

A cultura ainda mantém viva a ligação da população com o centro de Teresina, região que já foi o coração dos principais eventos da cidade. As praças, os casarões e prédios históricos que ainda estão preservados são justamente os que abrigam as manifestações culturais que resistem. E, assim como nas décadas áureas, o corredor cultural da Praça Pedro II segue acolhendo o público e proporcionando a aproximação do povo com a arte.
Principal casa de espetáculos do Piauí, prestes a completar 136 anos, o Theatro 4 de Setembro tem sua trajetória confundida com a própria história de Teresina, que faz 173 anos, neste sábado (16). Erguido a partir da iniciativa de um grupo de mulheres, que reivindicaram ao presidente da então província Teófilo Fernandes dos Santos a construção de um teatro moderno e confortável, essa casa permanece sendo palco das maiores apresentações culturais da capital. O prédio, que se conjuga com o Clube dos Diários, a sala Chico Pereira, o espaço Osório Júnior e a galeria, já passou por reformas e restauração, mantendo a opulência que lhe é devida.

Entre 1960 e 1990 ocorreram períodos de intensa produção cultural e movimentação nesse corredor. As tertúlias e o Salão de Humor, evento que ocorreu por muitos anos, são exemplos da transformação pela qual passou a cultura dessa época. Durante a pandemia, esse corredor se esvaziou e deu lugar, provisoriamente, às produções virtuais, com lives transmitidas pelo YouTube, como lembra João Vasconcelos, diretor do Theatro 4 de Setembro. “Foi um período muito difícil, mas não paramos. Seguíamos todo o protocolo de segurança, com uso de máscara, testagem da equipe e, assim, conseguimos manter as apresentações, mesmo que reduzidas. Os artistas recebiam seus cachês e nós arrecadamos doações para aqueles que não poderiam se apresentar”, relembrou.

Hoje, resistem projetos como o Boca da Noite, que iniciou sua nova temporada, nesta semana, com show do parnaibano Teófilo Lima; o Seis&Meia, com apresentações de artistas de renome nacional que garantem casa cheia; o Terças da Casa, destinado a bandas e grupos piauienses com o objetivo de apresentar o melhor do que é produzido aqui. “Não sei se ainda é reflexo da privação que sofremos na pandemia, mas desde o ano passado o Theatro tem toda a sua pauta completamente cheia, o ano todo, com nossos projetos e apresentações privadas. Nossa equipe está trabalhando diariamente, sem folga. Isso é maravilhoso porque demonstra que tudo que fazemos agrada ao público”, comenta João Vasconcelos.

Atravessando a praça Pedro II, a Central de Artesanato Mestre Dezinho abriga os grandes nomes da arte santeira, do bordado e crochê, da pintura e escultura tão característicos do Piauí. O prédio passa por uma reforma que, mesmo antes de ser finalizada, já devolveu ao prédio histórico o devido destaque na paisagem urbana. A pintura marrom com o detalhamento dos janelões e gradios em branco, faz a arquitetura saltar do chão e provocar em quem passa pela sua frente a curiosidade de conhecer sua história. Lá funcionam a Escola de Dança Lenir Argento e a Escola de Música Possidônio Queiroz, estruturas indispensáveis para a formação dos futuros artistas piauienses. Além das 28 lojas que comercializam o artesanato, o prédio possui auditório e um pátio central, que já recebeu inúmeros eventos, como o Salão de Humor e festivais de música de porte nacional.
“A Central de Artesanato Mestre Dezinho é mais do que um espaço de comércio, é um verdadeiro ponto de encontro da cultura piauiense. Aqui, valorizamos o talento dos nossos artesãos, incentivamos a produção local e proporcionamos aos visitantes uma experiência única de imersão na riqueza cultural do nosso estado. Com a requalificação em andamento, estamos modernizando os espaços, tornando a Central mais acessível, segura e acolhedora, reforçando o papel dela como um destino turístico essencial em Teresina e um ponto de orgulho para todos os piauienses”, afirma o superintendente da Superintendência de Desenvolvimento do Artesanato Piauiense (Sudarpi), Ícaro Machado.

E no centro desse corredor cultural está a praça Pedro II, surgida junto com a própria cidade, há 173 anos. Já passou por reformas que a descaracterizaram completamente o seu projeto inicial, mas segue sendo abrigo para os boêmios, que aproveitam os fins de tarde contemplando o ir e vir do comércio. Seu coreto também é o ponto de encontro dos sambistas teresinenses, com público fiel que insiste em demonstrar que o ritmo e o lugar importam. Ela que abriga também uma das únicas bancas de jornal que restam na cidade e um letreiro que reforça o amor que se deve ter pela cidade onde se mora.


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