

Artesanato retrata Mato Grosso do Sul e, consequentemente, toda a diversidade cultural e étnica que compõem a formação histórica e social dos sul-mato-grossenses
Com originalidade, identidade regional e forte conexão com saberes tradicionais, o artesanato de Mato Grosso do Sul vem conquistando visibilidade, movimentando a economia e se consolidando como um dos pilares do mercado criativo no Estado. Nomes diversos personificam essa força social, que transforma objetos em memórias de nossa história e riquezas.
Atualmente, mais de 8 mil artesãos estão oficialmente cadastrados como tal, exercendo produção ativa nas mais diversas tipologias, como argila, cerâmica, madeira, fibras, tecelagem, pintura e escultura. Desses, cerca de 4 mil profissionais fornecem sua arte diretamente para a Casa do Artesão de Campo Grande - espaço que funciona como vitrine do artesanato local.
Entre tantos artesãos está Jane Clara Arguello, natural de Corumbá. Mestra artesã, ela também é designer, artista plástica, restauradora de imagens sacras e ceramista, atuando no setor desde 1991. Formada em Artes Visuais e com pós-graduação em Artesanato Empreendedor e Cultura Regional, ela é referência na cerâmica artística de Mato Grosso do Sul.
"Cada peça que produzo carrega uma história. É arte, é memória, e também é ferramenta de transformação", afirma Jane, que em sua produção une técnica, expressão e sensibilidade, utilizando materiais recicláveis e naturais, como fibras, PETs e malotes, além de integrar cerâmica e vidro em peças vibrantes que retratam mulheres indígenas, negras e japonesas.
As peças de Jane, assim como a de outros milhares de artesãos, encontram um setor fortalecido e que passa por recentes ações de profissionalização e incentivo à comercialização, apoiadas diretamente pelo Governo do Estado, através da Setesc (Secretaria de Turismo, Esporte e Cultura) e da FCMS (Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul).
Só em 2024, essas ações do Estado dirigidas ao setor geraram mais de R$ 4 milhões em movimentação direta, considerando feiras, rodadas de negócios, vendas institucionais e o comércio contínuo na Casa do Artesão. Em apenas uma feira, as vendas de peças artesanais podem ultrapassar R$ 300 mil, demonstrando o potencial econômico do segmento.




Outra história que inspira é a da mestra tecelã Josefa Marques Mazarão, de Caarapó. Nascida em Castilho (SP), ela chegou ao Mato Grosso do Sul em 1957, quando a família migrou para trabalhar na lavoura de café. Depois de décadas como cozinheira e funcionária de cooperativa, descobriu o tear no quintal de casa durante o ano 1997.
A partir de lã de carneiro doada por fazendeiros locais, cascas de legumes e ervas nativas da região, iniciou um trabalho de tingimento natural que se tornaria referência. Em 2002, fundou a Associação de Arte e Artesanato Vale da Esperança, junto a um grupo de mulheres, e passou a ensinar tecelagem, tingimento e fiação para outras trabalhadoras.
"A lã é meu fio com a vida. Ensinar e ver outras mulheres crescendo com o artesanato é minha maior conquista", conta a artesã, que ao longo dos anos viu suas peças circularem por feiras em diversos estados e sendo utilizadas por artistas, personalidades e figuras públicas por todo o Brasil, evidenciando a cultura de Mato Grosso do Sul.
Já na Aldeia Cachoeirinha, em Miranda, a sabedoria ancestral da cerâmica Terena ganha vida com o trabalho da artesã Rosenir Batista, que atua há mais de 49 anos. Ela aprendeu as técnicas tradicionais com a avó, desde a escolha da argila nas margens dos rios até o processo de brunimento e a queima das peças em buraco com lenha.
Seu trabalho foi se aperfeiçoando com o tempo, passando de pequenas esculturas de bichinhos pantaneiros a utensílios e peças decorativas que hoje integram coleções em todo o país. As criações de Rosenir são comercializadas por grandes marcas, como Tok&Stok, e já estiveram expostas em espaços como o Museu de Arte de São Paulo.
"Quando modelamos uma peça, estamos moldando também a memória do nosso povo. É isso que carrego e quero deixar de legado", afirma Rosenir.
Ela repassa seu conhecimento para filhas e netas, mantendo viva a tradição de sua etnia e garantindo o sustento da família. Em 2023, foi homenageada com a Medalha Conceição dos Bugres, maior honraria da cultura popular sul-mato-grossense.

