

O Brasil encerrou 2024 com 35,7 bilhões de litros de leite, alta de 1,4% frente a 2023 e novo recorde da série histórica, segundo a Pesquisa Pecuária Municipal (PPM) do IBGE. Em valor, a cadeia movimentou cerca de R$ 87,5 bilhões, avanço de 9,4% no ano. A produtividade média chegou a 2.362 litros por vaca/ano, ganho de 4,9%. Esses resultados refletem avanço técnico e rotinas de manejo mais consistentes nas principais bacias leiteiras do país.
No recorte por estados, Minas Gerais manteve a liderança com 9,8 bilhões de litros (+3,8%). O Paraná permaneceu em segundo com 4,6 bilhões (+1,7%), e o Rio Grande do Sul registrou 4,02 bilhões (−2,2%), em cenário afetado por enchentes. Entre os municípios, Castro (PR) segue na primeira posição com 484 milhões de litros (+6,7%); Carambeí (PR) aparece depois com 293 milhões (+8,6%); e Patos de Minas (MG), com 226 milhões (+7,5%). Os números reforçam que técnica e padronização sustentam crescimento mesmo sob volatilidade climática.
A alimentação representa mais da metade do custo do litro de leite em muitas propriedades. Nesse contexto, a consultoria agronômica na lavoura de forragem — especialmente em silagem — é determinante para concentrar energia, reduzir variabilidade nutricional e limitar perdas na colheita, no transporte, na compactação e na vedação do silo. A presença de um engenheiro agrônomo responsável integra planejamento de safra, escolha de híbridos, janelas de plantio, ponto de corte e protocolos de conservação, articulando equipes e padronizando processos.
“Da porteira para dentro, a lavoura de forragem exige responsabilidade técnica do planejamento à colheita; cada etapa tem efeito direto na qualidade da silagem e no custo por litro”, afirma Mateus Mendes Batista Coelho, engenheiro agrônomo, especialista em Agronegócios pela USP/ESALQ e com oito anos de experiência em consultoria a produtores de grãos e silagem em Minas Gerais e Mato Grosso.
Nos sistemas com indicadores de rotina, a medição orienta correções rápidas. Segundo Mateus — que também acumula experiência internacional nos Estados Unidos e na Colômbia — metas de matéria seca, densidade do silo e manejo de cocho precisam estar definidas e ser auditadas em campo; quando o padrão nutricional se mantém estável, há redução de perdas e melhora de conversão alimentar. A integração entre agronomia e finanças reduz incerteza e direciona decisões. De acordo com o consultor, que já elaborou projetos agronômicos em 48 fazendas, controle financeiro é tão estratégico quanto o manejo agronômico; medir custo por litro, registrar despesas por centro de resultado e confrontar indicadores zootécnicos com números contábeis orienta compras, dimensiona estoques de volumoso e reduz a volatilidade do caixa.
Reconhecido nacionalmente pelo trabalho, Mateus que é membro da ABRASCI (Academia Brasileira de Ciência, Artes, História e Literatura), detentor da cadeira de nº 51 do Colegiado de Ciências Naturais e tem como patrono um ícone da agricultura brasileira, Antônio Secundino, relata que do ponto de vista operacional, o planejamento começa no solo e termina no cocho. “Enquanto coordenei projetos agronômicos de grande escala, pude perceber que o arranjo de plantio adequado, o manejo de fertilidade, a definição de população e o controle de plantas daninhas e pragas reduzem o risco de queda de qualidade da forragem. Na colheita, o ponto de matéria seca e o ajuste de partículas garantem compactação eficiente; a vedação preserva energia e evita aquecimento do painel.”
A geografia da produção indica que soluções devem ser calibradas a cada ambiente. Castro e Carambeí, no Paraná, e Patos de Minas, em Minas Gerais, operam sob realidades edafoclimáticas próprias. Em áreas com irrigação, a gestão de pivôs e o ajuste do calendário de plantio reduzem estresse hídrico e uniformizam a maturação. Onde a irrigação não existe, manejos de conservação de solo e água ganham prioridade. Em qualquer cenário, adotar protocolos de colheita e conservação, somados ao controle financeiro, é central para a competitividade.
Os resultados de 2024 também mostram que a combinação de mais leite com menos vacas ordenhadas sugere que a eficiência técnica avançou. Parte desse ganho vem de ações cumulativas e de baixo custo unitário — medição de matéria seca, ajuste da rotação de facas, controle de densidade por camada, vedação sem vazios e manejo de cocho com observação diária. Pequenas melhorias consistentes, somadas ao longo do ciclo, geram efeitos relevantes em produtividade e no fluxo de caixa.
Com a difusão de ferramentas digitais, painéis simples de acompanhamento tornam rotinas mais visíveis. Relatórios que integram dados de campo, análises laboratoriais e custos por centro de resultado permitem enxergar tendências e agir preventivamente. Para Mateus, a consultoria agronômica, ao traduzir métricas para o dia a dia, ajuda o produtor a usar dados como parte natural do processo decisório, e não apenas como registro posterior.
À luz dos números do IBGE, o setor entra em 2025 com agenda de eficiência consolidada e maior pressão por previsibilidade. A presença de um profissional qualificado na lavoura de forragem apoia o produtor a capturar ganhos de produtividade que a série histórica aponta e, ao mesmo tempo, a mitigar riscos operacionais e financeiros. O objetivo é comum: produzir mais, com qualidade estável e custos controlados, em benefício da competitividade da cadeia do leite.
Fontes: IBGE/PPM 2024 (produção, valor e produtividade); páginas explicativas do IBGE sobre leite e metodologia. Links: https://www.ibge.gov.br/estatisticas/economicas/agricultura-e-pecuaria/9107-producao-da-pecuaria-municipal.html?=&t=destaques e https://www.ibge.gov.br/explica/producao-agropecuaria/leite/br
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