

No mês dedicado à celebração das mulheres, a Secretaria de Estado dos Povos Indígenas do Pará (Sepi) realizou, entre os dias 11 e 13 de março, em Belém, o I Seminário de Mulheres Indígenas em Defesa da Vida – Construção de Estratégias e Políticas Públicas de Enfrentamento à Violência. O encontro reuniu cerca de 61 mulheres indígenas no Hotel Nobile em uma programação voltada à escuta, ao acolhimento e à construção de caminhos para fortalecer políticas públicas de proteção às mulheres nos territórios.
O seminário foi realizado em parceria com a Federação dos Povos Indígenas do Pará (Fepipa), com apoio da Secretaria de Estado das Mulheres (Semu) e de outras instituições. A iniciativa buscou promover um espaço de troca de experiências entre mulheres indígenas de diferentes povos e regiões do estado, fortalecendo o diálogo com órgãos públicos e ampliando o acesso a direitos e serviços de proteção.
Durante a abertura, Puyr Tembé destacou a importância de ampliar a presença de mulheres indígenas nos espaços de decisão. “Eu não quero ser a única mulher indígena ocupando um espaço de poder e de tomada de decisão. Quero abrir caminho para que muitas outras mulheres também possam chegar, ocupar esses lugares e ajudar a transformar a realidade dos seus povos”, afirmou.
Para Concita Sompré, presidente da Fepipa, a mobilização das mulheres indígenas segue avançando de forma constante. “Nós mulheres caminhamos como o jabuti. Parece devagar, mas quando a gente percebe ele já foi longe. Assim também somos nós: seguimos avançando e fortalecendo nossa luta. Esse seminário é importante porque nos reúne, fortalece nossa organização e ajuda a construir caminhos para proteger nossas mulheres”, afirmou.
Direitos - A programação do seminário foi organizada em blocos temáticos dedicados à discussão de políticas públicas, direitos e formas de acesso aos serviços de proteção. A proposta foi apresentar como diferentes áreas do Estado podem atuar de forma integrada no enfrentamento à violência contra mulheres indígenas.
Entre os destaques esteve a apresentação institucional sobre os serviços da Semu e as formas de acesso à rede de atendimento às mulheres vítimas de violência. A atividade abriu espaço para perguntas e para o diálogo direto com as participantes.
Ao longo dos três dias, o encontro promoveu rodas de conversa que permitiram às participantes compartilhar experiências de violência, resistência e superação vividas nos territórios. Os momentos de escuta coletiva foram apontados como fundamentais para fortalecer a rede de apoio entre as mulheres indígenas e ampliar o diálogo sobre os desafios enfrentados nas comunidades.
Rosimary Cruz, da aldeia Ataquara, destacou a importância da troca entre as participantes. “Foi muito gratificante essa troca de conhecimento e conhecer outras realidades. A gente já vem acompanhando, enquanto Departamento de Mulheres, as violências que as parentas vêm sofrendo, e saber que existem outros meios para combater esse tipo de violência fortalece muito a nossa luta”, afirmou.
Para a professora Maria Santana, da etnorregional do Tapajós, a educação tem papel central na prevenção da violência. “A escola é muito importante nesse processo. Precisamos estimular ainda mais esse ensino para fortalecer a prevenção. Temos que fortalecer nossos territórios e ensinar que o direito da mulher existir precisa ser real, não só no papel, mas na sociedade também”, disse.
Cultura -A programação contou ainda com facilitação gráfica, que registrou visualmente as discussões e propostas apresentadas ao longo do encontro, contribuindo para sistematizar os principais pontos debatidos pelas participantes.
Além das atividades formativas, o seminário incluiu momentos culturais e de integração, com apresentações artísticas e uma roda de Carimbó que reuniu as participantes em um momento de celebração das identidades culturais.
O encontro também ofereceu serviços de saúde, como exames oftalmológicos e doação de óculos de grau, além de atividades voltadas ao autocuidado e à valorização da autoestima das participantes, com atendimentos de esmaltação, corte de cabelo, design de sobrancelhas e sessões de fotos profissionais.
Ainda, a programação incluiu distribuição de brindes com o apoio da Secretaria Estratégica de Articulação da Cidadania (Seac), desfile, venda de artesanato indígena, sorteios e espaços de confraternização.
Propostas - No encerramento do seminário, as participantes receberam certificados de participação e elaboraram coletivamente um Caderno de Propostas voltado ao fortalecimento de políticas públicas para mulheres indígenas. O documento foi organizado em quatro eixos temáticos: violência doméstica e familiar, violência nos territórios, violência nas cidades e no trabalho e violência institucional e política.
Entre as principais propostas estão a criação de mecanismos específicos de proteção e acolhimento, como uma ouvidoria exclusiva para denúncias com canal gratuito e acessível, e a proposta da Lancha Maria da Penha, uma unidade fluvial adaptada para atender comunidades de difícil acesso na Amazônia.
O documento também sugere a formação e contratação de profissionais indígenas em serviços públicos para superar barreiras linguísticas e culturais, a presença permanente de atendimento psicológico nas aldeias, a criação de casas de acolhimento para mulheres vítimas de violência nos territórios e nas cidades, além do fortalecimento da fiscalização contra atividades ilegais que impactam os territórios e aumentam a vulnerabilidade das comunidades. As propostas incluem ainda ações voltadas à educação, geração de renda e participação política, com foco na autonomia e na proteção integral das mulheres indígenas.
Confira o documento na íntegra aqui .
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