O Governo Municipal, por meio da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), em parceria com o Instituto de Saúde e Ação Social (Isas) e o Ministério da Saúde (MS), apresentaram, na segunda-feira (26), os resultados do uso de novas tecnologias de combate à dengue implementadas em Vitória da Conquistadesde o mês de julho.
A primeira atividade foi realizada na sala do Conselho Municipal de Saúde, localizado no Centro Municipal de Atenção Especializada (Cemae), reunindo agentes comunitários de saúde e de combate a endemias, além de representantes das secretarias de saúde das cidades de Itapetinga e Brumado. À tarde, a reunião foi no gabinete da SMS.
Foto: Reprodução/Prefeitura de Vitória da Conquista - BA Uma das inovações implantadas foi a Pneutrap, uma armadilha de vigilância e monitoramento com formato de pneu que é capaz de atrair as fêmeas do mosquito, coletar seus ovos e eliminar larvas, interrompendo o ciclo de reprodução do inseto. A outra ferramenta é a In2Care, uma armadilha de controle que emite feromônios que atraem as fêmeas do Aedes para depositarem os ovos no interior de um recipiente semelhante a um balde, que contém larvicida e um fungo para contaminar os mosquitos durante o depósito dos ovos. Ao voarem para fora da armadilha, os insetos contaminados espalham as substâncias em outros criadouros, eliminando uma grande quantidade de mosquitos.
A secretária municipal de Saúde, Fernanda Maron, destacou a importância da combinação de estratégias para os resultados expressivos no combate à dengue em 2025. “A parceria chegou em um momento muito importante para o município, como forma de fortalecimento da prevenção e controle do Aedes Aegypti através de tecnologias inovadoras. Parceria muito importante entre a Prefeitura, o Isas e o MS. Hoje estamos avaliando os resultados do projeto, que demonstram o sucesso da iniciativa, com 92,3% de redução dos casos de dengue na cidade”.
Coordenador de Endemias do Município, Renato Freitas ressaltou como a parceria fortaleceu as possibilidades de eliminação dos focos de Aedes aegypti. “Essas armadilhas são passos importantes no controle do Aedes aegypti, porque a técnica que nós estamos utilizando é a de esgotamento do mosquito. Nós instalamos as armadilhas em 15 bairros que foram contemplados porque apresentaram maior índice de infestação. Nós já retiramos quase 800 mil ovos do ambiente, reduzindo bastante a transmissão da doença. E estão aí os resultados, são 92% a menos em relação ao ano passado da transmissão da dengue”.
Para Alex Correia, coordenador geral do projeto de implantação de tecnologias inovadoras, a parceria do Instituto Isas e do MS com a Prefeitura Municipal foi um caso exemplar de sucesso, que será levado para outras cidades de todo o Brasil. “É uma parceria inovadora. Pra vocês terem ideia, essas três tecnologias elas nunca foram utilizadas juntas em lugar nenhum do mundo, então foi um teste de sucesso. E não envolveu só as armadilhas, mas também o sistema de informação inteligente, logística com bicicleta elétrica, a estruturação do laboratório com equipamentos. Foi consolidado como um modelo alinhado com as estratégias das novas diretrizes do Ministério da Saúde para todo o Brasil, e esse índice de redução dos casos em mais de 90% mostra esse sucesso”.
Já o coordenador científico do projeto, Fábio Castelo Branco, destacou a importância do uso de tecnologias também na gestão de dados, desde os agentes em campo até o monitoramento nos laboratórios, otimizando as estratégias de vigilância e eliminação vetorial. “Vitória da Conquista está fazendo um excelente trabalho de monitoramento de mosquitos e de controle por ovitrampas, armadilha recomendada pelo MS. Trouxemos um trabalho pioneiro complementar pra cidade, com novas tecnologias. Trabalhamos o sistema de informação, digitalizando o trabalho do agente de Saúde, que era feitono papel. Esse sistema coleta dados do campo, de todas as armadilhas, e os dados dos pacientes que tiveram o caso de dengue, para poder condensar e gerar um mapa que diz onde são as áreas prioritárias da cidade. O trabalho se complementa com as tecnologias que trouxemos, a Pneutrap e a In2care, e hoje apresentamos uma outra ferramenta, o Vectrex, que é um sensor que captura o mosquito adulto, coleta vários dados como idade, sexo, e auxilia na detecção precoce do vírus”.
Um dos técnicos instaladores de campo, Guilherme Alves afirma que a colaboração da população no combate aos focos do mosquito segue sendo imprescindível. “Essas armadilhas vieram para aumentar esse cuidado, para capturar esses mosquitos e também deixar a população livre dessa doença, que mata. Então o que a gente pede aos moradores é que continuem abraçando esse projeto, recebendo essas armadilhas, para que continuem também tirando muito mais os mosquitos de Vitória da Conquista”.
Inicialmente instaladas em cinco bairros prioritários, as 4.800 ovitrampas em operação foram expandidas para mais 10 localidades a partir de outubro. Elas interromperam o ciclo reprodutivo do mosquito, com coletas intensivas em áreas de “focos irradiadores”.
Iniciada em julho, a parceria com o Insituto Isas e o Ministério da Saúde instalou 600 Pneutraps e 160 In2Care em 15 bairros identificados no LIRAa (Levantamento Rápido de Índices para Aedes aegypti).
Em 2025, foram registradas 3.568 notificações de dengue (425 confirmados, 2.747 prováveis, 821 descartados), 173 de chikungunya (10 confirmados, 163 prováveis, 57 descartados) e 9 de Zika (3 confirmados, 5 prováveis, 4 descartados). Em 2024, houve 38.550 casos prováveis de arboviroses.
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