

A hipocalcemia, doença conhecida como febre do leite, é uma enfermidade metabólica que causa grande impacto na pecuária leiteira. Além de reduzir a produção e a qualidade do leite, a doença aumenta os riscos de retenção de placenta, deslocamento de abomaso e mastite, podendo causar até a morte do animal em casos graves. Sua prevenção requer ações contínuas, que vão desde o manejo até a alimentação dos animais.
A doença pode se apresentar de duas formas: a clínica, com sinais visíveis, como tremores e paralisia, ou a subclínica, que não apresenta sinais externos, mas também é igualmente perigosa. "A subclínica, em especial, deve ter uma atenção redobrada do pecuarista, devido à sua incidência (podendo atingir até 50% das vacas no pós-parto) e aos riscos que acarreta, como a queda de produção do leite e o comprometimento da imunidade da vaca, tornando-a predisposta a contrair outras doenças", explica Eduardo Pires, médico-veterinário e gerente técnico da área de Grandes Animais da Boehringer Ingelheim."Existem estimativas de pesquisas de que um caso de hipocalcemia subclínica pode trazer um prejuízo de 700 reais ao pecuarista", complementa.
Pela hipocalcemia subclínica ser uma doença silenciosa e de difícil identificação, o produtor deve adotar uma estratégia preventiva em seu rebanho, principalmente no que tange à alimentação do animal, recomendando-se uma dieta aniônica, ou acidogênica, durante o período pré-parto.
"Mesmo fazendo os cuidados necessários no pré-parto, muitas vezes o animal ainda assim terá desafios com a doença. Por isso, as medidas de proteção devem ser ampliadas ao pós-parto, com a realização de uma suplementação de cálcio eficaz e de rápida absorção logo após a vaca parir", comenta o profissional.
O especialista ressalta que a prevenção da doença exige ações em diversas frentes. "O combate à hipocalcemia não depende de uma única ação, mas sim de todo um sistema de gestão integrado. Quando a fazenda estabelece processos assertivos, os ganhos aparecem de forma consistente, tanto na rentabilidade do leite quanto na saúde do gado", detalha."Prevenir é sempre a melhor estratégia. Ao fortalecer rotinas, medir resultados e investir na formação, no entendimento de processos e no conhecimento técnico das equipes, a cadeia do leite ganha em competitividade e entrega um alimento de alta qualidade à população, produzido com responsabilidade e segurança, além de promover o bem-estar do animal durante toda a sua vida", finaliza Eduardo Pires.
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