

Segundo análises do estudo, o tratamento com dose única de anfotericina B lipossomal não é inferior ao tratamento padrão
O Hospital São José (HSJ), unidade da Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa), referência no diagnóstico e no tratamento de doenças infectocontagiosas no Estado, está participando de um estudo clínico nacional que avalia a eficácia e segurança de uma nova forma de tratamento para a histoplasmose em pessoas que vivem com HIV/aids. Denominado “Projeto Induction”, o ensaio clínico tem como objetivo testar a administração em dose única de um antifúngico para a doença.
A histoplasmose disseminada é a forma grave da infecção causada pelo fungo Histoplasma capsulatum, encontrado com frequência em ambientes contaminados por fezes de aves e morcegos. Locais como cavernas, galpões, forros de casas, construções antigas e áreas com presença de colônias desses animais são considerados propícios para o desenvolvimento do fungo.
A administração do antifúngico anfotericina B lipossomal é atualmente feita em um tratamento de 14 dias em pequenas doses. A redução do tempo pode representar um avanço importante no cuidado e na qualidade de vida dos pacientes.
O estudo é coordenado nacionalmente pelo professor e infectologista Alessandro Pasqualotto, do Rio Grande do Sul. No Ceará, é liderado pelas professoras e infectologistas do HSJ, Lisandra Damasceno e Terezinha do Menino Jesus. A equipe cearense é composta por 16 profissionais entre médicos, farmacêuticos, microbiologistas, enfermeiros, auxiliares de laboratório, digitadora e estudantes de iniciação científica.

Segundo a infectologista Lisandra Damasceno, além de proporcionar o tratamento com o melhor medicamento para a doença, o estudo também disponibiliza o acesso ao teste rápido para um diagnóstico mais precoce e maior conforto para o paciente.
“Essa nova estratégia terapêutica tem potencial para reduzir o tempo de internação e os custos hospitalares, otimizando ainda o uso dos recursos públicos de saúde. Esse projeto representa um marco na pesquisa clínica em doenças infecciosas e reforça o papel do Ceará como referência nacional no enfrentamento da histoplasmose e no cuidado integral às pessoas que vivem com HIV/Aids”, destaca.
Atualmente, o tratamento convencional da histoplasmose disseminada pode ser realizado com o uso diário de anfotericina B lipossomal, na dose de 3 mg por quilo de peso corporal, durante 14 dias consecutivos. De acordo com Lisandra, a proposta do Projeto Induction é comparar esse regime tradicional com um novo protocolo de dose única de 10 mg por quilo, administrada em apenas um dia.
“O estudo busca comprovar se o novo esquema é tão eficaz e seguro quanto o tratamento padrão, além de avaliar possíveis benefícios clínicos e logísticos. Estudos anteriores, conduzidos na fase 2 do projeto, já apontaram que o tratamento com dose única de anfotericina B lipossomal não é inferior ao tratamento padrão, apresentando resultados promissores em termos de eficácia, segurança e recuperação clínica”, ressalta a especialista.
O Hospital São José é o único centro participante no estado do Ceará e foi selecionado devido à elevada prevalência de casos de histoplasmose disseminada entre pessoas vivendo com HIV/Aids. Além do Ceará, participam do projeto centros de pesquisa em Goiás, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul e outras unidades federativas, abrangendo todas as regiões do país.
O projeto inclui pacientes internados com doença avançada pelo HIV, como Miguel [nome fictício], de 45 anos, que deu entrada no HSJ por conta do diagnóstico do HIV, mas também apresentava sintomas como diarreia, excesso de gases e alterações intestinais. Ele diz que a adesão ao tratamento, incluindo o uso correto da medicação, é fundamental.
“Com o tratamento, em menos de dois meses, ganhei peso, saindo de 54 a 77 kg. Creio na cura, ou pelo menos em uma melhora significativa, pois minha pele está boa, minha alimentação é perfeita e recuperei o ânimo para atividades físicas, algo que antes não sentia. Todos os aspectos da minha saúde, incluindo o bem-estar diário, estão positivos. Após o tratamento, não apresento mais sintomas”, afirma Miguel.
Os participantes do estudo são avaliados por meio de testes rápidos de antígeno, método capaz de detectar a presença do fungo de forma precoce — o que representa um importante avanço em comparação aos exames convencionais, que podem levar até quatro semanas para obter resultados. “Esse diagnóstico ágil permite iniciar o tratamento de forma imediata, tanto para os pacientes do grupo de dose única quanto para os que seguem o protocolo tradicional de 14 dias”, enfatiza a infectologista Lisandra.
Após o tratamento inicial, os participantes são acompanhados por até três meses, com coletas periódicas de sangue e urina para monitoramento clínico e laboratorial. O esquema terapêutico é complementado com o antifúngico oral itraconazol, disponibilizado pelo Ministério da Saúde.

A histoplasmose é uma infecção causada pelo fungo Histoplasma capsulatum, encontrado com frequência em ambientes contaminados por fezes de aves e morcegos. A transmissão ocorre por meio da inalação de esporos fúngicos, que atingem os pulmões. “Em indivíduos com sistema imunológico enfraquecido, essa infecção pode evoluir e causar diferentes manifestações clínicas”, ressalta Lisandra.
De acordo com a especialista, estão mais expostos à infecção trabalhadores que lidam com ambientes contaminados por fezes de aves ou morcegos, como espeleólogos, arqueólogos, criadores de aves e profissionais que realizam limpeza ou reforma de locais abandonados; pessoas com imunidade comprometida, como aquelas com HIV/Aids, transplantadas, pacientes em quimioterapia ou em uso prolongado de medicamentos imunossupressores.
“Atualmente, não existe vacina nem medicamento preventivo. A principal medida de proteção é o uso de máscaras com filtro de partículas (N95 ou PFF2) durante atividades em ambientes de risco, reduzindo a inalação dos esporos do fungo”, destaca a infectologista.
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