essa informação", disse.
O tratamento para hanseníase tem duração de 6 a 12 meses, conforme a forma clínica, e interrompe a transmissão nos primeiros dias de uso. O atendimento ao paciente com hanseníase é feito no Sistema Único de Saúde (SUS), primeiramente, na Atenção Básica. As unidades de referência do estado para atendimento especializado são o Ambulatório do Hospital Dr. Genésio Rêgo (Vila Palmeira) e o Hospital Aquiles Lisboa (HAL), ambos equipamentos da SES, que estão localizados em São Luís.
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