

Marta Costa celebra a força do filho Miguel, de 13 anos, em tratamento contra o câncer infantojuvenil no Hias
Quando as dores no joelho começaram, Miguel, de 13 anos, levava uma vida comum: frequentava a escola, jogava bola e soltava pipa com os amigos. Pouco tempo depois, a rotina mudou. O incômodo se intensificou, o joelho inchou e a dor não passava. Até que veio a confirmação: osteossarcoma, um tipo de câncer ósseo.
Durante dois meses, a mãe, Marta Costa, acreditou que tudo era consequência de um acidente no qual o filho havia deslocado a patela. “No começo foi muito difícil. Passamos noites sem dormir, sem entender o que estava acontecendo. Até que fomos encaminhados para o Hospital Infantil Albert Sabin (Hias), e tudo mudou. Os exames foram rápidos e logo tivemos a confirmação do diagnóstico e o início do tratamento”, relembra. A unidade da Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa) é referência nesses casos.

A oncologista pediatra Patricia Narelly fala sobre a importância do diagnóstico precoce no combate ao câncer infantojuvenil
Histórias como a de Miguel reforçam a importância do Setembro Dourado, campanha dedicada à conscientização sobre o câncer infantojuvenil. O objetivo do mês é alertar para os sinais da doença e destacar que o diagnóstico precoce pode garantir até 80% de chances de cura, segundo o Instituto Nacional do Câncer (Inca).
Além disso, ainda segundo o Instituto, apesar de raro, o câncer infantojuvenil é a principal causa de morte por doença entre crianças e adolescentes de 1 a 19 anos. Por isso, no Centro Pediátrico do Câncer (CPC) do Hias, referência no Estado, o atendimento funciona em modelo de porta aberta: crianças e adolescentes com suspeita de câncer podem ser encaminhados diretamente para avaliação, sem precisarem de encaminhamento.
Segundo a oncologista pediatra do hospital, Patricia Narelly, os tipos mais comuns de câncer em crianças e adolescentes são leucemias, tumores do sistema nervoso central (SNC) e linfomas. Nos primeiros 6 meses de 2025, o Hias atendeu 102 crianças com diagnósticos positivos para o câncer, sendo 32% dos casos de leucemias, 19% de tumores de SNC e 11% de linfomas.

No Hias, assistência em saúde e acolhimento caminham juntos para garantir tratamento a crianças e adolescentes cearenses
“Os sintomas podem se parecer com os de doenças comuns, mas precisam ser bem observados quando persistirem: febre prolongada, manchas roxas sem trauma, caroços no corpo, dores ósseas intensas, vômitos matinais, palidez e perda de peso sem explicação são sinais de alerta”, explica a médica.
O câncer infantojuvenil, acrescenta a médica, responde melhor ao tratamento porque as células das crianças são mais sensíveis à quimioterapia. Mas, no Hias, não é só a tecnologia que conta: “o acolhimento é parte fundamental. A criança precisa se sentir segura, amada e acolhida. Cada gesto de apoio faz diferença”, reforça.
No caso de Miguel, o tratamento exigiu a amputação de uma das pernas. A adaptação foi difícil, mas não o impediu de continuar vivendo a adolescência. “Hoje, dentro dos limites, eu continuo jogando bola, soltando pipa e vivendo a minha vida”, conta o garoto.
Para Marta, a trajetória do filho é motivo de orgulho. “Ver o meu filho sorrindo, cheio de vida depois de tudo, me deixa emocionada. Aqui no Hias fomos acolhidos de verdade e isso fez toda a diferença”, conclui.
O Hias, em parceria com a Associação Peter Pan (APP), instituição que acolhe com projetos sociais os pacientes assistidos no Centro Pediátrico do Câncer, está promovendo ao longo do mês uma série de ações e atividades voltadas à conscientização sobre o câncer infantojuvenil. Profissionais de saúde, instituições de ensino, famílias e sociedade em geral participam de eventos educativos, encontros acadêmicos e campanhas, reforçando a importância do diagnóstico precoce e do atendimento humanizado.
Confira:
11/09 – Aula sobre diagnóstico precoce do câncer infantojuvenil com o oncologista pediátrico Eugenio Pacelli, na Universidade Estadual do Ceará (Uece).
12/09 – Reunião com secretários de saúde municipais do Ceará para reforçar o fluxo de encaminhamento de pacientes pediátricos com suspeita de câncer.
13/09 – Campanha nacional “De Olho nos Olhinhos”, de conscientização sobre o retinoblastoma, no shopping RioMar.
15/09 – Aula sobre diagnóstico precoce do câncer infantojuvenil, na Universidade de Fortaleza (Unifor).
17/09 – Celebração de um ano do projeto Hora Dourada* no Hospital Infantil Albert Sabin (Hias), com momentos de comemoração e conscientização de profissionais e familiares.
25/09 – Encerramento da campanha do Setembro Dourado com caminhada na avenida Beira Mar, em parceria com assessoria de corrida.
26/09 – Celebração da campanha no Centro Pediátrico do Câncer (CPC), com divulgação de políticas públicas e Registros Hospitalares de Câncer (RHC) do Hospital.
*A Hora Dourada é um projeto global cujo objetivo é garantir que pacientes oncológicos com febre recebam a primeira dose de antibiótico em até 60 minutos, reduzindo riscos de complicações graves ou óbito.
Saúde Caso confirmado de sarampo acende alerta sobre cobertura vacinal
Sergipe SergipePrevidência celebra 20 anos com avanços na gestão e reconhecimento nacional
Mato Grosso do Sul Tuberculose ganha monitoramento mais estratégico com regionalização da saúde prisional
Mato Grosso do Sul Rota do Ônibus do Hemosul amplia doações percorrendo municípios do interior de MS
IPE Saúde IPE Saúde encerra primeiro ciclo do Programa Mais Assistência com 6.891 inscrições para credenciamento médico
Saúde Estado lança Ambulatório de Especialidades de Curitiba com investimento de R$ 22,5 milhões Mín. 19° Máx. 31°





