


Equipe do Banco de Olhos do HGF pronta para mais uma coleta
Segunda-feira, 2 de setembro de 2025, às 14 horas. A equipe do Banco de Olhos do Hospital Geral de Fortaleza (HGF), equipamento da Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa), está em alerta: recebeu a informação de outra unidade hospitalar de que havia um doador de globo ocular disponível. Isto representa mais uma córnea, que será destinada a um paciente necessitado de um transplante.
A enfermeira Hanna Gadelha e a técnica de enfermagem Roberta Abreu se dirigem com rapidez para o hospital onde os olhos estão. O tempo é essencial para a recepção bem sucedida do órgão. “Quando retornamos ao Banco de Olhos, nós retiramos o globo ocular do doador e o acondicionamos em um recipiente apropriado com soro fisiológico e colírio antibiótico. Esse procedimento precisa ser realizado em até seis horas após a parada cardiorrespiratória”, relata Hanna. A captação do tecido só é realizada, após entrevista e aprovação por parte da família, na unidade captadora.

É neste cooler que os órgãos ficam armazenados até a chegada ao hospital
Após o devido condicionamento do órgão, é hora de retornar ao HGF. Às 16h50, as profissionais retornam ao terceiro andar do hospital, para, daí, realizar as análises necessárias. “Realizamos um exame no microscópio para analisar a saúde da córnea. Se ela for considerada viável, nós a extraímos e a colocamos em uma solução de preservação, na qual pode permanecer por até 14 dias”, complementa a enfermeira.
A extração da córnea é realizada em uma “capela laboratorial”, equipamento que previne a entrada de partículas contaminantes durante a manipulação de um objeto. A profissional que manipula o globo ocular também realiza a higienização das mãos de forma correta, para que a córnea não seja infectada durante sua manipulação.

São realizados exames minuciosos para garantir a integridade e usabilidade da córnea
O cuidado é uma constante no processo. Após a confirmação de viabilidade da córnea, é realizada sorologia para verificar se o doador tinha alguma doença infecciosa, como HIV ou hepatite. “Além disso, realizamos uma contagem para determinar a densidade de células da córnea. Um médico oftalmologista também faz uma avaliação criteriosa das condições gerais do tecido. E, caso o doador estivesse internado por um longo período, coletamos uma amostra para cultura, a fim de descartar infecções”, pontua Hanna.

163 transplantes de córnea foram realizados até o momento em 2025, no HGF
Até o dia 24 de setembro de 2025, foram realizados 1.504 transplantes de órgãos em todo o Ceará. Destes, 1.006 foram de córnea e cinco de esclera (também conhecido como “branco do olho”, um tecido fibroso externo, que reveste o globo ocular).
Na unidade referência no estado em transplantes de córnea, o HGF, foram realizados 169 transplantes até 29 de setembro de 2025. Em 2024, o número de procedimentos foi de 233. A pequena Angela Bianca Lacerda Farias, de 3 anos, foi uma das que receberam uma córnea este ano. A curta trajetória de vida contrasta com a longa história em busca de algo que, para muitos, é simples: dignidade.
“Desde a maternidade, víamos uma manchinha no olho dela. Tivemos sorte em ela ter sido rapidamente diagnosticada com síndrome de DiGeorge [imunodeficiência congênita que afeta a produção de certos linfócitos que auxiliam na defesa do organismo, entre outras características], mas, sobre a visão dela, os médicos oftalmologistas que a examinaram disseram que seria algo difícil”, relembra Fernanda Lacerda, mãe de Bianca.

Fernanda e sua filha, Bianca, recém-transplantada
Após uma série de consultas e exames, foi constatada a necessidade de um transplante de córnea, pois a “mancha” trazia uma série de inconvenientes – desde a dificuldade para a realização de exames mais profundos até a segregação social. “Ela passava por muitas situações no parquinho, com colegas e com amigos. Sempre que a gente saía, perguntavam sobre o olho dela, e ela foi excluída [das rodas de brincadeira] por conta disso”, lamenta Fernanda.
A cirurgia foi feita em agosto, e a recuperação de Bianca foi rápida. Hoje, é possível encontrar a menina realizando normalmente as atividades de uma criança comum, como ir à escola e brincar. Ela, entretanto, tem mais um desafio: após o transplante, foi detectada uma catarata congênita. Só foi possível identificar a doença após o procedimento. Porém, a família não esconde o sentimento de gratidão pela vitória da garota: “Isto nos emociona porque realmente [o transplante] transforma vidas e [no caso de Bianca] possibilitou que ela, a cada dia, possa progredir”, diz a mãe.

Qualidade de vida de Bianca melhorou após o transplante de córnea
Durante o mês de setembro, a Sesa divulga uma série de reportagens que abordam a doação de órgãos, reforçando a importância do ato e, também, o esforço conjunto entre profissionais da saúde e familiares para que vidas sejam transformadas. A série tem alusão à campanha Setembro Verde, que aborda a conscientização para a doação de órgãos e tecidos.
Acompanhe em #setembroverde2025
Para doar órgãos e tecidos, é fundamental avisar à sua família sobre esse desejo. É ela quem dará a autorização no momento da doação. No Ceará, são realizados transplantes de rim, fígado, pulmão, pâncreas, coração, medula óssea, córnea e válvulas cardíacas.
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