

O Brasil está envelhecendo rapidamente. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a população com 60 anos ou mais deve representar 37,8% do total em 2070, o equivalente a 75,3 milhões de pessoas.
Mas a idade cronológica não explica como o corpo realmente está envelhecendo. É aí que entra a idade biológica. Ela reflete o acúmulo de danos, inflamação e alterações metabólicas que podem fazer com que duas pessoas da mesma idade envelheçam em ritmos muito diferentes.
Nesse contexto, os biomarcadores de envelhecimento ganham relevância por traduzirem essas mudanças em sinais mensuráveis, capazes de mostrar como diferentes sistemas do organismo estão funcionando.
Para o Dr. Renato Lobo (CRM: 181069-SP), médico formado pela Faculdade de Medicina da USP, pós-graduado em Nutrologia pela ABRAN - Associação Brasileira de Nutrologia e idealizador da clínica Sculpté, o cuidado com a longevidade deve seguir três etapas: testar, para identificar o que já mudou no organismo; monitorar, para acompanhar a evolução desses sinais ao longo do tempo; e otimizar, com ajustes voltados à prevenção e à manutenção da saúde. Nesse processo, cinco biomarcadores ajudam a mostrar como o corpo está envelhecendo.
ApoBA apolipoproteína B, ou ApoB, é um exame que ajuda a entender melhor quantas partículas de gordura potencialmente nocivas estão circulando no sangue. Diferentemente do LDL (colesterol ruim), que mostra a quantidade de colesterol transportada, a ApoB indica o número de partículas que podem se acumular nas artérias ao longo do tempo.
Na prática, isso pode dar uma visão mais precisa de alterações que nem sempre aparecem com clareza no exame de colesterol tradicional. "Quanto mais partículas que formam placas, pior tende a ser esse quadro", explica o especialista.
O Consenso Clínico de Especialistas da National Lipid Association destaca que a medição da ApoB é especialmente útil para aprimorar a avaliação de risco para o colesterol LDL (LDL-C) muito baixo e muito elevado. Quando os níveis de ApoB estão muito altos, podem funcionar como marcador confirmatório de alto risco para doença cardiovascular aterosclerótica (DCVA, como infarto e AVC) e como fator que potencializa esse risco.
PCR-usA proteína C-reativa ultrassensível (PCR-us) é um exame usado para detectar inflamação de baixo grau no organismo. Em 2025, um estudo do Rotterdam Study mostrou que ela está associada a alterações vasculares relacionadas ao envelhecimento, como maior rigidez arterial, e que esse efeito foi comparável ao de marcadores lipídicos. "Quando esse marcador sobe, entendemos que vale olhar com mais atenção para hábitos, composição corporal, sono e outros fatores que podem estar mantendo o organismo em estado de desgaste contínuo", afirma o Dr. Renato Lobo.
VO₂ máxEsse marcador representa a capacidade máxima do organismo de consumir oxigênio durante o exercício e traduz a integração entre coração, pulmões, vasos e músculos. Uma pesquisa recente mostrou que níveis mais elevados de VO₂ máx se associam a perfis metabólicos mais saudáveis, menor inflamação e maior atividade antioxidante. "Quanto mais elevado o VO₂ máx, maiores são a expectativa de vida, saúde cerebral e resiliência metabólica", argumenta o nutrólogo.
Insulina de jejumMuito antes de a glicose subir, o metabolismo já pode estar sob pressão, e a insulina de jejum é quem revela esse movimento inicial. "Ela é um alerta precoce de disfunção metabólica. Quando está elevada, já indica um ambiente propício ao envelhecimento acelerado, ao acúmulo de gordura e à queda cognitiva", aponta o especialista.
Em análises de acompanhamento prolongado, como as realizadas com participantes monitorados por décadas no estudo CARDIA, níveis mais altos e maior variabilidade de insulina ao longo do tempo estiveram associados a pior desempenho cognitivo na meia-idade, especialmente em testes de atenção e função executiva.
GGTNem todo marcador de longevidade está nos exames mais comentados. A gama-glutamiltransferase (GGT), tradicionalmente associada à função hepática, também reflete níveis de estresse oxidativo e risco aumentado de mortalidade. Um artigo publicado na European Federation of Internal Medicine corrobora essa consequência. "A GGT é subestimada. Quando está elevada, indica sobrecarga metabólica e envelhecimento acelerado", comenta.
Embora esses biomarcadores tragam pistas importantes sobre como o organismo está envelhecendo, a interpretação isolada de exames laboratoriais pode levar a conclusões equivocadas. Cada indicador precisa ser analisado dentro de um contexto mais amplo, que inclui histórico clínico, hábitos de vida, alimentação, composição corporal e outros fatores.
"Com monitoramento periódico e ajustes direcionados, é possível atuar sobre esses biomarcadores antes do surgimento de sintomas, favorecendo um envelhecimento mais saudável e aumentando as chances de manter qualidade de vida ao longo dos anos", conclui Renato Lobo.
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