

Fundada em 17 de março de 1855, Aracaju celebra, em 2026, 171 anos de história. Ao longo de mais de um século e meio, a educação pública desempenhou papel central na construção da identidade social, cultural e intelectual da cidade. Escolas históricas, equipamentos culturais e políticas educacionais formaram gerações de cidadãos e profissionais que ajudaram a construir Aracaju.
A história da educação pública acompanha a própria formação da capital. Com a transferência da capital de São Cristóvão para Aracaju, em 1855, instituições essenciais à administração e à educação do Estado também migraram gradualmente para o novo centro político.
Entre elas estava o Atheneu Sergipense, criado em 1833 na antiga capital como Liceu Sergipano. Instalado em Aracaju, passou a funcionar oficialmente em 1870. Desde os primeiros anos, a instituição oferecia dois cursos: Humanidades, voltado à formação intelectual da juventude, e o curso Normal, destinado à preparação de professores.
Essa coexistência de cursos deu origem às chamadas instituições ‘coirmãs’ da educação pública de Sergipe, hoje representadas pelo Centro de Excelência Atheneu Sergipense e pelo Centro de Excelência de Educação em Tempo Integral Ruy Barbosa, os quais consolidaram simultaneamente a formação intelectual e docente no Estado.
Atheneu e a educação que atravessa gerações
Ao longo de mais de um século, o Atheneu tornou-se referência cultural e educacional, formando intelectuais, escritores, educadores e lideranças políticas. A aposentada Maria Helena de Oliveira Cavalcante, aos 93 anos, guarda lembranças vívidas da escola. “Minha família é de Aracaju, e os laços permanecem fortes. O Atheneu tem uma importância enorme na minha vida. Tudo o que sou hoje devo ao ensino recebido lá. As melhores lembranças, com todas as minhas amigas e amigos, estão no coração. Éramos uma família”, recorda.
Dona Helena concluiu os estudos em 1950 e mudou-se para Bom Jesus da Lapa, na Bahia, mas as memórias da escola e da cidade natal permaneceram vivas. Ela se lembra das mudanças de sede e do cotidiano escolar. “Comecei na Praça Camerino, depois fomos para a Avenida Ivo do Prado, onde hoje funciona o Museu da Gente Sergipana. Também frequentei o atual prédio da Praça Graccho Cardoso - na época estava em construção - onde fazíamos educação física”.
Setenta e quatro anos depois, Yngrid Ranielly, aluna do Ensino Médio, vive experiências semelhantes. “Sinto-me acolhida pelo Atheneu. A escola é muito boa, e os professores explicam o conteúdo de forma clara. Tenho muitos amigos aqui. Sempre convido novos alunos a conhecerem o Centro de Educação e Memória do Atheneu, que considero um dos lugares mais interessantes da escola”, comenta.
A Escola Normal e o berço da formação docente
Na década de 1870, mudanças estruturais na educação levaram ao desmembramento do curso Normal do Atheneu, dando origem à Escola Normal de Sergipe, oficialmente criada em 1875. Tornou-se o principal espaço de formação de professores e um centro decisivo na ampliação do acesso feminino à educação formal.
Dessa tradição nasceram as ‘normalistas’, mulheres preparadas para atuar no ensino primário e essenciais para a expansão escolar no estado. Entre elas, destaca-se Aglaé d’Ávila Fontes, 91 anos, professora, escritora, historiadora e dramaturga. Ela cursou o ginásio na Escola Normal e lembra a experiência como uma oportunidade rara de formação intelectual e profissional. “Estudar lá era abrir portas para o conhecimento e para uma profissão respeitada. A formação era rigorosa, mas culturalmente rica”.
Para Aglaé, o legado da escola vai além da docência. “Formou professoras, mas também mulheres conscientes do seu papel na sociedade. Muitas seguiram na educação, outras em diferentes áreas, mas todas levaram consigo os valores aprendidos”. Ao longo de sua trajetória, Aglaé foi a 24ª secretária de Estado da Educação de Sergipe e é atualmente presidente do Instituto Histórico e Geográfico de Sergipe.
