

Selecionadas para representar o Paraná no Festival da Seda de Lyon (Silk in Lyon), um dos principais eventos mundiais do setor, as agricultoras Diovane Plep Machado Moro, de Palmital, e Maria Rosa Pires de Sousa, de Godoy Moreira, embarcaram nesta quarta-feira (19) para a França.
As duas conquistaram o direito de carimbar o passaporte para a primeira viagem internacional da vida delas ao vencerem o Concurso Seda Paraná, iniciativa inédita do Governo do Estado, por meio da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento (Seab) e do Gabinete da Primeira-Dama, Luciana Saito Massa, em conjunto com a Invest Paraná.
“Tive a oportunidade de visitar o Festival da Seda e, ao ver de perto esse trabalho, pensei que as produtoras paranaenses também deveriam participar desse evento. Porque é o trabalho diário delas que faz com que a seda do Paraná seja transformada em verdadeiras obras de arte. É um orgulho ver que as mulheres estão à frente dessa produção”, disse a primeira-dama.
Para poderem acompanhar de pertinho o evento, entre os dias 20 e 23 de novembro (quinta-feira a domingo), tiveram de superar uma concorrência pesada. Ao todo, 430 produtoras, de 80 cidades, se inscreveram no Seda Paraná. Os principais critérios para a seleção foram o volume de produção de casulos de primeira por área de amoreira – árvore cujas folhas são utilizadas para a alimentação do bicho-da-seda – e o teor da seda produzida.
Diovane ficou em primeiro; Maria Rosa, em segundo. Ambas confessaram ter entrado na disputa sem esperança de chegar longe. “Quando o técnico veio fazer a inscrição, eu dei meu nome, mas não via chance. Eram muitas agricultoras. A curiosidade aumentou, a ansiedade também, quando fomos passando de fase. Chorei muito quando veio o resultado. É um momento muito diferente, nunca tinha passado por uma alegria dessas na minha vida”, afirmou Diovane.
Ela tem uma relação antiga com a seda. A família dela e a do marido já trabalhavam com os bichinhos e eles decidiram seguir o mesmo caminho, iniciando a atividade em 2013, pouco depois de se casarem.
Maria Rosa, por sua vez, pensava que a falta de experiência pesaria contra ela no concurso, já que só lida com a seda há um ano e meio, apesar de ter o exemplo do pai, que também era do ramo. Segundo ela, o que passou na cabeça assim que soube do resultado foi uma espécie de autorreconhecimento. “Devo ter trabalhado muito bem para ter esse rendimento”, disse. A surpresa se transformou em ansiedade em cruzar o Oceano Atlântico. E não é para menos.
O objetivo de premiar a dupla com a viagem é proporcionar às sericicultoras uma imersão no mundo da seda, mostrando como o trabalho delas se conecta com a indústria de moda de grife internacional. A programação será intensa, incluindo visita ao atelier e à tecelagem industrial da Hermès – onde o fio produzido no Paraná é transformado em itens de luxo –, ao museu da história da seda de Lyon e ao mercado gastronômico da cidade.
“Estou ansiosa para ver como que eles produzem a seda, depois as roupas, ver todo o processo. Acredito que trarei um bom aprendizado de lá e que vou poder passar adiante”, resumiu Maria, que viaja com a amiga Léia e um bebê de apenas 15 semanas. O marido, Hélio, ficou em casa para cuidar da criação e do filho Rafael, de 12 anos.
Compartilhar o que chama de experiência única é a mesma ideia de Diovane, que não esconde também outro sentimento que leva na bagagem. Ela vai a Lyon com o marido Adriano, enquanto os filhos David, de 14 anos, e David, de 4, ficarão com parentes. “Sinto-me muito orgulhosa. Quer dizer, é fruto do meu trabalho, de toda a minha dedicação. Vejo que meu esforço, que de cada momento que eu tirei para ir lá cuidar dos bichinhos, valeu a pena. Vamos poder ver o resultado disso”, falou, sobre a agenda para conhecer a fabricação das roupas com a matéria-prima que vem do quintal de casa. “Estou muito curiosa para ver cada peça, as cores”, finalizou.
PRODUÇÃO– O Paraná é atualmente o maior produtor de fio de seda do Brasil. Segundo o Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria Estadual de Agricultura e do Abastecimento, o Estado é responsável por 86% da produção nacional. A matéria-prima é exportada para países como França, Itália, Índia, Japão e China.
No ano passado, o Valor Bruto da Produção (VBP) alcançou R$ 44,4 milhões, com a produção de 1,35 mil toneladas de casulos e 2.460 hectares de amoreiras plantadas. A criação de bicho-da-seda no Paraná é feita primordialmente por agricultores familiares, envolvendo aproximadamente mil famílias de 148 cidades.
Conhecer melhor esse mercado, desde a base, e estimular seu crescimento, foi a mola propulsora do Concurso Seda Paraná, mas com um olhar bastante específico também. “Tivemos um trabalho longo, elaborado com diversas instituições parceiras, e o resultado foi Interessante em termos de análise dos dados coletados para a própria atividade da sericicultura”, explicou Gianna Maria Cirio, engenheira agrônoma da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento, e uma das coordenadoras do Concurso Seda Paraná, junto com o IDR-Paraná (Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná) e a Casa Civil.
“Então, o tempo despendido, o investimento na atividade, valeu a pena. O foco sempre foi, no caso da sericicultura, a mulher. Ela é protagonista dentro dessa atividade agrícola”, continuou a engenheira agrônoma. “O número de inscrições nos surpreendeu e toda participação, os dados todos coletados das diferentes pessoas que se inscreveram, servirão para estudos da atividade, e propostas para políticas públicas”.
Gianna também destacou a importância individual e coletiva dessa viagem. “O objetivo seria, em princípio, levá-las a conhecer o destino final do produto delas, que é a produção do fio. Mas com o que a gente aprender lá, podemos propor alguma coisa, modernizar a atividade no Estado, produzir mais, e gerar mais renda para elas mesmas”, concluiu.
PROGRAMA– O programa Seda Paraná, promovido pelo Governo do Estado, por intermédio do Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-Paraná), tem a missão de estimular o investimento na sericicultura, valorizando em especial o trabalho das mulheres na produção. A busca pelo fortalecimento da atividade envolve tanto o apoio aos produtores quanto o redesenho do processo de produção e fabricação, baseado em pesquisas que possam levar a esses aprimoramentos.
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