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Portos do Paraná e UFPR concluem instalação de sistema de saneamento em Eufrasina

A Ilha de Eufrasina, com acesso exclusivamente por embarcação, abriga uma comunidade tradicional de pescadores artesanais. Antes do projeto, as re...

25/02/2026 às 11h21
Por: Redação Fonte: Secom Paraná
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Foto: Claudio Neves/Portos do Paraná
Foto: Claudio Neves/Portos do Paraná

O projeto Comunidades Sustentáveis, criado pela Portos do Paraná em parceria com a Universidade Federal do Paraná (UFPR), concluiu a instalação de sistemas de saneamento ecológico na Ilha de Eufrasina, na baía de Paranaguá. A iniciativa atende as 66 famílias que vivem na comunidade, beneficiando mais de 200 moradores. Em fevereiro, representantes das instituições responsáveis visitaram a ilha para acompanhar os resultados da implantação.

A Ilha de Eufrasina, com acesso exclusivamente por embarcação, abriga uma comunidade tradicional de pescadores artesanais. Antes do projeto, as residências não contavam com sistema de coleta e tratamento de esgoto. O solo rochoso inviabiliza a implantação de redes convencionais, como as existentes em centros urbanos, ou ainda a instalação de fossas sépticas, comuns em áreas rurais.

O professor Fernando Augusto Silveira Armani, coordenador do projeto pela UFPR, relembra a situação encontrada pela equipe no início dos trabalhos. Segundo ele, os dejetos eram direcionados ao mar por meio de tubulações expostas. “Toda a tubulação foi reorganizada e agora o esgoto passa por tratamento adequado. Em alguns casos, os sistemas foram integrados a jardins com flores, que além de funcionais, embelezam a comunidade”, destacou.

O projeto utiliza jardins filtrantes — técnica conhecida como wetlands ou zonas úmidas construídas — que promovem o tratamento natural do esgoto. Também foram instalados biodigestores artesanais, nos quais microrganismos realizam a decomposição da matéria orgânica, além de biodigestores comerciais e vermifiltros, produzidos com bombonas plásticas e minhocas.

“Os vermifiltros são geralmente utilizados nas casas localizadas à beira da água”, explicou a bióloga e analista portuária Jaqueline Dittrich.

EXEMPLOS– A residência da turismóloga Francislaine Viana, construída à beira-mar, está entre as beneficiadas. “Com o sistema rudimentar que tínhamos antes, enfrentávamos constrangimentos, principalmente por causa do mau cheiro. Hoje ficamos muito felizes e orgulhosos de contar com essa estrutura”, afirmou.

Para o morador Marcos Roberto Cassiano, o impacto também é econômico. “O benefício é a água mais limpa, que favorece a pesca e aumenta a presença de peixes na baía”, destacou.

O pescador e artesão Paulo Soares de Lara ressalta a mudança perceptível. “Antes, a água saía suja direto para o mar, e o cheiro era insuportável. Agora, sai limpa”, disse.

Além das residências, o projeto implantou sistemas de tratamento de esgoto em duas escolas, na associação de moradores e na igreja da comunidade.

“É muito gratificante saber que as crianças podem usufruir da água sem problemas dermatológicos ou de saúde. Contribuir com o meio onde vivemos é essencial”, afirmou a representante da Associação de Moradores da Ilha de Eufrasina, Rosene Aparecida Passos.

CAPACITAÇÃO– Para garantir o funcionamento adequado dos sistemas, os moradores participaram de 12 oficinas voltadas à manutenção das estruturas e ao uso consciente de produtos de limpeza. Substâncias como água sanitária podem comprometer a ação dos microrganismos responsáveis pelo tratamento do esgoto. Durante os encontros, também foram ensinadas técnicas para produção de materiais de limpeza biodegradáveis.

EXPANSÃO– Com os resultados positivos, o projeto será ampliado para outras comunidades do litoral paranaense. “Mantemos o convênio com a Universidade justamente para expandir a iniciativa. Já iniciamos a implantação na Ponta Oeste, na Ilha do Mel, onde há cultivo de ostras”, informou Jaqueline Dittrich. Também serão contempladas as ilhas de Piaçaguera, Ponta de Ubá e Europinha.

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