

A Polícia Civil do Paraná (PCPR) solucionou 76% dos homicídios e feminicídios que ocorreram em Curitiba ao longo de 2024. Foram 177 registros na Capital e 135 tiveram a autoria identificada antes do fim do ano. Os casos ainda não solucionados continuam a ser investigados pela equipe policial.
A porcentagem é a maior registrada desde 2018, quando foram elucidados 33% dos 297 crimes ocorridos naquele ano, ou 98 casos. Em 2019, o número de soluções para casos ocorridos nos 12 meses na Capital subiu para 50% (123 de 246) e em 2020 houve um salto para 69% (169 de 244). Nos dois anos seguintes, a porcentagem de crimes continuou num patamar alto, de 67% (144 de 215) e 65% (174 de 268), respectivamente. Em 2023 houve um novo aumento, com 69% dos homicídios e feminicídios solucionados antes do fim do ano.
A delegada Camila Cecconelo, chefe da Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa da PCPR, ressalta que a unidade trabalha com base em ações planejadas, como as operações de saturação, e aplica técnicas de inteligência policial nas investigações, levando ao esclarecimento mais rápido das ocorrências.
“Nos últimos anos, temos adotado técnicas como o mapeamento das áreas com os maiores índices de homicídios em Curitiba e concentrado nossos esforços em não apenas esclarecer as dinâmicas destes crimes depois que eles acontecem, mas também em reforçar a presença policial nestas regiões, em um trabalho integrado com a Polícia Militar, evitando novas ocorrências e criando proximidade com a população, que se sente mais segura para denunciar”, afirma.
A delegada também destaca que o trabalho tem ganhado muito com a aplicação de tecnologias nas investigações criminais, permitindo que os policiais produzam mais provas técnicas e dependam cada vez menos de provas testemunhais. “A utilização de novas ferramentas, como o Banco Nacional de Perfis Balísticos, o AFIS Criminal e os novos aparelhos da papiloscopia, nos levam à identificação mais célere dos criminosos e à consequente retirada deles do convívio social, evitando que sigam cometendo novos crimes”, detalha.
Em todo o Estado, de acordo com a Polícia Civil, o índice de solução de homicídios em 2024 foi de cerca de 98% sobre 1.643 casos (homicídios e feminicídios), também o maior indicador desde 2018. Esse cálculo leva em conta o número total de crimes resolvidos em um determinado período, dividido pelo número de casos ocorridos no mesmo espaço de tempo. Ou seja, os casos resolvidos podem ser do período atual ou de anos anteriores.
PERÍCIA CRIMINAL – O resultado alcançado pela PCPR também se deve ao trabalho desenvolvido pela Polícia Científica do Paraná (PCP), que é a instituição responsável pelas perícias oficiais do Estado e que transforma elementos do crime em vestígios essenciais para as investigações.
Por meio das Unidades de Execução Técnico-Científica, a PCP elaborou um intenso trabalho de exame de confronto balístico, recebendo cerca de 16.272 peças para análise. No mesmo período, foram analisadas 16.428 peças, resultando na emissão de 828 laudos de confronto balístico. Cada perito criminal foi responsável pela análise de, em média, 1.493 peças ao longo do ano.
“A dedicação e o esforço conjunto de todos os profissionais da PCP foram fundamentais para os excelentes resultados alcançados em 2024. Com investimentos em diversas áreas, incluindo laboratórios de balística, genética molecular forense, química e toxicologia, a instituição conseguiu analisar mais de 16 mil peças examinadas e 828 laudos emitidos”, informou o chefe da Divisão Operacional da PCP, Leonel Letnar Junior.
Nos últimos três anos de atuação, o Sistema Nacional de Análise Balística (SINAB) integrou cerca de 5.000 peças ao Banco Nacional de Perfis Balísticos (BNPB), gerando 634 matches no Paraná , beneficiando cerca de 1.000 inquéritos. Na área de balística, foram adquiridos cinco comparadores balísticos de última geração, além de tanques para coleta de projéteis em todas as Unidades de Execução Técnico-Científica (UETCs) da Polícia Científica.
Outros laboratórios, como os de Genética Molecular Forense, Química e Toxicologia, também receberam investimentos importantes. Procedimentos foram atualizados e treinamentos foram realizados com as equipes, incluindo peritos de atendimento de local e especialistas de laboratório, visando garantir a excelência na coleta, preservação e processamento dos vestígios. Essas iniciativas contribuem para melhorar os resultados atuais e pavimentar avanços contínuos no futuro.
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