Abertura de mercados e valorização das peças
O crescimento do setor está diretamente ligado à abertura de mercados e ao aumento da qualificação técnica dos produtos. A participação em feiras nacionais e internacionais, rodadas de negócios e exposições tem permitido aos artesãos alcançar novos públicos e comercializar suas peças com maior valor agregado.
Parcerias como a realizada com a Apex-Brasil possibilitaram a presença de artesãos de Mato Grosso do Sul em uma feira na Colômbia, com repercussões comerciais que seguem ativas. Compradores da China, Emirados Árabes, Peru e Europa também participaram de rodadas promovidas no Estado, confirmando o interesse internacional pelo artesanato sul-mato-grossense.
Mesmo com a diversidade de estilos e a riqueza cultural, muitas peças ainda são subvalorizadas no mercado interno. Em espaços como lojas de aeroporto ou galerias de arte, produtos similares chegam a custar até cinco vezes mais do que o valor praticado localmente, o que reforça a importância da valorização da produção artesanal e de políticas públicas voltadas à comercialização.
Atualmente, o artesanato sul-mato-grossense marca presença em pelo menos sete feiras nacionais por ano, com destaque para eventos em São Paulo, Minas Gerais, Pernambuco, Ceará, Paraná e Distrito Federal. A participação nesses circuitos amplia o alcance dos produtos, gera novas parcerias e ajuda a consolidar a imagem do Estado como referência em diversidade e autenticidade artesanal.
Além do impacto econômico, o setor cumpre um papel fundamental na inclusão social e cultural. Oficinas, cursos e projetos de capacitação têm mudado a realidade de muitas famílias, principalmente entre mulheres, idosos, indígenas e jovens em situação de vulnerabilidade. O artesanato é também uma ponte entre gerações, permitindo que saberes antigos permaneçam vivos e relevantes na atualidade.
Iniciativas inovadoras, como a startup Bruaca, que atua com foco em impacto socioambiental, também têm contribuído para conectar os artesãos a consumidores conscientes, fortalecendo uma cadeia mais justa, sustentável e culturalmente rica.




Ações do Governo do Estado
O Governo de Mato Grosso do Sul, por meio da Fundação de Cultura, tem investido de forma consistente no setor artesanal. Desde 2007, o projeto Artesania/MS atua em diversas frentes: capacitação técnica e artística, participação em feiras e eventos regionais, nacionais e internacionais, criação e manutenção de Casas do Artesão no interior do Estado, rodadas e expedições de negócios com lojistas e curadores, aquisição de peças artesanais como brindes institucionais do governo, inserção do artesanato nas pautas de políticas públicas e editais federais.
Essas ações têm contribuído diretamente para a profissionalização dos artesãos, aumento das vendas, geração de renda e valorização da cultura regional.
Mais do que um setor produtivo, o artesanato é expressão de pertencimento, história e identidade cultural. Cada peça carrega saberes, gestos e sentimentos que atravessam gerações e traduzem a alma do povo sul-mato-grossense.
Com produtos únicos, autorais e cheios de significado, os artesãos do Estado seguem ocupando espaços de destaque, elevando a imagem de Mato Grosso do Sul dentro e fora do Brasil. O setor avança, e com ele cresce o reconhecimento de que cultura, economia e inclusão social podem e devem caminhar juntas.
Taynara Foglia, Comunicação Governo de MS
Fotos: Álvaro Rezende/Secom
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