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Mulheres monitoras unem disciplina e acolhimento nos Colégios Cívico-Militares

As sargentos Irene de Lourdes Galvão e Mariangela Candeo Correa estão entre os policiais militares que atuam como monitores dos colégios. Entre or...

06/03/2026 às 18h35
Por: Redação Fonte: Secom Paraná
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Foto: Arquivo pessoal
Foto: Arquivo pessoal

No Dia Internacional das Mulheres, as histórias de duas monitoras mostram que, nos Colégios Cívico-Militares do Paraná, a delicadeza feminina também é ferramenta de liderança. Entre orientações, diálogos e intervenções humanizadas, elas demonstram que cuidado e respeito se complementam e que disciplina também pode ser construída com escuta, apoio e exemplo.

Com décadas de experiência na Polícia Militar, a sargento Irene de Lourdes Galvão e a sargento Mariangela Candeo Correa trabalham como monitoras militares e atuam com sensibilidade para contribuir para a formação dos estudantes. As duas integram o grupo do Corpo de Militares Estaduais Inativos Voluntários (CMEIV) e fazem parte das primeiras turmas do programa.

Irene atua no CCM Senhorinha Sarmento, em Curitiba, e soma 35 anos de serviço na Polícia Militar. Mariangela, do CCM João Loyola, também na capital, tem 30 anos de carreira na ativa e está na função desde 2020. Para Irene, que entrou na corporação aos 17 anos e hoje, aos 64, trabalhar com adolescentes não estava nos planos iniciais da aposentadoria. “Eu jamais me imaginei trabalhando com adolescentes no fim da carreira. Mas é muito gratificante. Se eu conseguir que eles pensem alto, já valeu a pena”, afirma.

Ela destaca que o trabalho vai além da disciplina. “Antes de cobrar, a gente precisa entender a história daquele aluno. Muitos vivem situações difíceis fora da escola. A gente orienta, conversa, tenta mostrar caminhos”, diz.

No CCM Senhorinha Sarmento, Irene relata que parte dos estudantes enfrenta vulnerabilidade social e familiar, exigindo sensibilidade e olhar atento. “Tem aluno que não tem estrutura em casa, que vive situações muito delicadas. A gente precisa olhar para isso também”, explica. Segundo ela, o ambiente escolar se torna, muitas vezes, espaço de referência e apoio.

Mariangela, de 59 anos, também percebe essa necessidade de escuta. “Hoje as crianças e adolescentes estão com a cabeça sobrecarregada. É importante ter alguém para conversar, orientar, até para brincar um pouco dentro do respeito”, afirma. Ela ressalta que o trabalho como monitora não substitui o trabalho pedagógico, mas é importante para garantir que ele não seja interrompido. “Quem manda na sala de aula é o professor. Nós só entramos quando somos chamados. Nosso foco é ajudar, orientar sobre comportamento, disciplina e organização para que o professor
consiga dar aula com tranquilidade.”

REFERÊNCIA PARA ALUNAS- Mariangela destaca que a presença feminina faz diferença, especialmente para as estudantes. “As meninas me procuram muito, principalmente para questões que envolvem o universo feminino. Elas se sentem mais à vontade”, relata.

Para Irene, a atuação feminina agrega sensibilidade ao cotidiano escolar. “Como em todas as escolas, mesmo as que não integram o programa CCM, o que ‘se cobra’ do aluno é somente o que está no regulamento do colégio, nada além. Esse movimento é feito com diálogo e escuta. Eu me vejo muito como uma mãezona ali dentro”, afirma.

Segundo Roni Miranda, secretário estadual da Educação, a presença de mulheres como monitoras nos Colégios Cívico-Militares fortalece o ambiente escolar. “Elas demonstram que disciplina pode caminhar junto com escuta, orientação e sensibilidade. Essa atuação agrega ao trabalho pedagógico, amplia as referências dentro da escola e contribui para que os estudantes se sintam acolhidos e respeitados. Ter mulheres nesses espaços de liderança é importante porque elas trazem representabilidade, experiências e perspectivas que enriquecem a formação integral dos nossos alunos.”

Para muitas monitoras militares, a atuação nos Colégios Cívico-Militares representa também uma oportunidade de se manter ativa após a aposentadoria. Depois de anos dedicados à carreira, a rotina em casa não substituiu o sentimento de missão. “Eu acho que é melhor ainda ficar ativo o maior tempo que conseguir, para trabalhar a cabeça, a mente”, resume Mariangela. Ao ingressar no CCM, ela reencontrou propósito e a chance de contribuir com a formação dos estudantes, compartilhando experiência, disciplina e orientação no dia a dia escolar.

PONTO DE APOIO- No dia a dia dos Colégios Cívico-Militares, as monitoras não são apenas responsáveis por organizar filas e zelar pelo cumprimento das normas. Muitas vezes, elas se tornam também um ponto de apoio para alunos que não encontram espaço para diálogo dentro de casa, afirma Mariangela. “Às vezes eles não conseguem conversar com a família, mas conseguem trazer a situação pra gente”, relata. S

Segundo ela, não são raros os casos em que estudantes procuram orientação para lidar com conflitos pessoais ou familiares. Ao mesmo tempo em que acolhem, as monitoras reforçam que disciplina é parte essencial da formação. Para Mariangela, ensinar limites e organização é preparar o
estudante para o futuro, no trabalho, na convivência social e nas responsabilidades da vida adulta.

“Regras fazem parte da vida de todas as pessoas, em todas as etapas da vida. Viver em sociedade é aprender todos os dias que nossas escolhas também alcançam o outro. Por isso, quando são compreendidas, e não apenas impostas, elas deixam de ser limites e passam a ser caminhos para convivermos melhor”, finaliza.

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