

Em 26 de abril é celebrado o Dia Nacional de Prevenção e Combate à Hipertensão. Diante disso, a Maternidade Nossa Senhora de Lourdes (MNSL), equipamento da Secretaria de Estado da Saúde (SES) e referência estadual em partos de alto risco, alerta sobre os cuidados da hipertensão na gravidez. A pressão alta no ciclo gravídico-puerperal, que é desde a concepção até o pós-parto, pode ser muito grave, ocasionando problemas sérios para a mãe e o bebê como a pré-eclâmpsia e o parto prematuro.
De acordo com o ginecologista e obstetra da MNSL, Márcio Alves, durante a gestação existe um foco distinto mais relacionado ao ciclo gravídico-puerperal, em que se tem a hipertensão já existente e as hipertensões que podem surgir ou se agravar na gravidez. A hipertensão arterial crônica é aquela em que a mulher já tinha antes da gestação e existe a que aparece na gravidez, a hipertensão gestacional.
“Os dois tipos podem desencadear em uma pré-eclâmpsia, que é a principal causa de morte materna no ciclo gravídico-puerperal no Brasil e a prematuridade gerada por pré-eclâmpsia é a principal causa de morte neonatal e perinatal nessas crianças que, em função da prematuridade, tiveram que nascer para que não se complicasse o quadro, tanto delas quanto da mãe”, explicou.
Segundo o médico, a hipertensão arterial crônica com pré-eclâmpsia sobreposta é aquela hipertensão crônica que a paciente já tinha antes da gravidez ou que diagnosticou na primeira metade da gestação, porque a pré-eclâmpsia e a hipertensão gestacional são, exceto em algumas situações muito específicas, pertinentes à segunda metade do ciclo. “Muitas vezes a paciente não sabe que é hipertensa e só descobre quando inicia o pré-natal, agravando o quadro”, informou.
Ele explicou que a hipertensão é caracterizada quando se verifica a pressão arterial duas vezes em condições ideais e ela dá acima de 140 x 90 mmHg. “Se a paciente está nervosa, estressada, ela pode ter uma aferição de pressão não condizente com um diagnóstico de hipertensão. Mas deixando ela descansar, medindo e tendo uma segunda medida com um intervalo de tempo, e ratificando essa aferição de 140, então classificamos com hipertensão crônica e dependendo da época em que for diagnosticada, pode ser já com a pré-eclâmpsia ou com a hipertensão gestacional” pontuou.
O médico acrescentou que a pré-eclâmpsia pode vir a se desenvolver um pouco mais cedo do que a hipertensão gestacional, pode comprometer o bem-estar materno e fetal, gerando quadros muito graves, como edema agudo de pulmão, infarto, acidente vascular cerebral (AVC), tromboembolismo venoso, como comprometimento do bem-estar fetal. “O feto cresce menos, produz menos líquido e pode entrar em sofrimento. E também com o quadro que culmina com as convulsões, que é a eclâmpsia. Enfim, a pré-eclâmpsia é a hipertensão antes das convulsões e ela evoluindo para a gravidade pode chegar no quadro final que é o quadro de convulsão, a eclâmpsia”, relatou Márcio.
Prevenção
Márcio Alves explicou que em termos de prevenção e das situações de gravidade da pré-eclâmpsia, existem medidas que, se universalmente utilizadas de acordo com a indicação, se consegue no mínimo 75% de prevenção, que é muito bom. “Coisas muito simples como ácido acetilsalicílico (AAS), e cálcio, que agora a Federação Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia e a Organização Mundial da Saúde (OMS) determinaram a suplementação de cálcio na gestação. A prevenção primária é muito importante e salva vidas. Então, utilizar AAS e cálcio, identificando os fatores de risco, com uma avaliação mais acurada, e com alguns parâmetros que utilizamos, podemos aumentar essa eficácia para até 95% de prevenção de fatores de desenvolvimento de pré-eclâmpsia”, informou.
Para o médico, o pré-natal é a forma mais relevante de prevenção. “Aqui na maternidade tem chegado muitos casos de hipertensão, de hipertensão com pré-eclâmpsia sobreposta, de pré-eclâmpsia com sinais de gravidade, de hipertensão gestacional, até porque aqui é a única maternidade de alto risco do estado de Sergipe. Então, todas essas pacientes com quadros mais graves vêm para cá. Existem outros diversos casos de patologia obstétrica, mas a maior prevalência é de pré-eclâmpsia, diabetes e bolsa rota. Muitos desses casos que chegam aqui foi porque não se priorizou o pré-natal”, alertou o médico
Valéria Santana, 30, natural de Lagarto, é mãe de um menino de dois anos e teve uma filha prematura, devido a uma pré-eclâmpsia. “Eu não tinha pressão alta antes do meu primeiro filho, mas apareceu na gravidez dele e agora novamente na gestação da minha filha. Eu fui para a última consulta lá em Lagarto e o médico de lá me encaminhou imediatamente para fazer o parto aqui porque eu já estava com a pré-eclâmpsia. Apesar de a minha filha ter nascido com 37 semanas e cinco dias, graças a Deus deu tudo certo e estamos as duas muito bem”, contou.


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