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UEPG participa da Feira de Cultura Científica Paraná Faz Ciência

A Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) marcou presença na Feira de Cultura Científica Paraná Faz Ciência, realizada em Curitiba, entre os d...

06/11/2026 às 15h51
Por: Redação Fonte: UEPG
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Foto: Reprodução/UEPG
Foto: Reprodução/UEPG

A Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) marcou presença na Feira de Cultura Científica Paraná Faz Ciência, realizada em Curitiba, entre os dias 4 e 6 de novembro. Organizada pelo Novo Arranjo de Pesquisa e Inovação (NAPI) Paraná Faz Ciência, a FECCI tem como propósito estimular a cultura científica e a prática da investigação desde os anos iniciais da Educação Básica, aproximando estudantes, pesquisadores e universidades e a comunidade. O evento é uma realização da Secretaria Estadual de Educação (SEED) e da Secretaria Estadual da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (SETI). Os alunos dos cursos de Engenharia Civil e de Arquitetura da UEPG propuseram uma apresentação utilizando um óculos de realidade virtural, os de Nutrição realizaram demonstrações práticas sobre as informações nutricionais dos alimentos, e as graduandas de Química desenvolveram experimentos físico-químicos.

A professora Luciana Costa, do Departamento de Química, foi uma das professoras que propôs a realização de atividades durante a feira. Ela conta que, “em geral, a comunidade externa acha que a universidade é algo totalmente separado do restante da sociedade. A partir do momento que você tem projetos como esse de divulgação da ciência, elas veem que a Universidade realmente é acessível para elas também e que todo mundo pode ter acesso. Então, não adianta a gente criar um projeto, fazer uma pesquisa fantástica se a gente não tem onde aplicá-la”. Costa acrescenta que a importância da Feira de Cultura Científica está no fortalecimento dos Clubes de Ciência na Rede Básica de Educação. “Os clubes de ciência são fantásticos porque conseguem aproximar os estudantes do Ensino Fundamental e Médio ao conhecimento científico desenvolvido nas universidades. Então, eu acho que eles têm uma pegada super legal”, comenta.

“Principalmente a disciplina da Química, eles não veem que tem uma aplicação absolutamente tudo. Por exemplo, muitas vezes as donas de casa vão lá e fazem aquela misturinha milagrosa que é perigosa e pode causar contaminação. Há produtos de limpeza que não podem ser misturados. Tem gente que já passou mal e que já foi parar no hospital por causa dessas misturinhas milagrosas. A gente não precisa mostrar o lado complicado da química. A química tá em tudo que a gente faz e esta é a questão de divulgar a ciência: mostrar que a química faz parte de tudo”, aponta.

Foto: Reprodução/UEPG
Foto: Reprodução/UEPG

Alunas da UEPG na FECCI

A aluna Taís Novaki da Silva, licencianda em Química na UEPG, começou cedo seu percurso na pesquisa. Durante o Ensino Médio, ela integrou um Clube de Ciências e realizou um projeto de Iniciação Científica Júnior. “A IC Júnior foi maravilhosa na minha vida. Com essa experiência eu consegui ter certeza de qual curso eu queria fazer. Tive muitos incentivos de professores. No ano passado, já na graduação, eu também desenvolvi um projeto de Iniciação Científica e contei com apoio dos meus orientadores para apresentar os resultados no Encontro Anual de Iniciação Científica (EAIC). Depois que eu entrei na Química, eu acho que eu me apaixonei ainda mais. Tenho certeza que foi a melhor escolha que eu fiz diante de tudo que eu vivi”, relata.

No estande da UEPG na Feira de Cultura Científica, as alunas da graduação em Química elaboraram três experimentos. Taís conta que trouxeram “os três que a gente acha mais legal para mostrar para as crianças ou adolescentes, pois eles gostam muito de cores, explosões, fogos. A gente colocou um experimento sobre permanganato de potássio com glicerina. A junção dos dois faz um fogo e as crianças amam. Até os adultos tão achando incrível! Eles estão gostando muito da química nesse quesito. Outro experimento que a gente tá fazendo é o da água furiosa, que muda de cor quando entra em contato com o oxigênio depois de ser agitada. A última nós chamamos de camaleão químico, que também muda de cor na medida em que a criança vai mexendo a solução com um pirulito”.

