

Na primeira semana de vida, muitos bebês apresentam uma coloração amarelada na pele e nos olhos. O que para algumas famílias pode parecer apenas uma mudança de cor, para a equipe neonatal exige atenção, cuidado e acompanhamento rigoroso. A Maternidade Nossa Senhora de Lourdes (MNSL) oferece diversos exames e tratamentos aos bebês nascidos na unidade, entre eles a fototerapia, indicada para casos de icterícia neonatal.
A icterícia é um dos sinais mais frequentes nesse período. Segundo a neonatologista Nathalie Nissink Costa do Nascimento, responsável técnica da Neonatologia da MNSL, a condição ocorre devido ao aumento da bilirrubina no sangue.
“A icterícia se manifesta como uma coloração amarelada da pele, da esclera e das mucosas. Ela está presente em cerca de 60% dos recém-nascidos a termo e até 80% dos prematuros na primeira semana de vida. Na maioria das vezes, é um processo fisiológico, uma adaptação natural do organismo após o nascimento. No entanto, quando os níveis de bilirrubina se elevam além do esperado, pode se tornar uma condição patológica e exigir intervenção imediata”, explicou a médica.
A especialista alerta que níveis muito elevados de bilirrubina indireta podem levar à encefalopatia bilirrubínica aguda, quadro grave que pode comprometer o sistema neurológico do bebê.
“Quanto maior o nível sérico de bilirrubina, maior o risco de complicações. Por isso, a detecção precoce e o acompanhamento rigoroso são fundamentais. Aqui na maternidade, trabalhamos com protocolos bem definidos para garantir segurança e agilidade no cuidado”, reforçou Nathalie.
Como funciona a fototerapia
O tratamento mais utilizado é a fototerapia, conhecida carinhosamente pelas mães como ‘banho de luz’. “A fototerapia utiliza luz, especialmente no espectro azul, que é absorvida pela pele do recém-nascido. Essa luz transforma a bilirrubina em substâncias que podem ser eliminadas naturalmente pela urina e pela bile, sem necessidade de metabolização pelo fígado. É um tratamento seguro, eficaz e amplamente utilizado no mundo inteiro”, detalhou a neonatologista.
Em casos raros, pode ser necessária a exsanguineotransfusão, mas a grande maioria dos bebês responde muito bem apenas à fototerapia. Além disso, boas práticas de amamentação ajudam a reduzir os níveis de bilirrubina. A equipe acompanha atentamente a perda de peso do recém-nascido, especialmente quando ultrapassa 7% do peso ao nascer, como sinal de alerta para acompanhamento mais criterioso.
Histórias de quem vive o cuidado
Na Ala Azul da maternidade, a pequena Cecília recebe seu “banho de luz” sob o olhar atento da mãe, Cleomar Marcos de Araújo, 33 anos, natural de Porto da Folha. Cecília nasceu pesando 2,660 kg. Pouco depois, veio a indicação da fototerapia. “Quando o pediatra falou que ela estava com a pele amarelinha e que precisaria ficar no banho de luz, eu fiquei um pouquinho triste. Mas eu sei que o mais importante é que minha filha saia daqui bem e saudável”, contou Cleomar.
Há três dias acompanhando o tratamento, ela já percebeu a melhora da filha. “A gente fica ansiosa, porque não somos da cidade e ainda temos que voltar para fazer o exame do olhinho. Mas estou tranquila. Aqui somos muito bem assistidas. A maternidade é maravilhosa”, disse.
Também na unidade, Simone dos Santos, de Tomar do Geru, acompanha o pequeno Benício, seu segundo filho, que nasceu de parto normal, com 4,312 kg e 52 cm. Quando o médico disse que ele teria que voltar para a fototerapia, eu fiquei preocupada. Nunca tinha passado por isso. Mas ele me tranquilizou, explicou que era para tirar o amarelinho e que era seguro”, relatou.
Com os dias de tratamento, ela já observa a evolução.“Melhorou bastante. Ele já está mais coradinho, os olhinhos estão clareando. Agora é só esperar a alta para irmos para casa. Sou muito grata a toda equipe da maternidade”, afirmou.
Cuidado que começa cedo e continua após a alta
Na MNSL, a equipe pediátrica e de enfermagem é treinada para a detecção precoce da icterícia. O protocolo inclui triagem por meio da medição transcutânea da bilirrubina e, quando necessário, confirmação por exame sanguíneo.
Na alta hospitalar, todo o histórico clínico é detalhado em relatório médico, e o bebê é encaminhado para acompanhamento na Unidade Básica de Saúde (UBS) ou em ambulatório de seguimento, garantindo a continuidade do cuidado.
Mais do que tecnologia, o que se vê nos corredores é acolhimento. Entre luzes azuis e olhares atentos, a fototerapia representa mais que um tratamento: é a garantia de que cada bebê tenha um começo de vida seguro e que cada mãe possa voltar para casa com tranquilidade.



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