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Falta de mão de obra dificulta eficiência logística

No Logistics Summit 2026, organizado pelo Beedoo em São Paulo, executivos de Azul Linhas Aéreas — Cargas, Martin Brower, Casas Bahia Full, Epson do...

14/07/2026 às 16h36
Por: Redação Fonte: Agência Dino
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Pedro Paulo Castro
Pedro Paulo Castro

O debate foi promovido pelo Beedoo durante o Logistics Summit 2026, realizado em São Paulo, e contou com a participação de executivos da Azul Linhas Aéreas – Cargas, Martin Brower, Casas Bahia Full, Epson do Brasil e SGT Log. O encontro abordou a relação entre a escassez de mão de obra, a crescente digitalização das operações logísticas e a necessidade de capacitação para garantir eficiência.

Os palestrantes destacaram que, embora a logística brasileira tenha avançado em rastreamento, automação e inteligência artificial, a produtividade ainda depende da preparação das equipes para operar novos sistemas, processos e informações no cotidiano.

Segundo dados apresentados, o Brasil perdeu 1,1 milhão de motoristas entre 2014 e 2024, reduzindo o total de 5,5 milhões para 4,4 milhões. Apenas 4,1% dos motoristas têm até 30 anos, enquanto 11% têm mais de 70. Levantamentos do ILOS, SETCESP e IRU apontam que 65,1% das transportadoras consideram a contratação de motoristas a função mais difícil, e 44,6% mantêm vagas abertas. No âmbito global, a IRU estima 3,6 milhões de vagas de motorista e prevê a aposentadoria de 3,4 milhões de profissionais até 2029.

Rafael Carrenho, CEO do Beedoo, afirmou que a pressão sobre a logística vem dos custos, da infraestrutura, da tecnologia e da falta de profissionais, e que "a discussão não pode parar na automação; o setor precisa preparar pessoas para operar em um ambiente mais complexo, mais digital e mais exigente".

Marcio Chaer, diretor da Casas Bahia Full, ressaltou a dificuldade crescente de contratar entregadores urbanos, que enfrentam trânsito, múltiplas paradas, contato direto com clientes, risco de roubo e prazos apertados, tornando a função mais complexa em um mercado que oferece alternativas de trabalho mais flexíveis.

Ricardo Silva, diretor da SGT Log, observou que o perfil profissional mudou: "Esse cara tem que ser um profissional, ele tem que ser especializado". Ele explicou que motoristas de entregas, especialmente em segmentos como alimentos e cargas refrigeradas, precisam operar tablets, registrar temperaturas, confirmar recebimentos, usar geolocalização e seguir procedimentos digitais.

A tecnologia, segundo os participantes, já reduz riscos e aumenta a produtividade por meio de rastreamento, sensores, automação e IA, mas seu efetivo aproveitamento depende de treinamento. "A IA não vai substituir o humano; no final do dia, você vai ter que ter pessoas trabalhando em cima disso", disse Ricardo Silva.

Tânia Fernandes, head de Supply Chain & Procurement da Epson do Brasil, destacou a importância da colaboração entre embarcadores, transportadores e demais elos da cadeia para compartilhar rotas, agendas, tecnologia e custos, afirmando que "é preciso ser criativo para combater toda essa questão".

Carrenho concluiu que o desafio não está apenas na adoção de ferramentas, mas na comunicação clara das mudanças, no treinamento contínuo e no acompanhamento da execução. O Beedoo oferece uma plataforma que integra comunicação, capacitação, organização de conhecimento e monitoramento de desempenho para equipes distribuídas em ambientes de alta complexidade.

A discussão reforça que, no contexto logístico atual, a preparação de pessoas para utilizar tecnologia, processos e informações é tão estratégica quanto a própria implementação tecnológica.

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