A graduanda Nayara Aparecida de Lima, aluna do quarto ano da Licenciatura em Química, integra a equipe do projeto de Extensão Divulga Ciência. Segundo ela, o projeto realiza ações de comunicação científica nas redes sociais. “Nós montamos uma página no Instagram e pedimos para as escolas enviarem dúvidas para gente poder responder. No ano passado, a gente levou o projeto também para o Paraná Faz Ciência, que é um evento da SETI Paraná, lá em Guarapuava”, conta. Para ela, a importância da divulgação científica está na desmistificação de que as ciências exatas são muito difíceis. “Então, normalmente quando a população ouve a palavra química, elas têm tendência a associar a coisas ruins. Por exemplo, quando falam que algo ‘não tem química’, associam a coisas melhores, mais saudáveis. Quando a gente leva essa desmistificação da palavra química, eu acho que auxilia muito para eles entenderem que a química está em exatamente todo processo que acontece. Desde quando você levanta até a hora que você vai dormir, tem química acontecendo”, diz.

Já Elisa Frendine dos Santos está no quarto ano do Bacharelado em Química na UEPG. Em sua perspectiva, os alunos da rede básica ficaram encantados por todos os experimentos realizados pelas acadêmicas na FECCI. Ela acredita que uma ação como essa é importante porque, em muitos casos, “é algo que eles não veem no dia-a-dia, né? Foge do cotidiano deles, ainda mais que em muitas escolas não há um laboratório, ou não têm reagentes. Os professores têm que seguir uma carga horária específica, então, eu acho que por ser algo diferente, já acende os olhos das crianças”, afirma. E complementa: “Eu acredito fielmente que essas ações são muito importantes para mostrar para as crianças que elas podem sim ser cientistas, que não é aquele estereótipo de homem branco maluco que tá na ciência, que pode ter uma mulher fazendo ciência, que pode ser uma criança, que não importa a cor da pele, não importa se ela é rica, se ela é pobre, que ela tem que tá lá fazendo isso se ela quiser. Então, eu espero que estejam sendo plantadas sementinhas de cientistas e de universitários de qualquer curso, por que não, né?”.

Ela também afirma que a presença das mulheres na Ciência é um assunto que deve chegar nas escolas, buscando inspirar meninas e adolescentes a buscarem a carreira na Universidade. “Eu reconheço que, durante meu período escolar, não tive muito estímulo e acesso a referências de mulheres cientistas. Entretanto, agora na graduação, grande parte das minhas professoras são mulheres e são pesquisadoras muito renomadas. Perceber que a UEPG é um ambiente muito favorável para as mulheres me deixa muito feliz. Realmente, é isso que eu quero, eu posso estar aqui e quero atingir os mesmos cargos como os das minhas professoras futuramente”, relata.

Clubes de Ciência

A aluna Bárbara Eugênio de Souza Carvalho (16) está na terceira série do Ensino Médio do Colégio Estadual Regente Feijó, em Ponta Grossa. Ela participa do clube Exploradores da Ciência, coordenado pelo professor Elias Costa. Para o desenvolvimento do projeto apresentado na Feira, ela e suas colegas investigaram a história da aromaterapia e da musicoterapia. Ela conta que aprenderam técnicas laboratoriais durante as aulas do clube. “Extraímos o eugenol do cravo e o limoneno das cascas de limão. Depois da extração dos óleos, a gente se concentrou em fazer a produção de perfumes e de álcool em gel, porque eles podem ser utilizados junto com a aromaterapia no cotidiano das pessoas”, diz.

Foto: Reprodução/UEPG
Foto: Reprodução/UEPG
O professor Elias Costa, que também é docente do Departamento de Química da UEPG, relata que o foco do Clube de Ciências é preparar os alunos com conteúdo das ciências da natureza, principalmente química, física e biologia, a partir da mudança promovida pelos novos itinerários formativos propostos pela Secretaria de Educação. “Nossas aulas são muito práticas e os projetos são desenvolvidos por eles mesmos, a partir dos assuntos que eles têm curiosidade. Por exemplo, nós estávamos estudando química orgânica e surgiu a curiosidade deles de como eram feitas as essências e os óleos essenciais. E quando a gente fez as extrações dos compostos, os alunos puderam enxergar na prática os conteúdos de química orgânica”.

Sobre a FECCI

Nesta edição, foram inscritos 1.192 trabalhos, dos quais 688 foram selecionados para a exposição presencial. Os projetos são avaliados nas categorias FECCI Kids, Júnior e Jovem, que contemplam estudantes do Ensino Fundamental, Ensino Médio, Educação Profissional Técnica e Educação de Jovens e Adultos.

As pesquisas contemplam diferentes áreas do conhecimento, como Ciências da Saúde, Biológicas, Exatas, Humanas, Agrárias, Inovação Tecnológica e Robótica. A maior parte dos trabalhos foi desenvolvida nos clubes de ciências que integram a Rede Paraná Faz Ciência, iniciativa que estimula a investigação científica no cotidiano escolar. A edição também conta com a participação de estudantes de escolas particulares.

Texto e fotos: Flávio Crispim

Foto: Reprodução/UEPG
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