A Escola Normal formou pioneiras que se destacaram em diversas áreas, incluindo as primeiras médicas, dentistas e farmacêuticas do Estado. Ex-diretores da instituição também foram homenageados com seus nomes em unidades escolares da rede pública estadual de ensino, como Severino Uchôa, Manuel Luís e Maria das Graças, reforçando a memória e a importância desses gestores para a educação sergipana.
A escola passou por novas denominações: Escola Normal Ruy Barbosa (1923) e Instituto de Educação Rui Barbosa – IERB (1947). “Hoje funciona como Centro de Excelência de Educação em Tempo Integral Ruy Barbosa, oferecendo ensino médio integrado a cursos técnicos para mais de 600 estudantes, em sua maioria mulheres”, destaca a diretora Suely Castro Menezes.
Rede pública hoje
Atualmente, a rede pública estadual de ensino está presente em todo o território aracajuano, com a oferta de 78 unidades escolares para cerca de 40.775 estudantes matriculados. Esse serviço é destinado ao público estudantil da educação básica, que compreende os nove anos do Ensino Fundamental, somados aos três anos do Ensino Médio, além da Educação de Jovens e Adultos e do Ensino Profissional.
Desse universo, 27 centros de excelência oferecem educação em tempo integral, 51 escolas regulares funcionam em tempo parcial e três instituições ofertam Educação Profissional e Tecnológica (EPT), além de um Centro de Referência de Educação de Jovens e Adultos (CREJA), um Centro de Atendimento Educacional Especializado (CAEE) e o Conservatório de Música de Sergipe. A Diretoria de Educação de Aracaju (DEA) também disponibiliza serviços educacionais para adolescentes que estão em privação ou restrição de liberdade, tanto na Unidade de Internação Feminina (UNIFEM) quanto na Unidade Educativa de Internação Provisória (USIP), as quais são unidades socioeducativas da Fundação Renascer. Além dos estabelecimentos educacionais disponíveis em Aracaju, a Seed ainda oferta equipamentos educativos e culturais que contribuem para a formação social e cidadã dos aracajuanos, a exemplo do Arquivo Público Estadual de Sergipe e da Biblioteca Pública Estadual Epiphanio Dória.
Outros dois projetos importantes para a preservação e salvaguarda de documentos da educação sergipana, realizados em parceria com a Universidade Federal de Sergipe (UFS), são: o Centro de Educação e Memória do Atheneu Sergipense (CEMAS) e o Centro de Educação e Memória da Formação Docente do IERB (CIERB). De acordo com a professora do Departamento de Educação da UFS, Rosemeire Costa, os acervos permitem compreender práticas escolares, políticas educacionais e trajetórias de intelectuais e professores que ajudaram a construir a educação pública sergipana. Ambos os espaços são abertos ao público para visitas e consulta.
Para a secretária de Estado da Educação, Gilvânia Guimarães, a presença forte e constante da Rede Pública Estadual de Ensino em Aracaju também deve ser considerada motivo de celebração. “Para além da qualidade e da quantidade de escolas e de instituições existentes no âmbito da Educação, o Governo de Sergipe garante que os serviços ofertados à população aracajuana sejam, a cada novo dia, mais inclusivos e de melhor qualidade para todos e todas. A educação alcança todos os públicos, e ficamos felizes ao ver histórias sendo contadas e futuros sendo construídos”, conclui a gestora.
Ao celebrar 171 anos, Aracaju reafirma o papel central da educação pública na construção de sua identidade. O Centro de Excelência Atheneu Sergipense e o Centro de Excelência de Educação em Tempo Integral Ruy Barbosa, herdeiros das ‘escolas coirmãs’ do século XIX, consolidaram dois pilares fundamentais: a formação intelectual e a formação docente. Em 156 anos, essas instituições acompanharam transformações da cidade, testemunharam mudanças sociais e educacionais e formaram milhares de estudantes, deixando um legado de trajetórias, saberes compartilhados e continuidade de um projeto educacional que atravessa gerações e transforma a sociedade sergipana.











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